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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Diretoria da UEE-AM toma posse e promete defender a educação pública

Cerimônia aconteceu na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), no último dia 9 de agosto
por Renata Bars.Foram empossados, no último dia 9 de agosto, em cerimônia na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), os 25 novos diretores que compõem a gestão 2017-2019 da União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM). Lucas Pinheiro, presidente da entidade ressaltou durante a solenidade a importância da luta por uma educação pública, além da estruturação e ampliação do movimento estudantil no estado.
”Com a construção de uma frente ampla seguiremos firmes nesses dois anos de gestão para juntos lutarmos com a juventude amazonense por dias melhores. Vivemos em tempos sombrios e a necessidade do movimento estudantil estar organizado é essencial”, falou o novo presidente.
Fundada em 19 de outubro de 2003, a UEE-AM representa o fortalecimento do movimento estudantil no estado com conquistas importantes como a defesa pela garantia da meia passagem, os 10% do PIB para a educação, o Prouni e o  Fies e a recente luta contra os retrocessos oriundos do governo golpista.
Fonte: UNE

Da luta pelo passe-livre à vice-presidência da UNE: conheça Jessy Dayane

Sergipana estudante de Direito é a segunda das três mulheres à frente da entidade pelos próximos dois anos
por Cristiane Tada.Foi na luta contra o aumento da tarifa de ônibus em Aracaju (SE) há uns 10 anos quando ainda era aluna da Colégio de Aplicação que a vice-presidenta da UNE, Jessy Dayane, eleita no 55º Conune foi descobrir o que era o movimento estudantil. “Como o Colégio ficava dentro do Universidade Federal de Sergipe (UFS) a gente tinha muita relação com o movimento estudantil universitário, desde sempre tínhamos contato com as mobilizações”.
A porta de entrada no movimento estudantil se deu concretamente por questões econômicas. “A minha conquista foi pela barriga”, brinca. Foi quando ela entendeu que se tivesse passe-livre, não precisaria “gazear” aula e sobraria mais dinheiro para o lanche.
Dali para presidenta do DCE da UFS, quando cursava Serviço Social na única universidade federal do Estado parece que o tempo correu. Um cargo de muita responsabilidade, uma vez que a política estudantil do Estado foi forjada de acordo com o movimento da UFS.
Em 2014 como presidenta do DCE da UFS
Era o ano 2014, uma agenda de lutas intensas, um ano que para ela foi muito representativo. “Foi aquele ano ímpar, pós 2013 das manifestações de Junho e o ano eleitoral que foi bem polarizado, além do Plebiscito pela Constituinte. Tivemos que lidar com o que as ruas apresentaram e também lidar com a direita surgindo dentro da universidade”, relembra.
Jessy hoje é mãe de Gabriel de 6 anos, mora em São Paulo e estuda de Direito da FMU
A vice-presidenta da UNE marcou a plenária no último dia do Conune com um discurso forte de unidade entre as forças do movimento estudantil. Com o microfone na mão ela também cantou desinibidamente para mais de dez mil estudantes presentes no Mineirinho, em Belo Horizonte.
“Tento sempre usar na fala ou música ou poesia, outra forma de linguagem que tente lidar com outras percepções. Eu acho que a política tradicional se apropria pouco dessas outras formas, se prende a fala”.
A desenvoltura vem da trajetória artística de quem já foi do circo, da dança e do samba.

AGROECOLOGIA

Na universidade ela também conheceu a agroecologia por meio de um grupo de extensão interdisciplinar, onde se debatia um outro modelo de produção agrícola e produção da vida, uma relação humana no campo, contra agrotóxicos, mais saudável. A proximidade com a agroecologia trouxe a aproximação com o Movimento dos Sem Terra (MST) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
“Essa relação marcou o resto da minha militância, minha atuação no movimento estudantil nunca foi desvinculada da luta da classe trabalhadora, dos movimentos do campo, urbano e sindical, em especial a CUT, nunca foi exclusivamente estudantil. Essa relação com a classe trabalhadora para além dos estudantes é tão importante quanto a dentro da universidade”
Para ela essa é uma das marcas na formação que diferencia sua atuação política.
“Diferencia no entendimento do quanto a luta é importante na escola mesmo que eu não esteja mais na escola, quanto no campo mesmo que eu nunca tenha morado no campo, como a luta dos sem teto mesmo que eu tenha casa”.

AS MULHERES NO PODER: UMA GESTÃO DE 3 NORDESTINAS

Para Jessy, se hoje temos um avanço das mulheres dentro do movimento estudantil 2014 foi fundamental, o momento desse debate, quando os movimentos organizados reivindicaram a popularização e democratização com mais juventude, negros, mulheres e LGBTs na política.
Ela destaca o Plebiscito pela Constituinte – consulta popular para eleger representantes legais exclusivamente para modificar regras da nossa política, Congresso e Judiciário pela força popular – como central para refletir na esquerda toda a participação das mulheres na política.
“O nosso envolvimento para chegar até a mesa diretora da UNE tem mais responsáveis como a democratização e a entrada de mais mulheres na universidade, a ampliação do número de vagas que possibilitou mais mulheres no ME. Ainda que isso não signifique diretamente mais mulheres nos postos de direção”.
E completou: “A gente passar a assumir a direção dos espaços foi a partir de 2014 que além da Constituinte talvez também tenha relação com uma presidenta mulher no país que refletiu para dentro das organizações, nos partidos de esquerda, nos movimentos, nas entidades e chegamos a esse momento de ter 3 mulheres, duas negras na direção da UNE, que já se repetiu do fim da gestão passada.”
Para a sergipana as regiões do país tem características na formação e influenciam na atuação política. “Acho que sempre tivemos a característica da resistência, é a cara do Nordeste e das mulheres que historicamente tiveram que lutar muito para conquistar algum espaço, acho que temos aquela coisa de assumir ao máximo o compromisso para que se corresponda as expectativas que os estudantes tem, essa marca de resistência e esforço, porque essa é a marca da nossa vida. Temos que levar isso para a gestão”.
Jessy destaca que a política para o povo brasileiro sempre foi muito distante e sempre foi delegada. “Eu queria que as pessoas me olhassem e sentissem um estímulo a organização coletiva. Esse era o esforço que eu queria que nessa gestão a gente pudesse marcar os estudantes”.
Com o filho Gabriel, de 6 anos
UNE

“Depois morre e não sabe porquê!”

Ergon Cugler, diretor de Universidades Públicas da UEE-SP comenta a intimidação de estudantes e professores na Unifesp pela PM durante Audiência Pública

A truculência superou o bom-senso há muito tempo, mas depois do episódio ocorrido na UNIFESP Santos (SP) na última sexta-feira, 11, não há mais nada a se esperar do movimento protofascista que emana da política arbitrária do Governo do Estado de São Paulo contra os direitos da juventude, dos estudantes e de todo povo através da Polícia Militar.
Fim de tarde ensolarada, sexta-feira e universidade pouco movimentada pelo calendário de volta às aulas. Tudo estaria como sempre no campus da UNIFESP Santos se não fosse pela presença de dezenas de viaturas e mais de 100 policiais militares, incluso armados e fardados, em frente a universidade se preparando para participar de etapa da Audiência Pública sobre Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos.
Funcionários, estudantes, professores e moradores da região nem sequer sabiam de tal audiência e foram pegos de surpresa. Coincidência? O ponto é que tal parece ter sido divulgada às miúdas pela região para garantir organização de apenas tal setor da PM com suas pautas, os quais chegaram em bloco e aparentemente dispensados dos postos para tal tarefa.
Tais policiais, alguns fardados, outros a paisana, surpreenderam a comunidade acadêmica com cartazes escrito “Bolsonaro 2018” reivindicando mudar o termo “Ditadura Militar” para “Revolução de 1964”. Tudo isso no mesmo dia em que a União Nacional dos Estudantes comemorava seus 80 anos de existência, com longa luta e resistência à Ditadura Militar que segundo tais policiais nunca existiu.
Não bastasse, os professores ainda alegam que foram ameaçados de morte e tiveram que ouvir frases como “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”, pois “Direitos Humanos são para humanos direitos”.
O ocorrido na UNIFESP é extremamente preocupante, pois a última vez que vimos policiais armados invadindo a universidade com objetivo de intimidar estudantes e professores foi na Ditadura – onde a organização civil e acadêmica era proibida e perseguida friamente.
Ao mesmo tempo, precisamos compreender que o ponto central não está na participação ou não de tais policiais na audiência, pois todos são cidadãos, mas no porte intimidador e excludente por parte de um setor organizado que deveria proteger a população.
Ao fim, como a comunidade acadêmica protestou contra tal abuso, os PMs teriam começado a filmá-los e chamá-los de “vagabundos” gratuitamente.
Investigações deverão ocorrer para apurar se houve de fato ordem “de cima” para tal ação organizada e cabe à sociedade fiscalizar. Mas quem nem suspeita disto ou é muito inocente ou mal-intencionado, pois torna-se cada vez mais evidente o uso do aparato da PM para interesses políticos distantes do bem-estar e zelo do povo. Tal episódio nos demonstra mais do que nunca a necessidade de debatermos o papel dos direitos humanos na educação e também o quanto o discurso de ódio promovido por figuras como Bolsonaro avança na sociedade que se sente confusa e aflita com tanta injustiça. É necessário coragem e estômago!
Aliás, “depois morre e não sabe porquê!”.

*Ergon Cugler é diretor de Universidades Públicas da UEE-SP e estudante de Gestão Empresarial da FATEC Praia Grande.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Especial 80 anos: UNE e a reivindicação da democracia

Conune-79
Congresso realizado em maio de 79, em Salvador, tirou a UNE da ilegalidade imposta pela ditadura militar

Em maio de 1979 acontecia na capital baiana o 31º Congresso da União Nacional dos Estudantes, um evento histórico: o chamado “Congresso da Reconstrução” marcava o fim de 6 anos de sem a eleição de uma diretoria de forma direta, no momento em que a pressão pelo fim da ditadura militar começava a tomar forma no país.
O Congresso foi o resultado final de um custoso processo, sustentado por encontros nacionais clandestinos e inúmeras reuniões. Na ocasião, o escolhido para estar à frente da entidade foi o baiano Ruy Guerra, primeiro a ocupar a presidência após o sumiço de Honestino Guimarães, em 73.
Em entrevista concedida a Javier Alfaya, também ex-presidente da UNE e publicada na Revista Movimento Especial 80 anos, Ruy fala um pouco sobre as articulações que ocorriam em todo país para a reconstrução da UNE.
”Duas tentativas de reconstrução tinham sido frustradas: em 1977 na PUC, em São Paulo. Eu estava lá quando Erasmo Dias jogou a bomba na PUC. Duas estudantes saíram gravemente queimadas, foi um episódio bastante forte. E o outro momento, em 1978, foi em Minas Gerais, quando a maior parte dos estudantes foi presa. Na PUC paulista chegou a acontecer o encontro, eu cheguei a fazer a abertura. Em Minas Gerais nada aconteceu, porque todo mundo foi preso e não se pôde fazer nada direito, poucas coisas, poucas reuniões”, contou.
APOIO DA SOCIEDADE CIVIL
Menos de um ano depois do ocorrido em Minas Gerais, no Centro de Convenções da Bahia, local cedido pelo governador à época, Antonio Carlos Magalhães, cerca de 10 mil estudantes se encontraram vindo de várias partes do país para construir o 31º Congresso da entidade.
Ruy relembra do apoio recebido por grande parte da socieade na ocasião.
”Nós não tínhamos nenhuma infraestrutura para organizar o congresso e dependíamos muito do apoio da cidade. A nossa única chance era o envolvimento de todas as camadas, formadores de opinião, intelectuais, imprensa, comunidade universitária, partidos políticos, entidades de classe, Instituto dos Arquitetos, Clube de Engenharia da Bahia e de diversas associações de bairros. Esse movimento foi tão interessante que nós abrimos inscrições para hospedar os estudantes nas casas das pessoas, nas casas da família. Precisávamos de quatro mil hospedagens e tivemos o dobro de pessoas oferecendo suas casas para receber, gratuitamente, os estudantes”, disse.
O RENASCIMENTO DA UNE
Com o apoio recebido e a força dos estudantes que ali estavam, o 31º Congresso da União Nacional dos Estudantes e a sua saída da ilegalidade finalmente se concretizaram.
Foram dois dias de debates intensos que não passaram incólumes ao regime militar: há relatos de boicotes com falta de energia que geraram três apagões durante as atividades. Contudo, a reivindicação da democracia havia sido feita. Dali saiu a chamada ”Carta de Princípios” e a proposta aprovada das eleições diretas, responsáveis pela escolha de Ruy Guerra alguns meses depois.
Por Renata Bars, no site da UNE

UNE e UEE-SP empossam diretores que vão organizar luta estudantil pelos próximos dois anos

UNE e UEE-SP empossam diretores que vão organizar luta estudantil pelos próxim...

A diretoria da UEE-SP que ficará à frente da entidade nos próximos dois anos tomou posse na última sexta-feira, 11.08, Dia do Estudante. São ao todos 65 diretores de todo o estado de São Paulo que estarão defendendo a qualidade da educação nas universidades públicas e privadas, lutarão contra as opressões, realizarão mobilizações pela integração dos estudantes, por formações mais completas e por uma sociedade mais justa.
O evento contou com a posse da diretoria da UNE, um ato político e um festival pelos 80 anos da organização nacional, com a presença de movimentos sociais, parlamentares, entidades do movimento educacional e artistas 

A presidenta da UNE, Marianna Dias, afirmou que a ideia de tomar posse em praça pública e não em um auditório, se deu por conta do momento político que o Brasil vive em que os estudantes precisam mostrar a sua cara.

Para ela o papel da UNE, o maior desafio é encantar cada jovem brasileiro da sua missão de defender o Brasil. “Não combina com os estudantes desistir perante as dificuldades, porque somos a UNE que derrubou a ditadura militar e que fez a liberdade raiar nesse país e será pelas nossas mãos que nós vamos reestabelecer a democracia, que nós vamos gritar bem alto que nós queremos e que vamos votar para presidente da República e que sobretudo nós não permitiremos que a universidade pública, que o Fies e ProUni sejam destruídos, porque nossos sonhos não tem preço e não pagaram pela crise”.

Para vice-presidenta Jessy Daiane, os golpistas tiraram o povo do jogo e “a tarefa da UNE é colocar o povo e os estudantes na cena da política, pra jogar nessa partida, recolocar o povo nas ruas, dando centralidade a luta de massa, as ocupações e aos atos de rua”.

Já a secretária-geral da entidade, Mariana Jorge, lembrou na necessidade de proteger um legado que colocou a classe trabalhadora dentro da universidades, culminando em uma mesa diretora feminista e Nordestina. “Para defender esse legado precisamos combater essa ameaça privatista e neoliberal”, afirmou.

Ocupação da Câmara

O dia foi de celebração completa. Desde cedo os estudantes paulistas comemoravam o fim vitorioso da ocupação da Câmara dos Vereadores da capital. Contra o projeto de privatização da cidade, e o corte no passe-livre estudantil, estudantes tomaram a casa legislativa e resistiram por 48 horas.

"Já iniciamos o período com a juventude cumprindo seu papel de resistência e luta. Saúdo a unidade dos movimentos para barrar o golpe e os projetos que estão em curso e que cortam nossos direitos e afrontam a sociedade", destacou a presidenta da UEE-SP, Nayara Souza.

Já o vice-presidente da UEE-SP, Diego Pandullo, lembrou que além do dia do estudante, no dia 11 se comemora o dia do advogado e dia da Advocacia, bem como 190 anos do CA XI de Agosto do qual faz parte. “Eu não podia deixar de lembrar da hipertrofia do poder judiciário, desse ativismo judicial desenfreado por parte de um poder aristocrático que não foi constituído nas ruas e não tem controle social, que é cada vez mais seletivo e arbitrário. Esse poder judicial está inscrito numa lógica de perseguição as organizações de esquerda e criminalização dos movimentos sociais e por isso temos que estar atentos”.

UEE/SP

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Fundações alemãs lançam cartilha de feminismo para leigos

Objetivo da cartilha é oferecer informações claras e simples para que qualquer pessoa possa apresentar argumentos sólidos contra discursos conservadores
Objetivo da cartilha é oferecer informações claras e simples para que qualquer pessoa possa apresentar argumentos sólidos contra discursos conservadores


Quase sempre baseados em preconceitos e formulados sem base factual, esses discursos invadem redes sociais e chegam a circular na própria imprensa. Nos últimos anos, ataques ao movimento feminista, a políticas e estudos de igualdade de gênero cresceram na Alemanha.

Contra esses argumentos, as fundações Heinrich Böll e Rosa Luxemburgo, ligadas aos partidos Verde e A Esquerda, lançaram na Alemanha em meados de julho a cartilha Gender raus – 12 Richtigstellungens zu Antifeminismus und Gender Kritik (Fora, gênero – 12 retificações sobre antifeminismo e críticas de gênero, em tradução livre).

"Em tempos de populismo de direita e de uma esfera pública fundamentalista, o esclarecimento sobre argumentos e simplificações falsas é importante”, afirma Katharina Pühl, da Fundação Rosa Luxemburgo.

De acordo com a especialista em feminismo, o objetivo da cartilha é oferecer informações claras e simples para que qualquer pessoa possa apresentar argumentos sólidos contra discursos conservadores, antifeministas e racistas em conversas cotidianas.

A diretora da Fundação Heinrich Böll, Barbara Unmüssig, lembrou durante o lançamento da cartilha que a emancipação sexual, a igualdade de direitos, a identidade de gênero, o reconhecimento de toda a orientação sexual e o combate à discriminação são elementos centrais dos direitos humanos.

"Não podemos deixar o antifeminismo e a homofobia sem resposta”, salientou.

Doze frases

A partir das 12 afirmações do discurso antifeminista mais propagadas em países de língua alemã, a cartilha mostra, por meio de uma linguagem simples, as distorções de cada uma delas. A autora do livro, Franziska Schutzbach, conta que o texto foi pensado para servir como um meio de informação para o público leigo.

"Se essas pessoas só tiverem acesso a argumentações antifeministas, há o risco de que essas críticas e hostilidades acabem formando opiniões”, ressalta a especialista em estudos de gênero da Universidade de Basileia.

Por exemplo, ao debater a afirmação "Feminismo é o ódio aos homens”, o texto explica que o feminismo não é o combate aos homens, mas sim a luta por direitos iguais para todos, homens e mulheres, além da busca por uma divisão igualitária de recursos e poder – que ainda são dominados em sua grande maioria por homens.

"Crítica não é ódio”, ressalta o documento, que lembra que também há homens que são prejudicados por não se encaixarem em padrões ditos como masculinos – por exemplo, ser forte ou ter sucesso na carreira. A argumentação finaliza destacando ser possível lutar contra situações nas quais homens sofrem preconceitos sem precisar atacar o feminismo.

Outro capítulo da cartilha discute a frase: "A biologia determina como homens e mulheres se comportam e mostra que eles são diferentes.” O texto afirma que esse argumento surgiu no século 19 para legitimar os papéis do homem e da mulher e justificar hierarquias entre eles e entre pessoas de diferentes origens.

O texto mostra, no entanto, que diversos estudos já revelaram que o comportamento humano e a construção de gênero não são baseados apenas em fatores biológicos, mas também são influenciados pela cultura, educação e socialização.

A cartilha apresenta ainda argumentos contra afirmações antifeministas que apoiam atitudes sexistas, contestam o aborto, defendem a família tradicional, negam as desigualdades entre homens e mulheres, criticam estudos de gênero e propagam a xenofobia.

Segundo a autora da cartilha, grande parte destes argumentos e desculpas funciona no mundo inteiro: "Há uma continuidade histórica nesta argumentação, com diferentes focos, mas determinados argumentos antifeministas se repetem desde o surgimento do feminismo.”

Atualmente, as fundações não têm planos para traduzir a cartilha em outras línguas. Pühl não descarta a tradução, mas salienta que o texto precisaria de algumas modificações para se encaixar na realidade de outros países.


Fonte: Deutsche Welle

Diva Guimarães, Otto, Johnny Hooker e a nova onda de contestação

Diva Guimarães fez a Festa Literária de Paraty chorar...
Diva Guimarães fez a Festa Literária de Paraty chorar...


 Dizer qualquer coisa fora dos roteiros estabelecidos passou a culminar com um tipo de criminalização do “dissidente”.

Essas barreiras começaram a ruir com diversas manifestações espontâneas de desobediência civil. Seu desabamento foi inaugurado com ações como a de Thiago Rocha, estudante de História da UFRJ, que, ao ser instado a dar entrevista ao vivo à TV Globo, em maio de 2016, iniciou com um “Primeiramente, Fora Temer!” 

Na semana passada, uma senhora negra de 77 anos, Diva Guimarães, do Paraná, rompeu mais uma comporta desse bloqueio: ela pediu a palavra em um debate na Festa Literária de Paraty (Flip) e deu uma traulitada mortal no racismo velado brasileiro.

Diva falou durante 13 minutos na mesa A Pele Que Habito, depois do ator Lázaro Ramos e da jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques. Quando concluiu, dezenas estavam às lágrimas. Sua fala foi gravada na íntegra pela organização da Flip e viralizou na internet. 

O discurso de Diva Guimarães alastrou-se como fogo no mato seco por conta da verdade límpida do relato, que escancarou a segregação dentro da Igreja Católica. Vinda de família pobre, sem condições de subsistência, foi levada aos 7 anos para ser criada em uma instituição de freiras.

Ali, ela descobriu que as crianças negras só trabalhavam e a discriminação era regra. “Existia um rio – aquele maldito rio abençoado por Jesus –, diziam as freiras, em que os brancos se banhavam primeiro e os negros, por serem preguiçosos, entravam por último e só colocavam as palmas das mãos e dos pés.

Era isso o que as freiras contavam para a gente, para explicar a diferença da cor da pele entre brancos e negros”, disse a professora dona Diva. 

A contundência de Diva alcançou ainda maior impacto por conta da simplicidade de suas descrições do racismo que sofreu e vem sofrendo desde que se conhece por gente. “Você entra em uma loja e escuta ‘posso lhe servir?’, mas isso não é para servir você, é para ficar andando atrás de você para ver se vai roubar”, afirmou, em entrevista ao jornal O Globo. 

As ações espontâneas de desobediência civil desafiam o racismo, o golpismo e também o espírito de corpo. Na semana passada, o secretário municipal de Cultura de São Paulo, André Sturm, foi retumbantemente vaiado no Memorial da América Latina por uma plateia de cineastas.

O também cineasta Sturm certamente contava com um ambiente sob controle quando subiu ao palco para discursar, mas a vaia ultrapassou os 15 minutos. Entre os créditos para tal rejeição, André Sturm contabiliza ações nocivas na secretaria, especialmente no âmbito democrático.

No fim de julho, ele desferiu um violento ataque às instâncias democráticas de organização cultural: com um decreto assinado pelo prefeito João Doria, publicado no dia 21 no Diário Oficial da Cidade de São Paulo, Sturm feriu de morte o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB).

O decreto de Doria estabeleceu que a composição do conselho do PMLLLB será agora escolhida por ele, Sturm, e não mais por instâncias de representação das diferentes cadeias produtivas do livro. 

O ato de Doria, evidentemente causado por um pedido do secretário, tem pinta de retaliação: em 11 de maio, ao participar da primeira reunião do conselho do PMLLLB, Sturm bateu boca com os conselheiros e destratou um deles: “Eu leio mais livro que você. Tenho certeza”, afirmou, antes de sair da reunião.

Pouco tempo antes, tinha ameaçado “quebrar a cara” de um agente cultural da Zona Leste que o interpelou, devido à subvenção atrasada de um centro cultural.

Sturm, que já teve a sede da secretaria ocupada por coletivos da periferia, colhe os louros do que plantou (na reportagem “O secretário que derreteu”, de junho, CartaCapital já chamava atenção para os pendores autoritários do secretário).

Nos últimos dias, essa tendência de Sturm se acentuou. Primeiro, mudou a seu próprio critério a catalogação de livros nas bibliotecas municipais. Agrupou todos os autores por sobrenome. No caso da Biblioteca Álvaro Guerra, a única divisão que sobrou na não ficção é “policial”, e a prefeitura colocou Detetives Selvagens, do chileno Roberto Bolaño, nessa categoria. 

A compositora Liana Yuri, frequentadora da Biblioteca Viriato Correa, na Vila Mariana, em São Paulo, ficou chocada ao saber dos funcionários que Sturm ordenara que retirassem centenas de livros do acervo por serem “velhos”.

“A bibliotecária me falou baixinho que salvou um deles da queima: As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano”, afirmou Liana em sua página no Facebook. 

Em territórios de unanimidade ideológica, como a Rádio Jovem Pan, uníssono da extrema direita, é muito raro que alguma coisa saia do roteiro. Mas, no último dia 21, ao participar do programa Morning Show, apresentado por Edgar Piccoli, o cantor e compositor pernambucano Otto furou o bloqueio.

Contrapôs-se com energia à opinião do comentarista Augusto Nunes, defendendo o governo Dilma e dizendo que o País deve desculpas à presidenta afastada. 

“Dilma não foi vítima. Ela é uma mulher forte. Quem deveria estar preso está solto. A democracia foi quem perdeu. É um buraco tão grande que se criou neste país que estamos pagando agora. Bala que dispara contra o tempo sempre volta”, afirmou o cantor. 

Rebatido pelos comentaristas da emissora, ele seguiu firme. “Eu não tenho partido, tenho posições minhas. A única coisa que vai ajudar é uma eleição direta”, afirmou. “Eu sou de esquerda. Meu partido é a esquerda, e o seu? É a direita”, disse, em resposta a uma pergunta do jornalista Augusto Nunes.

“O sistema deste país deve desculpas não apenas à presidenta, mas para todos. Todo mundo sabe que ela estava no meio de macacos. Dilma era uma pessoa honesta, não precisava sair daquele jeito”, afirmou Otto.

O rapper, romancista e poeta Ferréz, autor do premiado Capão Pecado e outros livros, diagnosticou que a maior violência desta época é que se tenta fazer com que a periferia negue aquilo em que acreditou, uma vida de igualdade de oportunidades, de eliminação das diferenças sociais, de distribuição de renda.

Tentam fazer as pessoas se envergonharem daqueles que foram os maiores acertos de um período: a distribuição de renda, os avanços educacionais, culturais e legislativos. 

A onda de contestação estende-se também ao campo comportamental. O músico pernambucano Johnny Hooker causou polêmica ao criticar Ney Matogrosso e o que ele acredita ser uma negligência do astro em relação aos temas caros ao universo LGBT. 

Ney, em entrevista à Folha de S.Paulo, dissera o seguinte: “Que gay o caralho, eu sou é um ser humano”. 

Johnny recebeu uma saraivada de críticas, como é regra em qualquer artista jovem que critica uma vaca sagrada da MPB. Muita gente não o perdoou por afrontar Ney, um artista que encarou o mundo macho e machista da música brasileira vestido de plumas e rebolando em plena ditadura militar, à frente dos Secos & Molhados, e que, portanto, merecia mais respeito. 

Mas o posicionamento de Johnny Hooker parece ir um pouco além do puro confronto geracional. “Em 2017, é legal ser gay no Brasil? Não é legal ser gay no Brasil. O Brasil mata um LGBT a cada 25 horas”, afirmou o pernambucano. 

“Entendi o que Ney falou, precisamos humanizar. Mas não acho que a sociedade brasileira veja os LGBTs como seres humanos.”

Em entrevista ao Correio da Bahia, Johnny Hooker foi ainda mais fundo. “É muito fácil ver um conservador falando isso. É só isso, essa é a discussão? É o mito do brasileiro cordial”, afirmou. “E também tem a coisa da figura de autoridade, né? A gente é colonizado até nisso. Como é que no Brasil as pessoas ficam inquestionáveis acima de qualquer colocação?”


Fonte: Carta Capital

domingo, 13 de agosto de 2017

Jornalista JOSÉ BENEDITO CORREIA LEITE



José Correia Leite nasceu no dia 23 de agosto de 1900 era filho de mãe solteira, sua certidão não tinha o nome do pai. Mas um amigo íntimo garante que foi um senador da República para quem a mãe teria trabalhado. Sozinha com o filho, para poder trabalhar de empregada doméstica, a mãe era obrigada a deixá-lo na casa de estranhos, que o maltratavam. Sem alguém que se responsabilizasse por sua educação, o menino foi impedido de frequentar a escola, em São Paulo. Foi entregador de marmitas, lenheiro e cocheiro. Autodidata, teve incentivo de uma antiga patroa, professora, para que estudasse sozinho.

Tornou-se um dos expoentes do movimento negro brasileiro. Aos 24 anos, junto com Jayme de Aguiar, fundou o jornal O Clarim, rebatizado posteriormente de O Clarim d’Alvorada. Era um jornal feito por negros e para a comunidade negra, publicado entre os anos de 1924 a 1932. Nele, Correia atuou como diretor responsável, redator, repórter e gráfico. Ainda no início do jornal, começou a ter notícias sobre o processo de discriminação racial nos Estados Unidos que muito o influenciou.


O militante negro
Foi um dos mais ativos nomes do movimento negro brasileiro. Um dos fundadores, em 1931, da Frente Negra Brasileira, compôs o conselho da entidade, mas depois se demitiu por divergências ideológicas, durante a aprovação dos estatutos.

Em 1932, dirigiu o jornal A Chibata. No mesmo ano, criou o Clube Negro de Cultura Social, do qual foi um dos secretários e orientadores e onde publicou a revista Cultura. Mesmo assim, com uma ajuda aqui e outra ali, foi aprendendo a ler e a escrever. Um dos que o ensinaram foi o amigo Jayme Aguiar com quem, aos 24 anos, ele fundou o jornal O Clarim, depois rebatizado de O Clarim d’Alvorada, que durou até Getúlio Vargas estabelecer o Estado Novo, em 1937. A vibração da escrita e a negritude lhe pulsavam nas veias, assim, após o fim da ditadura getulista, Correia Leite, Fernando Góis e Raul do Amaral criaram o jornal Alvorada, em 1946.O clube funcionou até 1937. Em 1945, José Correia Leite colaborou com a fundação da Associação dos Negros Brasileiros (ANB), passando a editar o jornal Alvorada. A ANB encerraria suas atividades em 1948. Em 1956, foi criada a Associação Cultural do Negro, na qual Correia Leite assumiu a função de Presidente do Conselho Deliberativo, até 1965. Em 1960, participou ainda da elaboração da revista Niger.

Além da militância, na qual foi uma referência, João Correia tinha a preocupação de construir um diálogo com os pesquisadores que se debruçavam sobre a questão racial. Assim, ele colaborou com depoimentos e material bibliográfico para diversos trabalhos sociológicos, como Relações Raciais entre Negros e Brancos em São Paulo – pesquisa dirigida por Roger Bastide e Florestan Fernandes; A Integração do Negro na 
Sociedade de Classes – tese de Florestan Fernandes; Racial Consciousness and Policial Atitudes and Behavior of Blacks in São Paulo, Brazil – tese de Michael Mitchell; e A Imprensa Negra em São Paulo – tese de Miriam Nicolau Ferrara. Também participou de diversos congressos, seminários e convenções, como o III Congresso de Culturas Negras das Américas – PUC / SP, 1982, mostrado no documentário Ori de Raquel Gerber. Foi entrevistado ainda para a realização de documentários cinematográficos, como O Negro da Senzala ao Soul, da RTC, e A Escravidão, de Zózimo Bulbul.
-"E disse o velho militante José Correia Leite, que deveria ser o livro de cabeceira de todos nós. Correia Leite pintava aquarelas, de cores suaves. Talvez fosse a única maneira para serenar seu espírito vibrante e guerreiro, ante as injustiças sociais."

Faleceu em 27 de fevereiro de 1989, em São Paulo, aos 88 anos de idade.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
Fonte:www.palmares.gov.br/

ASSEMBLEIA GERAL DA ABSN - PARELHAS-RN APROVA ESTATUTO E ELEGE SUA PRIMEIRA DIRETORIA


 Aprovação do UNANIMIDADE pelos presentes (sócios) o Estatuto da ABSN de Parelhas/RN
 Coordenador Municipal de Cultura de Parelhas, Canindé prestigiando a assembleia e representando o Prefeito Alexandre
 Secretária Provisória, Avaneide Azevedo lavando a ATA da Assembleia
 Um momento especial ao lado do Canindé, que precisou se ausentar para participar de outra atividade.
 Eduardo Vasconcelos, presidente do CPC/RN (Centro Potiguar de Cultura), lendo a proposta estatutária da ABSN

 Apresentação da única chapa inscrita para eleição da ABNS

 Oratória da Chapa Unidos para Lutar
 Aprovação da CHAPA ÚNICA por unanimidade, sendo a PRIMEIRA diretoria da ABSN

 Final da Assembleia
 Momento que ficará na história na memória dos fundadores/as da ABSN
Hoje (12) a cidade de Parelhas foi palco de um momento que ficará na história dos adolescentes e fundadores da ABSN - (Associação Brasileirinhos Sensação Nordestina), uma quadrilha tradicional, mas até o momento não era uma entidade jurídica, mas os mesmos mudaram esse pensamento, pois o grupo se uniu e deram os primeiros passos para a sua legalidade!

Antes desse dia de hoje a ABSN se reuniram em alguns momentos e  com o poio do CPC/RN (Centro Potiguar de Cultura), resolveram partir para a legalidade.

Esse dia de hoje a Comissão Provisória da ABSN encaminhou e promoveu sua Assembleia Geral e aprovaram os estatutos e elegeram sua primeira diretoria.

Mas antes houve debates e esclarecimentos diante da importância e necessidade da legalização da associação, só assim foi dado os passos conforme a lei. Ou seja: Publicaram o Edital de Convocação no Diário Oficial do Estado, em 17 de junho de 2017 e hoje realizaram a referida assembleia, onde aprovaram os seus estatutos e elegeram sua primeira diretoria para um mandato de 3 (três) anos.

Todos sabem que isso é só o começo, pois o registro em Cartório, CNPJ e elaboração de um calendário de luta e projetos na defesa da cultura popular e fortalecimento da ABSN, mas pela garra de todos os presentes demostrado hoje com certeza todos ganharão.  E o Centro Potiguar de Cultura estará sempre presente para apoiar a ABSN, principalmente no resgate da cultura local.

Composição da Primeira Diretoria Executiva Eleita da ABSN - Parelhas:

Presidente: MARIA DE LOURDES SANTOS FERNANDES; Vice Presidente: MARIA DAS VITÓRIAS SOUZA DOS SANTOS; Primeira Secretária: AVANEIDE SANTOS DE AZEVEDO; Segundo Secretário: GEOVANI ARAÚJO DE ANDRADE; Primeiro Tesoureiro: JOSÉ RICARDO DA SILVA; Segundo Tesoureiro: JERFFERSON BRUNO DOS SANTOS e Suplente da Diretoria Executiva: ANDERSON BRUNO MOREIRA DE SOUZA.

Após a aprovação da nova diretoria todos foram empossados e agora a luta!. Avante!

SP: Estudantes desocupam Câmara depois de dois dias de resistência

ocupa camara sp

Jovens denunciaram projetos de privatização da cidade e cortes no passe livre estudantil.

Estudantes e movimentos sociais ocuparam a Câmara dos Vereadores de São Paulo por dois dias para denunciar um pacote de privatização de patrimônios da cidade e os cortes no passe livre estudantil, que impede a juventude de acessar a cidade desde as voltas às aulas.
A saída aconteceu nesta sexta (11/8), Dia do Estudante. Uma das principais conquistas dos estudantes foi a não criminalização do movimento de ocupação, garantido pela lei brasileira, por meio de uma reintegração com o prazo de até 5 dias para a desocupação do local e sem qualquer uso da força.
A decisão foi deferida pelo juiz Alberto Alonso Muños e caso não acontecesse, ela seria realizada pela Polícia Militar, com a definição de que não pode ser utilizado qualquer tipo de munição, mesmo não letal, como bala de borracha e gás lacrimogêneo.
Em entrevista coletiva nesta quinta (10/8), o movimento explicou que o prefeito João Dória (PSDB) quer “rifar o patrimônio público”, com projetos de lei em votação na Câmara, e defendeu que a população tenha consciência e aprove estes projetos em um plebiscito. “Além de parques e outros patrimônios, o bilhete único também corre o risco de ser privatizado, atendendo interesse privado, e não da população”, afirmou Nayara Souza, da União Estadual dos Estudantes de São Paulo.

Jornadas de Lutas da Juventude

No mês do estudante, movimentos e organizações da juventude se reúnem para realizar diversos. No dia 17 de agosto, haverá o grande ato unificado que reunirá todos os estudantes de todo Brasil em prol das Diretas Já, em defesa da Educação Pública e Gratuita e contra os desmontes.
UNE

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

SanFran será ‘Território Livre’ dos estudantes brasileiros nesta sexta (11)

Faculdade de Direito São Francisco 
Arquivo
por Cristiane Tada.
Posse da UNE e UEE-SP vai reivindicar luta pela pelas Diretas Já na primeira Faculdade de Direito do Brasil
“Quantas pedras forem colocadas, tantas arrancaremos. 30-X-1973”
Inscrição na pedra fundamental do prédio da Faculdade de Direito da USP, que voltou da Cidade Universitária para o Largo São Francisco por pressão do alunos
Um espaço de tradição e resistência será o palco da posse da União Nacional dos Estudantes e da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) nesta sexta-feira (11) dia do estudante, quando se comemora um duplo aniversário: 80 anos da UNE e 190 do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito da USP.
Localizada no Largo São Francisco no coração da cidade de São Paulo, o endereço da primeira Faculdade de Direito do país ultrapassou sua referência de ensino para também reduto da democracia, espaço de defesa das lutas sociais dos trabalhadores e dos estudantes.
“Durante a posse da UNE iremos ocupar o Largo com muita reverência às inúmeras lutas travadas aqui e retomar esse local de resistência com a luta pelas Diretas Já e na defesa intransigente de uma educação pública de qualidade”, destacou a presidenta da UNE, Marianna Dias.

CENTRO ACADÊMICO XI DE AGOSTO

Fundado em 1903, o Centro Acadêmico XI de Agosto foi o primeiro CA fundado no Brasil e representou a união de diversos agrupamentos estudantis já existentes na Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1938 foi uma das entidades fundadoras da UNE.
Tem no seu histórico de lutas o fato de ter tido seu prédio invadido por militares assim como a UNE um pouco antes o golpe de 1964, devido a uma palestra de um ministro do governo Goulart sobre as reformas de base. Também se destacou no engajamento de períodos importantes como na campanha “O Petróleo é Nosso”, nas Diretas Já e no Fora Collor. Ao longo dos anos os estudantes do XI de Agosto já protagonizaram várias ocupações e manifestações que mantém uma tradição de lutas e engajamento com os mais variados problemas sociais enfrentados pela sociedade e também por uma horizontalização maior das estruturas de poder da USP.
“Para a gente é um orgulho e uma honra recebermos e sediarmos no Largo São Francisco esse local histórico para as lutas sociais brasileiras, essa posse da UNE e UEE-SP porque são entidades que sempre se colocaram em defesa da democracia, em defesa dos direitos da população brasileira e sobretudo da juventude, assim como o XI de Agosto sempre encampou as grandes bandeiras dos avanços sociais brasileiros”, afirmou o vice-presidente da UEE-SP e diretor do XI de Agosto Diego Pandullo.
A história do XI de Agosto também se confunde com a história das lutas progressistas do país. Desde a luta por uma Constituição Federal, a resistência ao Estado Novo, como importante espaço de aglutinação do Movimento Estudantil nos sucessivos embates com a polícia e a ditadura militar, de discussão e defesa da educação pública. Sob suas arcadas é considerado um “Território livre”, desde 1930, ou seja, espaço livre de debate, imune à ação repressora de qualquer teor.
No último período a SanFran ficou marcada pela atuação de professores e estudantes na defesa da legalidade do mandato de Dilma Rousseff – a despeito de professores como Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment contra a presidenta- e pelos atos contra a criminalização dos Movimentos Sociais.
Famosas arcadas são palco histórico de atos e manifestações
A presidenta da CA, Paula Masulk, destacou o momento atual do país de ataques, retrocesso, e retirada de direitos garantidos a população pela Constituição. “Eu acho essencial que o Largo volte a ser palco de reivindicações. Esse ato vai ser muito simbólico com essas entidades tão representativas do movimento estudantil em unidade vamos mostrar que a juventude vai continuar resistindo”.
Assim como previu a histórica Carta aos Brasileiros em 1977, documento escrito pelo professor Goffredo da Silva Telles Junior decisivo para a redemocratização do país, a Faculdade de Direito continua seu legado de defesa a soberania da Constituição, a livre manifestação do povo organizado, contra a censura e a repressão.
“Sustentamos que uma Nação desenvolvida é uma Nação que pode manifestar e fazer sentir a sua vontade. É uma Nação com organização popular, com sindicatos autônomos, com centros de debate, com partidos autênticos, com veículos de livre informação. É uma Nação em que o Povo escolhe seus dirigentes, e tem meios de introduzir sua vontade nas deliberações governamentais. É uma Nação em que se acham abertos os amplos e francos canais de comunicação entre a Sociedade Civil e o Governo”, trecho da Carta.

DIA DO ESTUDANTE...POUCO PARA SE COMEMORAR COM UM GOVERNO DAS ELITES!!!

Dia do Estudante? Presente de Grego! projeto de lei Escola sem Partido
novembro 2015 Audiencia Publica "Escola sem Partido"
Audiência pública do movimento "Escola sem Partido
Sabemos que, DIA DO ESTUDANTE é todo santo dia! É aula todos os dias, são tarefas extra-classe, pesquisas, etc, etc, etc.

A luta constante tem tido resultados positivos, como por exemplo as CONQUISTAS da Lei do Grêmio Estudantil nas Escolas; da Meia Passagem; da Meia Entrada (apesar de muitos promotores de eventos continuarem a burlar a lei); FIES; PROUNI, entre outros.

Mas recente o desgoverno TEMER, resolveu dá de presente aos estudantes brasileiros uma CAVALO DE TRÓIA, denominado de “ESCOLA SEM PARTIDO”, que tira literalmente direitos dos estudantes e dos professores, como por exemplo a LIBERDADE DE EXPRESSÃO e com certeza ela não cumprirá o papel que supostamente se propõe. A lei é recheada de ideologia de direita.

Precisamos ter uma LEI que deveriam ceder lugar a uma educação capaz de fornecer instrumentos para o estudante tomar as suas próprias decisões.  Veja o que diz o mestre em Filosofia, Joel Fonseca:

“ O  aparece para, supostamente, dar um fim a essa situação. No entanto, propõe meios tão nocivos e é guiado por um ideal tão questionável que, se passar e pegar, deve causar mais mal do que bem.” JOEL PINHEIRO DA FONSECA, 31, economista e mestre em filosofia.

Ele propõe duas medidas práticas: a primeira é colar um cartaz em todas as salas de aulas do país com os "deveres do professor", uma lista de seis itens bastante genéricos, como a proibição de promover suas próprias opiniões e preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas ou partidárias. Por si só, um cartaz não é grande coisa. Mas ele adquire uma conotação de ameaça ao ser acompanhado do segundo ponto: todas as secretarias de educação devem estabelecer um canal de comunicação para receber denúncias anônimas contra professores que violarem seus deveres; denúncias que, por sua vez, deverão ser encaminhadas ao Ministério Público.

Em outras palavras: dá-se a todos os estudantes (e a seus pais, cujas convicções também devem ser preservadas) uma arma a ser usada contra qualquer professor que lhes desagrade. Foi mal na prova de história? O professor não aceitou a resposta do aluno? Oportunidade perfeita para denunciar um ato terrível de doutrinação.” Mais adiante ela continua... Leiam com ATENÇÃO!

SEM LIMITES

Não há limite para o que a lei poderá ser usada para coibir: ensino da teoria da evolução, educação sexual, discussão de gênero, toda e qualquer interpretação histórica etc. Na prática, todo conteúdo curricular virará objeto de cabo de guerra entre diversas militâncias organizadas, com o professor no meio, sem nenhuma autonomia. Vai acabar com a doutrinação? Talvez. O certo é que acabará com a própria possibilidade de uma aula enriquecedora e minará ainda mais a relação entre professores e alunos.

A oposição que a esquerda –representada, por exemplo, pelos sindicatos de professores– tem feito ao Escola sem Partido chega a ser pior do que sua defesa. Defender-se das intenções do projeto alegando que "toda fala ou ato humano são inerentemente carregados de intenções –portanto, são atos políticos" (conforme a moção de repúdio publicada por entidades do setor) é aceitar como inevitável e até desejável a doutrinação em sala. É ser incapaz de distinguir entre uma aula séria e panfletagem de quinta categoria. Há professores lutando justamente para preservar seu direito de fazer a cabeça dos alunos pela causa que eles consideram certa.

Nesse debate, entram diferentes concepções do que é a educação e de qual sua finalidade na vida do estudante. Para uma, que podemos chamar de esquerda, o papel da educação é mostrar que vivemos em um sistema injusto e atiçar os jovens a lutarem pelos direitos que lhes são privados. Para outra, de direita, a educação serve para reforçar os valores tradicionais ou religiosos passados de geração em geração e, caso se veja ameaçada pelo sistema de ensino, deve-se lutar para amordaçá-lo.

Para uma terceira vertente, que podemos chamar de liberal (em sentido ético, não econômico), educar é dar ao jovem as ferramentas necessárias para formar suas próprias crenças e convicções, formar seus critérios, ensinando-o a pensar por conta própria. Apenas para essa concepção faz sentido a distinção entre educar e doutrinar. E é justamente ela que ficará seriamente comprometida se o Escola sem Partido vingar.

A concepção de ensino neutro que o projeto pinta como ideal é vaga e mal formulada. É impossível que um professor dedique, por exemplo, igual profundidade a diferentes teorias e leituras da história. A ideia de que o ensino não deve ofender a sensibilidade moral de nenhum aluno (ou, mais ainda, de pais de alunos) é, ademais, incompatível com uma aula dada em sala de aula plural e com dezenas de alunos. Sempre há alguém que se sentirá ofendido e isso não é necessariamente ruim.

IMPOSSIBILIDADE

A neutralidade plena pretendida pelo Escola sem Partido é impossível, e por isso todo professor terá o flanco aberto a ataques. Cada professor reflete, em sala, a formação que teve e os autores de sua preferência. Não é possível cobrir todas as diferentes escolas de pensamento em sala, e a escolha de mostrar uma ou duas consideradas mais relevantes já carrega consigo uma dose de viés pessoal. A questão é se isso será feito com mais ou menos honestidade, se apresentará argumentos, se fará referência a outras abordagens sem demonizá-las e se abrirá espaço para questionamentos dos alunos, incentivando seu crescimento intelectual, ou se será panfletário e enviesado.

Não vamos jamais conseguir legislar a melhora do ensino. O problema de viés de esquerda existe e uma de suas causas está nos cursos de pedagogia e licenciatura, que precisam ser urgentemente reformulados para que percam menos tempo com teorias abstratas e militância política e ensinem o futuro professor a lidar com uma sala de aula real. Só teremos um ensino mais plural com entrada de professores com visões diferentes, e não com a censura à discussão, que é, na verdade, o fim da possibilidade do ensino.

Há que se considerar, por fim, a relevância do projeto. Em primeiro lugar porque, hoje em dia, com internet e smartphones, o poder do professor em sala –que nunca foi tanto quanto pintam os defensores do Escola sem Partido– está menor do que nunca. Aulas são filmadas e divulgadas na rede, afirmações são imediatamente contestadas com uma breve consulta on-line. O Escola sem Partido nasce obsoleto. Questionar um professor e encontrar referências fora da sala de aula nunca foi tão fácil. Em vez de tentar legislar a melhora do ensino –tentativa fadada ao fracasso– deveríamos nos preocupar em dar a ele mais ferramentas para fazer melhor seu trabalho, que, afinal, faz falta.

É impossível discutir esse tema no Brasil sem suspeitar que estamos focando a questão errada, gastando tempo demais com um problema que é, infelizmente, secundário. Pois o fato mais grave do ensino básico no Brasil não é seu viés ideológico, e sim sua incapacidade de ensinar os conteúdos elementares.

Jovens terminam o ensino médio sem conseguir compreender um texto minimamente complexo ou calcular frações. O grande problema da educação no Brasil não é que jovens leiam muito Marx na escola, é que saiam da escola sem saber ler. Ao colocar uma corda no pescoço de todos os professores e fazer dessa carreira algo ainda mais estressante e menos atrativo, corre-se o sério risco de prejudicar nosso sistema educacional como um todo. O que já não é bom ainda pode piorar.” - JOEL PINHEIRO DA FONSECA, 31, economista e mestre em filosofia

Portanto, SOMOS TOTALMENTE CONTRA A ESCOLA SEM PARTIDO!

Precisamos nos UNIRMOS de FORMA COSNCENTE e DEMOCRÁTICA para barrarmos esses tipos de projetos. Portanto não temos o que COMEMORARMOS e sim é preciso URGENTEMENTE LUTAR para que seja preservado as conquistas de anos de luta e buscarmos amplia-las, é isso que temos que fazer.

Abraço a todos os estudantes guerreiros/as. Um forte abraço e cheio de AXÉ! A LUTA JUVENTUDE!!!

Eduardo Vasconcelos – Presidente do Centro Potiguar de Cultura – CPC/RN - Radialista – Ativista e Blogueiro.