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quinta-feira, 14 de junho de 2018

GOLPE AVANÇA SOBRE OS POVOS TRADICIONAIS


Ao negar bolsa-permanência aos estudantes indígenas e quilombolas, Governo Temer nega acesso dos povos tradicionais às Universidades.
O Golpe avança cada vez mais feroz sob os Povos e Comunidades Tradicionais. Os reflexos da Emenda Constitucional do Teto de Gastos (EC 95), que congela os investimentos na educação por 20 anos, já atingem milhares de indígenas e quilombolas presentes nas universidades e institutos federais do país.
O desgoverno de Temer interrompeu o Programa Bolsa-Permanência (PBP), negando a disponibilidade de novas bolsas como garantia de permanência de aproximadamente 2.500 estudantes em 2018 nas Universidades brasileiras. O PBP foi criado em 2013 e, de acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), desde sua criação, o programa atendeu 7.370 indígenas e 2.666 quilombolas. Segundo dados da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e inclusão (SECADI) do MEC só no primeiro semestre deste ano são 2.500 novos estudantes para acessarem o Programa e fazendo uma projeção até o final de 2018 a demanda aumentará para cerca de 5.000 estudantes.
No dia 29 de maio, em resposta às manifestações dos estudantes e de suas comunidades, o Ministro Rossieli Soares da Silva lançou uma proposta absurda para solucionar a questão. Em reunião com cerca de 20 estudantes indígenas e quilombolas vindos das cinco regiões do Brasil, o desgoverno disponibilizou apenas 800 bolsas para atender a demanda de 5.000 estudantes, alegando que há um rombo de quase 11 milhões no PBP. Além disso, o Ministro sugeriu que a formação de uma comissão de estudantes indígenas e quilombolas para formular os critérios de divisão das 800 bolsas. Em contrapartida, esse mesmo desgoverno disponibiliza reajuste de 3% no auxílio alimentação e no auxílio pré-escola para juízes e procuradores que individualmente, custam cerca de 28.000 mil mensais aos cofres públicos.
Sabemos que o Golpe tem golpeado com mais força alguns grupos sociais e a juventude é um dos mais atingidos.  Enquanto movimento que luta por um projeto popular para juventude, o Levante compreende que a perda do direito dos estudantes indígenas e quilombolas acessarem e permanecerem estudando é mais um ataque do Governo Temer aos jovens. A proposta do Ministro da Educação, por  é uma estratégia para jogar uns contra os outros, incentivar o privilégio, o individualismo e destruir a existência, que é coletiva, de cada um desses sujeitos. Com essa atitude, o Governo Golpista reafirma seu caráter racista e nega a dívida histórica que o país tem com os Povos Tradicionais, em mais de 500 anos de massacre físico e cultural.
O momento é de unidade e defesa das nossas conquistas. Lutar por permanência é lutar por um Projeto Popular para a Educação. Queremos uma Universidade de todos os Povos. Essa é uma luta de todas e todos!
BOLSA FICA, TEMER SAI!
Levante Popular da Juventude

Estudantes da UFSCar conquistam suspensão de reajuste do RU

Estudantes da UFSCar conquistam suspensão de reajuste do RU

Após 36 dias de ocupação e mobilização, os estudantes do UFSCar  (Universidade Federal de São Carlos)  conquistaram uma vitória histórica: o reajuste do valor do restaurante universitário - que chegou a 122% - foi suspenso temporariamente.

A mobilização intensa dos estudantes pressionou à realização de uma reunião extraordinária do Conselho Universitário para tratar sobre o reajuste. Após muitos debates, foi decidido que durante dois meses o valor voltará a ser de R$ 1,80, até que uma comissão  - com representantes da direção, professores e estudantes - defina o novo valor
Também foi apresentada uma segunda proposta, que mantinha o valor de R$ 1,80 apenas para o bolsistas  - sendo que os demais estudantes pagariam R$ 2,50 por refeição no bandejão. Porém, essa sugestão obteve apenas 16 votos, contra 31 da primeira.

João Modesto, estudante de Geografia da UFSCar, membro do DCE Livre e diretor regional de Sorocaba da UEE-SP, a revogação do aumento só aconteceu por conta da perseverança dos estudantes por mais de um mês ocupando diversos prédios do campus de Sorocaba e até mesmo a reitoria, no campus de São Carlos, sofrendo com  truculência e intimidação durante a reintegração de posse pela Polícia.

"Além da falta de diálogo ao decidirem pelo reajuste, durante a nossa manifestação contrária ao aumento, a direção ainda tenta criminalizar a mobilização estudantil, processando sete estudantes que participaram da ocupação", conta João.

Para o estudante, a revogação é comemorada e todo orçamento será avaliado ponto a ponto nos próximos dias para chegar a um reajuste que não prejudique os estudantes. Para o DCE LIVRE da UFSCar, a transparência das contas da universitária é o ideal para que se chegue a um consenso. " Uma coisa é certa, não aceitaremos os R$ 4,00 como novo valor".

Para Ergon Cugler, diretor de universidades públicas da UEE-SP,  a luta dos estudantes da UFSCar foi poderosa para combater a evasão universitária que é aumentada em momentos de crise econômica.  Cada estudante que deixa de se formar é um desperdício de investimento, de energia da juventude e aponta para uma falta de perspectiva e frustação por não conseguir concluir a graduação.

"Para o movimento estudantil paulista, a permanência deve ser encarada para muito além de um privilégio ou benefício, mas como direito. Pois somente popularizando cada vez mais a universidade e garantindo acesso aos diversos setores sociais, podemos profundamente transformar a sociedade", avalia Ergon.

Fonte: UEE/SP

segunda-feira, 11 de junho de 2018

#SaúdeMental: Racismo não é “mi mi mi”!

algumas semancanal. As ofensas criticavam o cabelo e a cor de pele da pequena. Há um mês, bilhetes racistas foram encontrados no banheiro da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Preconceito racial afeta o psicológico e vida acadêmica de crianças e adolescentes;

Há algumas semanas, uma youtuber de 11 anos sofreu ataques em seu canal. As ofensas criticavam o cabelo e a cor de pele da pequena. Há um mês, bilhetes racistas foram encontrados no banheiro da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Para o psicólogo e professor Paulo Vitor Palma Navasconi, casos individuais jamais podem ser tratados como exceções. São apenas alguns sintomas mais visíveis de relações sociais que fazem mal à saúde mental da população negra todos os dias.
“No Brasil, o preconceito racial pode ser transposto e exemplificado como um fantasma: ninguém o vê, mas ele existe”, afirma o doutorando em Psicologia.
Em entrevista ao site da UBES, o especialista explica como este “fantasma” promove sofrimento psíquico desde a idade escolar. Mas também como o próprio ambiente da escola pode contribuir para melhorar estas relações raciais que trazem sofrimento.
O fundamental, ele diz, é compreender as relações raciais como uma estrutura que organiza nossas relações sociais, culturais, econômicas, políticas e educacionais:
“Quando falamos sobre racismo, estamos falando de uma estrutura de poder que irá hierarquizar vidas, subjetividades e delegará quais vidas importam e quais vidas não importam. Que irá hierarquizar o que é belo e o que não é belo”.

Paulo Vitor Palma Navasconi é doutorando em Psicologia e Professor Universitário na FCV (Faculdade Cidade Verde), em Maringá, Paraná.

Dedica-se a estudos relacionados à raça, gênero e genocídio da população negra.

Desenvolvimento pedagógico prejudicado

Navasconi pontua que, além das diferenças socioeconômicas, o baixo desempenho dos alunos negros (veja dados aqui) se deve às práticas discriminatórias na escola, muitas vezes veladas: “Há uma estrutura de poder que legitima e corrobora para as desigualdades sociais, raciais e de gênero”.
Para ele, outro fator que contribui para que o negro sinta-se inferiorizado é o conteúdo das aulas, principalmente de história. Atualmente, quando se fala da história africana e de seus descendentes, é abordado o período escravocrata, mas nunca rompendo com a lógica racista nem ressaltando pontos positivos da identidade negra.

O psicólogo afirma que o racismo afeta o desenvolvimento interpessoal e intelectual de crianças e adolescentes negros. Há uma dificuldade em se aceitar, além do silenciamento dessas crianças, que têm que lidar com a situação como algo que faz parte de sua “condição”, aumentando o sofrimento. “Como não se odiar diante de um contexto tão cruel?”, questiona.

O papel da escola na luta contra o racismo

Como professor, Paulo Navasconi diz ser fundamental alertar e mobilizar o âmbito acadêmico para que sejam asseguradas a equidade e a igualdade étnico-racial desde a infância.
É de extrema importância que as escolas trabalhem as questões étnico-raciais, dando foco nas lutas, conquistas, avanços e contribuições que a população negra fizeram e fazem para a história.
As instituições de ensino são reguladas pela Lei 10.639/ 2003, que institui a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira em sua grade curricular, mas o psicólogo e professor sinaliza que ainda há muito a ser feito:
“A negritude é lembrada nos espaços escolares apenas no Dia Da Consciência Negra. Uma questão prática, mas pouco divulgada, é que os pais podem e devem se informar acerca de como esse trabalho é realizado nas escolas de seus filhos, a fim de possibilitar cada vez mais a efetivação de uma educação antirracista”.
A UBES defende a efetivação imediata da Lei 10.639/ 2003! “A escola, como instituição do saber, principalmente nas séries iniciais, deve estabelecer e manter o diálogo com seus professores e alunos sobre todos os tipos de preconceito”, diz Bruna Santos, Diretora de Movimentos Sociais da UBES (leia depoimento abaixo).

Como os adultos podem ajudar?

Crianças e adolescentes que passam pelo preconceito racial tendem a ter uma queda em seu rendimento escolar, não ter mais vontade ir à escola, entre outros sinais que requerem observação de um adulto próximo.
O profissional alerta: “É fundamental que pais, responsáveis e educadores fiquem atentos a mudanças no comportamento e também marcas no corpo dessa criança. Muitas delas são agredidas na escola ou, até mesmo, passam a se agredir por estarem vivenciando discriminação racial”.
Dificuldade de se relacionar em grupo, de se expressar criativamente nas brincadeiras e rompantes de agressividade sem motivo aparente são também sintomas que merecem atenção da família, da escola e dos profissionais de psicologia.
“Outro fator fundamental que cabe à sociedade como um todo, mas aqui sinalizo a instituição de ensino, é o papel que ela possui de tensionar a lógica racista. Acredito que fortalecer a identidade dessa criança e intervir junto à escola e família é um caminho frutífero para uma condição psíquica mais empoderada a respeito de si mesma e na relação com os outros”, destaca Navasconi.

“Carvãozinho, cabelo de Bombril, macaca, negrinha. Era dessa forma que se referiam a mim na rua e na escola”

Depoimento da Diretora de Movimentos Sociais da UBES, Bruna Santos
Bruna Santos tem 18 anos e é estudante de pré-vestibular.
Carvãozinho, cabelo de Bombril, macaca, negrinha. Era dessa forma que se referiam a mim na rua e principalmente na escola. Apelidos que na infância não conseguia associar como práticas preconceituosas, até porque, infelizmente, em muitas escolas o racismo não é abordado e discutido.
Talvez, por esse motivo, me culpasse por ser diferente das outras pessoas. A pele diferente sempre era a minha, o cabelo diferente sempre era o meu, e não tinha ninguém para me falar que eu era normal igual aos outros, mesmo eu sendo a única criança negra na minha turma.
Meus pais, por falta de informação, não podiam amparar minhas angústias porque eles também sentiam a mesma coisa, eles também eram vítimas! Apenas sofriam junto comigo. Hoje, como militante de Movimento Estudantil e mulher negra, tento através do diálogo e ações empoderar outras pessoas que sofreram e que sofrem a mesma dor e o desamparo que sofri.
A escola, como instituição do saber, principalmente nas séries iniciais, deve estabelecer e manter o diálogo com seus professores e estudantes sobre todos os tipos de preconceito, semeando a prática do respeito ao próximo. Começando pela releitura dos livros didáticos e a forma que suas informações são transmitidas.
Desconstruir a ideia de que a população negra veio para o Brasil, citar a resistência, a luta, as conquistas e a importância desses povos para a formação social e cultural do nosso país é fundamental.
É preciso apontar os desafios que nós ainda somos submetidos a enfrentar diariamente com uma sociedade racista que nos oprime e nos mata diariamente por causa da cor da nossa pele.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

5 motivos porque a UNE é contra a intervenção militar

Entenda ponto a ponto os motivos da entidade rechaçar um governo de militares no país

A ideia de que uma intervenção militar poderia trazer melhorias para o país e acabar com qualquer vestígio de corrupção tem corrido solta por aí. Pedidos de retorno dos militares assustam aqueles que entendem o significado de tortura e cerceamento das liberdades.
Desde a sua criação, a União Nacional dos Estudantes tem lutado pela democracia. Mobilizada e contestadora, a UNE foi o primeiro alvo da ditadura militar que ao tomar o poder em 1964 metralhou, invadiu e incendiou sua sede, na Praia do Flamengo 132, na noite de 30 de março para 1º de Abril. Logo após o regime retirou legalmente a representatividade da entidade, que passou a atuar na legalidade.
Mesmo com diversos percalços os estudantes sempre estiveram do lado certo da história: do lado da liberdade política, da livre manifestação do pensamento e da luta por direitos iguais para todos e todas no Brasil.
Separamos cinco pontos para você entender ainda mais porque a UNE é contra a intervenção. Confira:

INTERVENÇÃO É DITADURA

Uma intervenção militar no país não seria neutra politicamente. O exército não é uma instituição neutra. Como a história nos ensina, uma intervenção viria acompanhada de supressão de direitos e censuras.

INTERVENÇÃO NÃO ACABA COM A CORRUPÇÃO

O problema da corrupção existe dentro de qualquer governo, seja ele democrático ou autoritário. Por isso, resolver tais problemas dentro de uma democracia, sem a remoção de liberdades e direitos fundamentais é mais eficiente e transparente para todos e todas. Numa ditadura militar não haveria espaço para questionamentos de qualquer espécie.

RESPEITO AO VOTO

Numa democracia os votos dos cidadãos e cidadãs valem muito. Votar e escolher o seu representante é parte fundamental para mudar os rumos do país. É o poder de escolha nas mãos do povo.

RESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS

Em 2014, depois de dois anos e sete meses de trabalho, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou em seu relatório 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar no país. Entre essas pessoas, 210 são desaparecidas. Igualmente, o relatório da Comissão da Verdade da UNE listou a morte e o desaparecimento de 85 estudantes, entre eles o presidente da entidade Honestino Guimarães, Helenira Rezende e Alexandre Vannuchi Leme. Relatos de torturas e agressões também estão presentes. Rechaçar a intervenção é respeitar o direito à vida.

ISOLAMENTO ECONÔMICO

A Organização das Nações Unidas (ONU), através do Fundo de Democracia das Nações Unidas (UNDEF) e do Conselho de Segurança repudia publicamente atitudes anti-democráticas ou ditatoriais, o que poderia isolar o Brasil internacionalmente e trazendo consequências devastadoras para a economia.
Fonte: UNE

Para estudantes, preço do combustível é questão de soberania


Jovens foram às ruas pedir outra política de preços e, como nos anos 1940, Petrobrás soberana: “O petróleo do Brasil deve servir ao nosso povo”.

Para contornar reivindicação de caminhoneiros que paralisaram o Brasil na última semana, o governo Temer isentou alguns impostos do diesel dos condutores por 60 dias. A juventude e os movimentos sociais foram às ruas nesta sexta (30/5) para dizer que esta não é a solução.

Em discursos acompanhados por milhares de pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, lideranças lembraram que o aumento de preço do gás de cozinha e da gasolina também prejudica a população e que o caminho é mudar a política da Petrobrás adotada pelo atual presidente da empresa, Pedro Parente. “Fora Parente” foi a principal palavra de ordem.

Organizado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, o Dia Nacional de Luta Pela Redução do Preço do Gás e Combustível se somou a uma greve dos petroleiros de 72 horas e teve atos da juventude por todo o Brasil. (veja fotos)

O que os estudantes têm a ver com isso?
Em discurso na avenida Paulista, o presidente da UBES Pedro Gorki lembrou que a juventude defende a Petrobrás desde que ela foi criada. A própria criação da estatal é uma conquista da década de 1940, graças à campanha “O Petróleo É Nosso”. Nos últimos anos, os jovens lutaram também pelos royalties do pré-sal para a educação e saúde:
“Nossa defesa é da Petrobrás e do petróleo para o povo brasileiro. Por uma política nacional para os preços do petróleo, contra a privatização e principalmente pela soberania estratégica do nosso país”.
Pedro Gorki, presidente da UBES, na av. Paulista, repudiou pedidos por intervenção militar (Foto: Vangli Figueiredo/ CIRCUS da UBES)

Gorki também fez questão de dizer que intervenção militar jamais será uma alternativa para os problemas: “O problema do petróleo, o problema da corrupção, o problema do estado brasileiro se resolve com mais participação popular”.

“Cadê os royalties do pré-sal para a educação que nós aprovamos?”, perguntou Marianna Dias, presidenta da UNE. “Pela primeira vez o Brasil conseguiu que suas riquezas fossem revertidas em direitos, e os golpistas tentam nos impedir. A Petrobrás precisa estar à serviço do povo”, afirmou ela.

Pedro Gorki e Marianna Dias, da UNE: “Cadê os royalties do pré-sal para a educação?” (Foto: Karla Boughoff/ CUCA da UNE)

Por que os combustíveis estão caros?


Julho de 2017: Pedro Parente, presidente da Petrobrás escolhido por Temer, anuncia que preços da Petrobrás devem variar conforme mercado internacional. A direção da empresa afirmou: “Isso permitirá maior aderência dos preços do mercado doméstico ao mercado internacional no curto prazo e possibilitará a companhia competir de maneira mais ágil e eficiente”. O problema foi quando o preço do combustível aumentou, mas a população brasileira não recebe em dólar.
Além disso, os petroleiros que entraram em greve de 72 horas nesta sexta afirmam que a Petrobrás tem produzido apenas 70% da sua capacidade e importado 30% de gasolina, principalmente dos Estados Unidos. Desde maio eles vêm criticando a gestão da Petrobrás. Entre as reivindicações, pedem o fim das importações de combustíveis e derivados de petróleo, a saída de Pedro Paren te da presidência e que não sejam vendidas quatro refinarias da estatal. (Saiba mais).

“O petroleiro sabe que essa política de alinhamento de preços do diesel, da gasolina e do gás de cozinha ao preço internacional é bom para uma empresa capitalista, mas é ruim para o povo brasileiro”, diz Simão Zanardi, da FUP (Federação Única dos Petroleiros).
Foto destaque: Vangli Figueiredo/ CIRCUS da UBES
Fonte: UBES

Se o Sieeesp não assinar, os professores vão parar

A assembleia aprovou proposta negociada com o Sieeesp
e não aceita recuo do sindicato patronal

Numa assembleia histórica realizada no SinproSP, dia 29/05, mais de 3 mil professores aprovaram proposta que prevê a manutenção de todas as cláusulas da Convenção Coletiva por um ano, reajuste de 3% e participação nos lucros ou resultados de 15%.
Esta é a proposta negociada e é a proposta que tem que ser assinada. É inaceitável que o Sieeesp venha a público dizer inverdades, desqualificar o processo de negociação e tomar decisões antes mesmo de ouvir a sua assembleia.
Por este motivo, mais do que nunca é fundamental manter a mobilização, reforçar o estado de greve e ampliar a participação na próxima assembleia no SinproSP, dia 06, às 18h.
Na terça-feira, dia 05, será realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) uma audiência do nosso dissídio coletivo. Por isso, o SinproSP está convocando os professores para se reunirem num ato de protesto contra o Sieeesp na frente do TRT, às 13h.

Fonte: SINPRO SP

domingo, 27 de maio de 2018

2º ENUEESP sintetiza urgências e lutas da população negra

2º ENUEESP sintetiza urgências e lutas da população negra

Um grande encontro de jovens estudantes, negros e negras, dispondo de muita energia e força para lutar contra o racismo na sociedade e na universidade. Foi assim o 2º ENUEESP, que levou centenas de pessoas para Araras, no interior de SP., nesse último final de semana, entre os dias 18 e 20 de maio. Somado a isso, o local escolhido para sediá-lo traduz a resistência a que se propôs o evento.O Sítio Quilombo Anastácia foi constituído como um assentamento rural na cidade desde os anos 70. No local também co- existe o terreiro Ilê Axé Yansã.

O debate que abriu oficialmente o Encontro, trouxe à tona o tema "O Negro e Negra no Projeto Nacional", com a participação na mesa de Rafael Pinto,  ogan Pejigan do local , coordenador Estadual do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira-Cenarab/Conen e Danilo Morais, sociólogo e professor da UniAraras.

Consenso no debate, ser um negro e universitário é revolucionário e a universidade como centro do projeto nacional deve valorizar a história, autores e intelectuais negros. 

"O projeto nacional deve levar em conta a maioria da população e os negros são a maioria. Não é o que acontece, nem nunca aconteceu. A questão racial é central no país e tem relação direta com a luta de classes. Para pôr fim a esse processo desigual no país, é preciso se organizar coletivamente. Ascensão individual não funciona para transformar. E encontros como esse são como universidades na produção de conhecimento",  disse Rafael.

Para Danilo a saída para colocar o negro em destaque nas políticas sociais e econômicas requerem teoria. "Não há prática revolucionária, sem teoria revolucionária. Mas não vai surgir um teórico e apontar as saídas! Essas ideais vêm da base e responder à questão de como construir uma movimento de resistência e emancipação dos negros", avaliou o sociólogo.

GRUPOS DEBATES E DE TRABALHO

Pela tarde, diversas painéis simultâneos de debates rolaram no local.  Cultura, desafios e permanência e racismo religioso organizaram uma linha de ação  dentro dos temas, e os debates sobre segurança pública, mulheres negras,lgbts, saúde e trabalho trouxeram grandes contribuições para a atual conjuntura.

O painel sobre racismo religioso trouxe o fotógrafo Roger Cipó, que falou sobre a  intolerância às religiões de matrizes africanas. " Não se trata de um preconceito contra uma ideia, um conceito religioso, é uma aversão, uma violência a tudo que vem de uma gênese negra.  O candomblé é marginalizado e invisibilizado, porque nasce do protagonismo de negros e negras. É necessário fomentar esse debate em locais de produção de conhecimento, como a universidade, para também recriar as narrativas, avaliou Roger.

No debate sobre mulheres, que lotou o espaço, Priscila Santos, especialista em políticas públicas em gênero e raça, falou sobre a luta das negras é muito anterior ao nome " feminismo"."Nas organizações de resistência, os quilombos, as mulheres já rompiam  desigualdades de gênero e o patriarcado".

Para Maria das Neves, coordenadora da UBM, é preciso assegurar que o projeto antipopular do atual governo não continue no poder. " Nós somos resistência. Mulheres, não tenham medo de serem negras e devemos derrotar essas estruturas  que colocam a mulher em um segundo plano."

 Marcos Paulo Silva, diretor de combate ao Racismo da UEE-SP, avaliou que o encontro da entidade trouxe as experiências de cada um na universidade e diálogo com as experiências históricas de resistências. "Conseguimos ressignificar muitos dos nossos símbolos históricos, e entendemos quais os nossos desafios para o próximo período e, assim, organizar uma rede de estudantes, coletivos e iniciativas negras para fortalecer nossa intervenção política  e nos manter forte para acabar com o racismo e a exclusão da população negra".

No final do segundo dia foi lido um documento que sintetiza os diversos debates e apontamentos realizados durante o encontro foi lido. Esse documento traz diversas reivindicações e ações que devem nortear a luta dos estudantes no próximo período.

A deputada estadual Leci Brandão  acompanhou a leitura do documento. "Esse é o momento da juventude negra colocar em prática o que foi discutido no evento.Que seja feito algo para acabar com esse racismo na sociedade, que mata e exclui os negros. Estou cansada do que foi feito lá atrás", avaliou a deputada.

A UEE-SP divulgará o documento na íntegra aprovado nos próximos dias nas redes e no site, e detalhes  sobre as rodas simultâneas.

Programação Cultural

Durante os dias o Encontro contou com apresentações culturais. No sábado, dia 19.05, o Samba do Pé Vermêio botou todo mundo para dançar em uma apresentação contagiante.
Fechando o  evento a cantora Bia Ferreira, trouxe toda sua resistência em voz e violão e a slammer Kimani fez sua poesia emocionar e levantar a galera.

Para acrescentar, Leci cantou em uma roda de samba no improviso, que surpreendeu a todos.

No sábado também aconteceu o lançamento do livro "Frantz Fanon - um revolucionário particularmente negro", do escrito Deivison Faustino.
O autor, que é professor de UNIFESP e doutor em sociologia, fez uma verdadeira aula sobre o psiquiatra e filósofo, com uma didática diferente, que prendeu a atenção de todos os participantes.

Em entrevista à UEE-SP, Deivison, ele explica que a obra traz a biografia do autor e comenta seus textos, livros e reflexões. " Até hoje não existe no Brasil um livro sobre suas contribuições. Os processos revolucionários precisam de um entendimento de que mundo estamos, para pensar em rupturas possíveis. O que acontece que muitas teorias ignoram o racismo e a contribuição de intelectuais e pensadores negros e impactam a leitura da realidade. Fanon faz essa provocação de que não há como entender o capitalismo, sem olhar para o racismo". 

Fonte: UNE

Greve estudantil na UFMT continua apesar de suspensão do aumento do RU

Estudantes querem garantir que valor da refeição no próximo ano não seja abusivo
Os estudantes da a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) permanecem em greve e com o calendário de aulas suspenso. Em mobilização unida 4 campus estão paralisados desde Abril contra a tentativa de aumento em 5 vezes mais no preço do Restaurante Universitário. No último dia 15 de Maio a Reitoria da instituição suspendeu o reajuste – de R$1 para R$5 –  no valor do RU até dezembro de 2018, uma grande vitória para o movimento estudantil. “Apesar suspensão até Dezembro nós estudantes precisamos de garantias para um grupo de trabalho que possa construir a nova política a partir de 2019”, destacou Juarez Franco, estudante de História e representante do DCE do campus da capital.
Os estudantes estão tentando entrar em um acordo sobre como será o diálogo da construção de uma nova política dentro da comissão. Como, por exemplo, quem vai compor a comissão, se vai partir do Consuni (Conselho Universitário) ou não. Nesta quinta-feira (24/05) aconteceu uma primeira discussão em conjunto com a reitora e todos os campi paralisados em greve por videoconferência. Sem acordo ainda, uma nova reunião foi marcada para terça-feira (29/5). “A partir daí vamos tomar uma posicionamento de sair da greve. Precisamos conseguir garantir que a nova política não seja novamente em 2019 aplicada com um valor que não condiz com a nossa realidade, então queremos uma comissão bem estruturada que tenha condições de elaborar uma política que consiga manter o RU a R$1 ou pelo menos com um preço de acordo com os estudantes da UFMT”, explicou Juarez.
Para os estudantes a questão não é apenas sobre o aumento das refeições, mas também uma luta contra o desmonte da educação pública e por assistência estudantil. O RU é uma das principais políticas de assistência e permanência na UFMT.
Fonte: UNE

UNE Volante debate desigualdade, violência e bolsa família na UFRJ

 por Alexandre de Melo.
Debatedores acreditam que as áreas mais afetadas pelo golpe como áreas sociais são importantes para combate a pobreza
Nesta quinta-feira (24), a UNE Volante promoveu o debate “Desigualdade Social no Brasil” no Teatro de Arena da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Participaram do debate Jessy Dayane, Vice-presidente da UNE, Valéria Pero, professora do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisadora da área de desigualdade e João Felippe Cury, professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do projeto de extensão “Desigualdade de Renda e Pobreza”.
Professores João Felippe e Valéria Pero da UFRJ. Crédito: Bárbara Marreiros
A desigualdade diminuiu no Brasil. No entanto, temos um problema nas pesquisas domiciliares que subestimam a riqueza total já que não são mensuradas as residências dos mais ricos. O 1% da população mais rica do Brasil segue extremamente rica de forma estável. Os bens públicos de saúde e educação são muito importantes para o combate das desigualdades”, afirma João Felippe.
Já Valéria Pero focou sua fala em dois fatores: a desigualdade de oportunidade e desigualdade no mercado de trabalho. “O investimento que a família faz ou deixa de fazer é determinante para as melhores oportunidades. Já a desigualdade no mercado é causada por uma série de preconceitos salariais. Estou falando do trabalhador que produz a mesma coisa que os demais, mas ganha menos. Por exemplo, a discriminação de gênero quando mulheres ganham menos que homens e a discriminação racial quando negros ganham menos que brancos, entre outros”, afirmou.
A professora da UFRJ também comentou os motivos da queda das desigualdades nos últimos anos. “A desigualdade social no Brasil diminuiu devido aos programas de transferência governamentais de renda como o Bolsa Família, a diminuição da diferença dos salários por aumento da capacitação e os reajustes do salário mínimo, mas ainda temos muito que melhorar”.
Sobre a diminuição das desigualdades no Brasil, Jessy Dayane comenta sua história pessoal como cotista oriunda de família humilde. Crédito: Bárbara Marreiros


VIOLÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

O tema central do debate foi desigualdade, mas não deixou de abordar o tema violência, especialmente pelo momento que a Universidade vem enfrentando. Na última semana foram registrados dois casos de sequestro-relâmpago na UFRJ. Há dois anos o estudante Diego Vieira Machado foi morto e o crime até hoje não foi solucionado.
“A gente precisa de dados robustos para realmente fazer uma correlação ou pensar a causalidade entre desigualdade e violência. Em grande parte ficamos no senso comum imaginando que uma pessoa sem emprego e condições de sobrevivência acaba indo para o crime, mas isso está longe de ser uma regra e realmente não há uma resposta simples para isso, mesmo entre os maiores especialistas de segurança”, disse João Felippe. 
Jessy Dayanne comentou que a Universidade pública está mais democrática por conta da política de cotas implementadas nos últimos anos. Porém, referente as desigualdades de renda, não houve reforma tributária que mexesse com a fortuna dos mais ricos e o golpe inviabiliza um projeto político que pense um plano de desenvolvimento no Brasil.
“A democratização da política também diminui as desigualdades. O sistema político brasileiro é dominados pelo sistema financeiro e pelos mesmos homens brancos e ricos. Precisamos de maior participação popular. Quase não usamos plebiscitos no Brasil. Ninguém ganhou a campanha dizendo que faria reforma trabalhista e que venderia a Petrobras. As decisões precisam passar pela participação popular e que a gente determine o que faremos com nossas riquezas e para onde vamos encaminhar nossas pesquisas. Nós precisamos debater e determinar o país que queremos”, finaliza Jessy.
Os estudantes de economia fizeram intervenções e perguntas sobre equidade de salários, participação da universidade no combate as desigualdades, modelo mais justo de reforma da previdência, a relação entre a geração de emprego e desigualdades e papel emponderado das mulheres que recebem o Bolsa Família.
“A relação entre bolsa família e gênero é muito interessante porque a maioria das famílias são chefiadas por mulheres. Esse empoderamento das mulheres no Bolsa Família é uma pesquisa muito interessante para que o tema seja aprofundado”, comentou Valéria. “O recurso do Bolsa Família na mão das mulheres garante autonomia das mães e, em muitos casos, muda paradigmas de violência contra a mulher”, disse Jessy..
Fonte: UNE

Falsificar carteira de estudante é crime e pode dar cadeia de até 5 anos

Desde 2013 o documento foi padronizado nacionalmente e está mais seguro 

A Polícia Civil de Pato de Minas, em Minas Gerais, desarticulou um esquema de falsificação do documento estudantil na semana passada (15/05) em que os investigadores acreditam que 24 mil carteiras estudantis adulteradas foram feitas para pessoas que estão fora de escolas e cursos.
Estamos em vigilância permanente. Buscamos junto ao Procon e ao Ministério Público combater os falsificadores e toda vez que temos alguma informação sobre isso adotamos as medidas legais para que sejam combatidos. É dever dos estudantes e do movimento estudantil combater os falsificadores de carteira, porque é o direito de toda uma categoria que é atacado”, destacou o tesoureiro da UNE, Ivo Braga sobre o assunto.
Comprar” uma carteira estudantil falsa pode até parecer um delito qualquer, mas é um crime grave.
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais quem usa um documento falsificado comete crime de falsidade ideológica ou uso de documento falso, e até mesmo de estelionato, pode ser presa em flagrante, com pena que varia de dois a cinco anos de prisãoJá quem vende documentos falsos pode responder por falsificação de documento público, com a mesma regra de punição.

O DIREITO NA MÃO DE QUEM TEM DIREITO

Desde 2013, quando a atual Lei da Meia-Entrada (Lei n. 12.933/93) foi promulgada, e concedeu à UNE e outras entidades estudantis a responsabilidade definir o padrão nacional da Carteira de Identificação Estudantil (CIE), a entidade buscou alternativas para que o documento seja seguro e confiável. Essas alternativas vão desde características físicas na CIE até a validação eletrônica do documento.
A Lei foi uma conquista importante, o primeiro diploma legal com validade nacional sobre esse assunto. Foi na prática a institucionalização do direito da meia-entrada, para que todos os estudantes do Brasil possam usufruir de seu direito a pagar 50% do ingresso de forma clara e transparente.
Até então vivíamos uma situação de completa desregulamentação, tínhamos as leis estaduais e a medida provisória 2208/2001 que permitia que qualquer carteira ou comprovante de matrícula emitido por qualquer entidade ou instituição de ensino em tese desse o direito à meia-entrada, no entanto o efeito foi justamento o inverso. Como qualquer papel poderia ser instrumento de obtenção do direito na prática o que aconteceu é que todo mundo comprava meia, a meia virou a inteira e a inteira o dobro. A nova Lei vem para reorganizar e devolver ao estudante o direito de pagar efetivamente 50% do valor cobrado”, explicou Ivo.

QUEM TEM DIREITO?

Todo estudante tem direito ao Documento do Estudante. Ele só precisa estar regularmente matriculado em uma destas modalidades de ensino: infantil, fundamental, médio e técnico, graduação, especialização, mestrado e doutorado, seja no ensino presencial ou a distância.

COMO SOLICITAR A MINHA?

A carteira com identificação padronizada pelas entidades estudantis, UNE, UBES e ANPG garante o direito a pagar meia em todo território nacional em eventos culturais e esportivos. O Documento pode ser adquirido por meio do site www.documentodoestudante.com.br
Fonte: UNE