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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

VII FINC Aluno do Campus Nova Cruz vence o VII Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa

A sétima edição do Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa – FINC – teve como tema SOU BRASILEIRO e ocorreu nos dias 25 e 26 de novembro, na paradisíaca praia de Baía Formosa, uma das mais belas do litoral norte-riograndense. 
O evento é uma realização da GREMI Film, The Sckaff Movie and Pictures e IFRN, com patrocínio da Cosern por meio da Lei Câmara Cascudo; Governo do Estado, Fundação José Augusto e Dragmor. O festival conta também com apoio da Universidade Potiguar – UnP e Band Nordeste.
Com o curta "Sabor da Nação", o aluno Diego Alves, do IFRN/Campus Nova Cruz, foi o grande vencedor. Como prêmio, Diego Alves participará e terá seu filme exibido em 2017 no Festival OFF CAMERA, em Cracóvia, na Polônia! Além disso, terá todas as despesas da viagem pagas (aéreo, hospedagem, alimentação, translado e visitas a pontos históricos e turísticos da Cracóvia) e participação no Festival.
Para assistir ao curta clique no link abaixo!
Fonte: IFRN

SELEÇÃO 2017 - Terminaram na segunda-feira (21) as inscrições para as 36 vagas em curso técnico em administração ( turno noturno)17:

As provas do processo seletivo serão realizadas no dia 11 de dezembro.
As inscrições para os editais Técnico Subsequente (Edital Nº 33/2016) terminaram na última segunda-feira, 21 de novembro.  Juntos os editais ofertaram 1278 vagas para cursos técnicos. As vagas para o técnico subsequente foram distribuídas em 13 campi do IFRN, sendo no Campus Nova Cruz 36 vagas para o curso técnico em Administração - turno noturno
Os cursos são voltados para alunos que já concluíram o ensino médio.  O ingresso nos cursos é para o primeiro semestre de 2017. O valor da taxa de inscrição foi é de R$20 e o pagamento do boleto foi até o dia 22 de novembro.
As provas para os dois processos seletivos serão realizadas no dia 11 de dezembro, às 8h, no local determinado no cartão de inscrição que estará disponível a partir do dia 02 de dezembro, no Portal do Candidato. No dia da aplicação os candidatos deverão comparecer com sua carteira de identidade (ou outro documento com foto), cartão de inscrição impresso e com uma caneta esferográfica preta. Em caso de perda ou roubo do documento de identificação e não existindo outro documento entre os previstos, o candidato deverá obrigatoriamente apresentar Boletim de Ocorrência Policial, no qual deverá constar a perda ou o extravio do documento, com prazo de emissão de no máximo de 30 dias consecutivos.
Os resultados serão publicados na página do IFRN, das questões objetivas no dia 20 de janeiro de 2017, da prova discursiva no dia 15 de fevereiro e o resultado final no dia 24 de fevereiro de 2016. Os candidatos aprovados nos cursos realizarão suas matriculas de 6 a 8 de março nos campi escolhidos na inscrição. 
Fonte: IFRN - Nova Cruz c/ adaptação pela ANE/RN, em 30/11/2016.

LISTA DOS 49 MUNICÍPIO DO RN QUE SERÃO CERTIFICADOS pelo Selo UNICEF Município Aprovado - Edição 2013-2016


Foram quatro anos de muito trabalho para garantir o direito a saúde, educação, proteção e participação social às crianças e adolescentes de centenas de municípios do Semiárido brasileiro. Foram 1.502 municípios convidados em 2013, dos quais 1.134 se inscreveram e 658 seguiram na iniciativa até 2016. E agora 308 municípios de 10 Estados são certificados com o Selo UNICEF Município Aprovado, um reconhecimento internacional aos municípios que mais avançaram na direção da direção da redução das desigualdades sociais e garantia dos direitos dos nossos meninos e meninas.

Acari – RN
Afonso Bezerra – RN
Alto do Rodrigues - RN
Antônio Martins – RN
Apodi – RN
Baía Formosa – RN
Bento Fernandes – RN
Brejinho – RN
Cerro Corá – RN
Coronel João Pessoa – RN
Currais Novos – RN
Doutor Severiano – RN
Parnamirim – RN
Extremoz – RN
Florânia – RN
Guamaré – RN
Ipueira – RN
Itaú – RN
Janduís – RN
Jucurutu – RN
Lajes – RN
Lucrécia – RN
Macaíba – RN
Major Sales – RN
Martins – RN
Messias Targino – RN
Nova Cruz – RN
Olho-d'Água do Borges – RN
Ouro Branco – RN
Parazinho – RN
Parelhas - RN
Rio do Fogo – RN
Passa e Fica – RN
Pau dos Ferros – RN
Portalegre – RN
Serra Caiada – RN
Riacho da Cruz – RN
Rodolfo Fernandes – RN
Santa Cruz – RN
Santana do Seridó – RN
São João do Sabugi – RN
São Paulo do Potengi – RN
São Tomé – RN
Severiano Melo – RN
Tenente Laurentino Cruz – RN
Timbaúba dos Batistas – RN
Venha-Ver – RN
Vera Cruz – RN
Viçosa – RN

Veja por Estados:

Alagoas: 10 Municípios
Bahia: 28 Municípios
Ceará: 82 Municípios
Espírito Santo: 08 Municípios
Minas Gerais: 16 Municípios
Paraíba: 32 Municípios
Pernambuco: 35 Municípios
Piauí: 40 Municípios
Rio Grande do Norte: 49 Município

Fonte: SELO UNICEF - Edição 2013/2016

SELO UNICEF: O que mudou nos municípios

O objetivo do Selo UNICEF Município Aprovado é contribuir para o fortalecimento da gestão municipal no cumprimento do seu papel constitucional, alcançando resultados por meio de políticas púbicas efetivas para promover a proteção integral da população de até 17 anos. Os 308 municípios do Semiárido Brasileiro recebem o Selo UNICEF Município Aprovado - Edição 2013-2016, cumprindo todas as etapas necessárias da iniciativa, comprovando avanços na redução das desigualdades sociais e na garantia dos direitos dos meninos e meninas. Eles representam 27,5% dos municípios inscritos.
Em comum, estes municípios incluíram a infância e adolescência entre as prioridades das políticas públicas municipais e entenderam a importância das ações integradas para se alcançar resultados. Porque foi a partir de esforços conjuntos entre as áreas de saúde, educação, proteção e assistência das gestões municipais e estaduais e participação da sociedade civil, que estes municípios conseguiram realizar pelo menos 70% das ações estimuladas pelo Selo UNICEF.
Os maiores beneficiados pelos resultados do Selo UNICEF não são apenas as crianças e adolescentes dos municípios certificados. São também todas aquelas dos 658 municípios que participaram durante todo o período e foram avaliados pelo UNICEF. Os resultados nestes municípios podem ser divididos em cinco grupos:
Gestão por resultados e intersetorialidade – Entre os municípios avaliados no Semiárido, 607 realizaram os dois fóruns comunitários (diagnóstico e de devolutiva das ações implementadas) com a participação da população e planejamentos intersetoriais. Ao mesmo tempo, eles fortaleceram a capacidade de registro e monitoramento de suas ações e resultados. Outro exemplo foi o uso expressivo da plataforma virtual Crescendo Juntos, lançada nesta edição do Selo UNICEF, que permitiu compartilhar experiências e dúvidas com os outros municípios, comprovar as ações realizadas e, mais importante, permitirá uma continuidade de monitoramento pelas próximas gestões. Em cada estado, o Selo também dependeu do papel essencial de organizações da sociedade civil, parceiros técnicos da iniciativa. Em cada município, por sua vez, os resultados só foram alcançados com o compromisso e o engajamento das gestões municipais, representadas pelos seus técnicos e gestores, e dos conselhos municipais dos direitos da criança e do adolescente.
Primeira infância – A Semana do Bebê foi um sucesso nesta edição do Selo UNICEF, realizada pelo menos uma vez durante o período por 523 municípios – sendo que 484 incluíram o evento no calendário municipal oficial. O Plano Municipal pela Primeira Infância foi desenvolvido de forma integral por 331 municípios, ao mesmo tempo em que 383 implementaram ações de atenção ao pré-natal. Essas ações ajudaram, por exemplo, a melhorar o percentual de mulheres com sete ou mais consultas pré-natal entre os 658 municípios avaliados, que passou de 58,1% em 2011 para 66,6% em 2014 (no mesmo período, a média nacional passou de 61,3% para 64,6%). Esse trabalho contribuiu também para reduzir a mortalidade infantil na região: enquanto no Brasil a redução foi de 5,2% entre 2011 e 2014, nos municípios avaliados esse avanço chegou a 7,3% e entre os municípios certificados atingiu 8,3%.
Educação – Saber quem são e onde vivem as crianças que estão fora da escola é um passo fundamental para enfrentar a exclusão escolar. Para isso, em 395 municípios avaliados essas crianças foram mapeadas. Ter deficiência também é um obstáculo à educação no Semiárido, mas 427 municípios realizaram busca ativa para atualizar suas taxas de crianças com necessidades educacionais especiais, outro passo importante para garantir seu acesso à escola. Já a taxa de abandono do ensino fundamental caiu de 3,2 para 2,1 entre 2012 e 2015 – uma melhoria de 33,8%, enquanto o Brasil melhorou 26% (de 2,4 para 1,7 no mesmo período). As condições sanitárias de 2.710 escolas melhoraram em 316 municípios ondem estudam cerca de 500 mil crianças.
Proteção integral – Peças fundamentais para garantir a proteção de meninos e meninas, os Conselhos Tutelares avaliados apresentaram os padrões mínimos de funcionamento – de acordo com o que recomenda o ECA – em 638 municípios. Num contexto em que situações de trabalho infantil são percebidas como algo aceitável e casos de violência sexual são frequentemente tolerados, os 346 municípios que realizaram ações de prevenção ao trabalho de crianças e adolescentes e os 158 que implementaram algum programa para prevenção e acolhimento de meninos e meninas vítimas de violência doméstica e sexual merecem destaque.
Participação social – Para que os municípios que participam do Selo UNICEF possam direcionar esforços para as áreas da infância e adolescência que mais precisam de atenção, saber ouvir os adolescentes é imperativo. São eles que viveram os desafios atuais da infância e podem apontar com precisão o que funciona e o que precisa melhorar com mais urgência. Os Núcleos de Cidadania dos Adolescentes (NUCAs) foram um sucesso nesta edição. Mais de 11.500 meninos e meninas de 525 municípios se mobilizaram e participaram regularmente de atividades ligadas ao Selo UNICEF. Os NUCAs tiveram papel decisivo para realização da campanha do UNICEF Por Uma Infância sem Racismo, que aconteceu em 389 municípios. E participaram de mutirões de combate ao mosquito Aedes aegypti em 516 municípios.
O UNICEF parabeniza todos os 658 municípios que participaram do Selo UNICEF Município Aprovado – Edição 2013-2016 e, em especial, os 308 que conseguiram avançar ainda mais nos direitos das crianças e adolescentes.
Mas ainda há muito o que fazer. E, por isso, em 2017 um novo ciclo terá início. Até lá.
Fonte: Selo UNICEF

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Caravana de estudantes chega a Brasília para lutar contra PEC 55

De diversos pontos do país estudantes estão rumando em direção à Brasília. Amanhã (29) é o “Dia D” da caravana Ocupa Brasília contra a PEC 55, é quando estudantes de ocupações de universidade e escolas de todo o Brasil estarão em Brasília para pressionar os senadores que votarão, em primeira instância, a PEC do congelamento que além de desvincular os recursos obrigatórios para Saúde e Educação previstos na Constituição vai congelar o investimento nessas áreas nos próximos 20 anos.
Estudantes do Brasil inteiro estão mobilizados na caravana. ônibus partiram de todas as partes do território nacional em direção ao Distrito Federal. A UNE organizou inclusive uma arrecadação através de doações para conseguir levar o maior número de jovens possível.
Entendendo os retrocessos na educação:
A PEC 55 (ex-PEC 241) propõe a desvinculação dos gastos em Educação dos parâmetros estabelecidos pela Constituição Federal de 1988. O aumento desses gastos seria corrigido apenas pela inflação do ano anterior pelas próximas duas décadas.
O projeto ignora a meta 20 do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece a ampliação dos investimentos públicos na educação, que previa o valor de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 destinados para a área. Ou seja, uma importante conquista da juventude brasileira seria invalidada pelos golpistas.
Para quantificarmos em valores o tamanho do retrocesso, basta citar o resultado de uma consultoria realizada pela Câmara dos Deputados que foi realizada para calcular os impactos da aprovação da PEC: a Educação perderia R$ 58,5 bilhões em 20 anos. Um verdadeiro crime contra nosso povo.
Para Carina Vitral, presidenta da UNE, “os estudantes em conjunto com as ocupações e das universidades de todo Brasil estão em caravana à Brasília para lutar contra a PEC 55 que pretende congelar o futuro da educação e coloca em risco a existência da educação pública, gratuita e de qualidade no país”.
Já na opinião de Renan Alencar, presidente nacional da UJS, o congelamento dos investimentos em saúde, educação, políticas sociais, vão nos prejudicar muito “porque no último ano o Brasil vinha tendo um ciclo virtuoso de investimentos em educação, de construção de universidades públicas, de institutos federais, na política de cotas, na construção de muitas escolas de ensino integral, de investimentos crescentes em educação tanto por parte dos município, dos estados e também do governo federal, tivemos também o aumento do número de creches, então era um momento de avanço em toda a rede, nos três níveis, e esse congelamento é muito nocivo, porque além de frear, ele dificulta a manutenção do que foi conquistado até aqui, ele não só congela como ele retroage. Muitos governos estaduais, muitos reitores de universidades estão muito preocupados, com os impactos da PEC 55, e o congelamento dos investimentos por parte do poder público também diminui a quantidade de empregos, piora a qualidade de vida, gera menos oportunidades, sobretudo para a juventude que em tempos de crise é a primeira atingida em cheio”.
Amanhã (29), durante todo o dia a a UJS estará ligada nos acontecimentos de Brasília! Vamos derrubar a PEC 55! Acompanhe nossa cobertura no site e nas redes sociais!
Fonte: UJS

O maior evento para a juventude e os estudantes de todo o mundo!

“Pela paz, justiça social, lutando contra o imperialismo – honrando o passado e construindo o presente”
De 14 a 22 de outubro de 2017 na Rússia, na cidade de Sochi, terá lugar o XIX Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes.
O Festival é organizado pela Federação Mundial da Juventude Democrática, a Rússia recebeu o festival duas vezes na época da URSS – em 1957 (VI Festival) e em 1985 (XII festival). No VI Festival Mundial de 1957 que ocorreu em Moscou, o Festival reuniu o maior número de participantes de toda sua história.

O objetivo do Festival é consolidar a comunidade de jovens de todo o planeta em torno da ideia de justiça, reforçar os laços internacionais bem como desenvolver a interação  intercultural entre eles. Preservando a história do festival, o XIX Festival deve tornar-se um novo etapa na cooperação internacional, reunir as próximas gerações em torno das ideias de paz e amizade. Além de celebrar o centenário da Revolução de Outubro, a Revolução Russa.
Como nos anos passados, a margarida multicolor que simboliza a continuidade das tradições, a ligação das gerações e a unidade de toda a comunidade mundial foi escolhida logotipo do Festival. Mas desta vez o elemento principal são pixels coloridos que significam a unidade da juventude de todo o mundo na era de informação e progresso tecnológico. A variedade das visões e opiniões é a caraterística principal do XIX Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes.
O Festival é um espaço para o diálogo, uma forma de comunicação global: através de discussões, programa cultural, competições desportivas, através de conversas livres podem ser encontradas vias de fazer face aos desafios que a jovem geração enfrenta hoje. O programa de discussões pressupõe vários espaços inclusive painéis de discussão, palestras abertas, conferências científicas. Preliminarmente, os temas-chave do evento serão: “A cultura e a globalização”, “A economia global”, “A economia de conhecimentos”, “O desenvolvimento das instituições públicas”, “A política e a segurança internacional”.
No Festival participarão mais de 20.000 jovens dos 150 países do mundo. Os idiomas do Festival são os 6 idiomas oficiais da ONU.
A plataforma reunirá os jovens líderes de várias esferas: representantes das organizações sem lucros juvenis, jovens jornalistas, juventude criativa e desportiva, líderes das seções juvenis dos partidos políticos, jovens professores, líderes da autogestão estudantil, jovens cientistas, bem como compatriotas e estrangeiros que estudam a língua russa e estão interessados na cultura russa.

No dia primeiro de novembro de 2016 começou a funcionar o Centro de Mídia Juvenil Internacional, formado pelos jovens jornalistas e blogueiros de todo o mundo. A equipe do Centro de Mídia vai cobrir os maiores eventos durante a preparação e realização do Festival. O grande Corpo Voluntário composto por 7.000 voluntários russos e estrangeiros vai ajudar a organizar o Festival.
Podem registrar-se para participar no Festival clicando aqui! No Festival podem participar os jovens com a idade de 18 a 35 anos. E como de costume a UJS está organizando uma grande caravana para o Festival. Fique atento aos debates e a programação!
Os participantes do Festival poderão entrar na Rússia sem visto.
Pode-se acompanhar todas as últimas notícias sobre a preparação para o Festival clicando aqui no site oficial e na página do Festival na Facebook, aqui.
Fonte: UJS

Especial mês da Consciência Negra: Diretoria executiva da UBES fala sobre a realidade do jovem negro no Brasil

Experiências, desafios pessoais e empoderamento são temas de depoimentos dos secundaristas que constroem a entidade, composta majoritariamente por jovens negros.
No mês de novembro, período de intensa mobilização por conta do Dia Nacional da Consciência Negra, o site da UBES entrevistou a diretoria da entidade que historicamente atua no combate ao racismo, contra o genocídio e a criminalização da juventude negra do Brasil.
Nesta gestão, segundo a presidenta da UBES, Camila Lanes, a própria composição da diretoria executiva, formada majoritariamente por jovens negros de diferentes regiões do país, fortalece o papel histórico do movimento estudantil como espaço de empoderamento e luta contra a segregação racial.
“Lutamos pela aplicação da Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio, assim como também lutamos pelo fim da intolerância religiosa dentro e fora das salas de aula. Uma educação pública de qualidade também é uma educação não racista, laica e que garanta direito para todos e todas”, diz.
Há um ano, a UBES assumiu uma das principais trincheiras de luta contra o conservadorismo do Congresso Nacional e sua medida de ataque aos jovens negros das periferias, que foi o enfrentamento à PEC 171/93, barrada pelos estudantes. Relembre aqui os motivos.
“O Congresso mais atrasado dos últimos tempos ataca as conquistas dos movimentos sociais. Em sua maioria, é formado por homens brancos, ricos, acima de 50 anos”, critica o secundarista Ericleiton Emidio.

AS JOVENS NEGRAS

A pernambucana Stephannye Vilela é a primeira secundarista negra a ocupar o cargo de tesoureira da entidade, ela conta que foi nesta nova fase de atuação no movimento estudantil que se reconheceu como mulher negra.
“Assumir meu cabelo crespo foi o primeiro passo para o meu empoderamento, mas isso não é uma questão apenas de aparência. Usar meu black na rua e abandonar a chapinha é o reflexo do meu descobrimento como mulher negra, uma reconexão com minhas raízes. Hoje, quando participo de reuniões como dirigente da UBES, sei que estou quebrando padrões, mostrando que as meninas podem sim ocupar lugares de decisão, como provou a própria Primavera Secundarista no Brasil com jovens comandando o movimento em suas escolas”.
Enquanto as estatísticas apontam que o número de mulheres negras mortas cresceu em 54% nos últimos 10 anos, segundo o Mapa da Violência 2015, na Primavera Secundarista as jovens negras têm respondido com resistência e organização na liderança das ocupações de suas escolas.
“Ser mulher negra e participar da política é lutar todo dia, me orgulho de participar de uma das entidades estudantis mais importantes da América Latina com maioria de mulheres e de negros e negras. Continuaremos combatendo qualquer tipo de opressão, construindo espaços políticos mais feministas e mais enegrecidos”, pontua a diretora de Mulheres da UBES, Brisa Bracchi.
A secundarista Jéssica Lawane conta que, apesar de constar em sua certidão de nascimento a cor parda e algumas pessoas dizerem que ela é uma jovem “socialmente branca”, a diretora de Movimentos Sociais afirma que o fato de não sofrer racismo não muda sua condição de negra.
”Quando entrei no movimento social um amigo me chamou para organizar a frente de negros e negras da minha organização. Perguntei o porquê do convite, ele me respondeu dizendo que eu era negra. Fiquei um pouco constrangida por não ter certeza disso, o que foi positivo, me fez ter vontade de procurar entender melhor a questão racial no Brasil”, conta Jéssica.
Desde que ingressou no movimento estudantil, a 1ª vice-presidenta da UBES, Mariana Ferreira, conta que muita coisa mudou em sua vida. “Durante muito tempo fiz piadas racistas pensando que se tratava apenas de uma brincadeira. Às vezes as piadas agrediam a mim mesma e à minha família, mas eu não percebia. Só depois de entrar no Movimento Estudantil que eu fui ter acesso ao debate sobre o racismo e as diversas formas de propagação desse tipo de preconceito. Foi um aprendizado importante que o movimento estudantil me proporcionou e foi capaz de mudar a minha percepção sobre o povo negro e, consequentemente, sobre a minha própria história”, relembra Mariana.
“Sou negro e fazer parte da UBES é uma oportunidade de me empoderar ainda mais, é muito importante quando passo nas salas de aula para dialogar com tantos jovens que ainda não se reconhecem”, conta o 1º diretor de Grêmios, Fernando Alves.

A LUTA NA EDUCAÇÃO

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a falta de acesso à educação de qualidade aumenta a desigualdade entre brancos, pretos e pardos. As populações pretas e pardas representarem 69% dos brasileiros com a renda mais baixa do país, são o grupo onde há maior taxa de analfabetismo e evasão escolar entre os jovens de 15 a 17 anos.
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Juliene da Silva é uma das jovens negras que compõe a executiva da UBES, para ela, a escola ainda é um espaço de intensos conflitos. “Os professores e diretores não sabem lidar com a discriminação racial que sofremos todos os dias, e para piorar, não temos a oportunidade de conhecer a nossa própria história. O mês da Consciência Negra nos permite discutir o privilegio branco e nos posicionar pela necessidade de mudar as estruturas sociais que confinam os negros aos piores espaços educacionais, profissionais e habitacionais”, aponta a secundarista.
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OS ATAQUES DO GOVERNO

“A história do Brasil é de exploração e sempre quem mais sofreu, desde a escravidão, foi o povo negro. Hoje atacam a educação e outros serviços públicos que atendem a parte mais pobre da população que é negra. Não interessa aos golpistas e poderosos nossa emancipação, por isso, o mês de novembro é simbólico em resistência e combate ao racismo e a todos os preconceitos da sociedade”, critica o 1º secretário da UBES, Rafael Araújo.
Ø  Entenda mais sobre o assunto, leia aqui o posicionamento da UBES contra a PEC 241, agora 55, que congela gastos e impactará a educação, a saúde e áreas sociais.

LUTA HISTÓRIA DA UBES POR MAIS DIREITOS

Em agosto de 2012, o Brasil sancionou a Lei da Reserva de Vagas nas universidades federais, em que estudantes autodeclarados negros, pardos e indígenas passaram a ter reserva de cotas. A educação passou a garantir o acesso ao ensino superior, passo inédito e transformador na democratização do acesso à universidade, fruto da mobilização da juventude secundarista, universitária e do movimento negro.
“A UBES é uma entidade muito importante para a luta contra as opressões, é a entidade que representa a parcela da juventude que mais sofre com o preconceito dentro das escolas, preconceito esse reproduzido pelo modelo de escola que temos. Para nós, jovens negros diretores da UBES, é um desafio enorme – e ao mesmo tempo gratificante – saber que a juventude negra ocupa espaço na política”, afirma Jairo Marques, diretor de Relações Internacionais.​

Fonte: UBES

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ocupações no Rio Grande do Norte barram MP de “deformação” do Ensino Médio no estado

Governo sede à pressão e abre diálogo com movimento estudantil; a reformulação seguirá matrizes e referências básicas próprias do estado que ainda serão discutidas.
A Primavera Secundarista no Rio Grande do Norte conquistou sua primeira vitória na última sexta-feira (18), quando o governo estadual, após dez dias de ocupação da Secretaria de Educação do Estado (Seec) e quase dois meses de intensa mobilização nas escolas públicas e Institutos Federais (IFs), cedeu à pressão e se comprometeu em barrar a Medida Provisória de “deformação” do Ensino Médio (MP 746), principal pauta das ocupações.
Em reunião, o governador Robinson Faria (PSD) aprovou a criação de um fórum permanente formado por lideranças estudantis que discutirá a proposta de reformulação do ensino médio. Enquanto a MP não tramita como projeto de lei no âmbito federal, o estado usará de sua autonomia para definir o texto da reforma na modalidade de ensino.
No caso do Rio Grande do Norte, a reformulação seguirá matrizes e referências básicas próprias do estado, com ressalva à implantação das escolas em tempo integral, que seguirá o proposto pela medida em respeito ao Plano Estadual de Educação.
A diretora da UBES que participou das ocupações e da reunião, Brisa Bracchi, explica a importância da decisão do governo. “Qualquer implementação da MP só será aprovada após decisão do Fórum, regra que também vale para o projeto de redimensionamento das escolas. O fórum será composto por representantes estudantis, membros da Seec e dos professores”, explica a secundarista.
Segundo a advogada da UBES, Thais Bernardes, qualquer mudança no âmbito das diretrizes curriculares nacionais não deveria ser objeto de Medida Provisória, sobretudo porque não estão presentes os requisitos de urgência e relevância que justificariam a medida.
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“Neste sentido, a iniciativa de criar um fórum de discussão permanente com a participação dos estudantes secundaristas representa um passo importante para construção democrática dessas novas diretrizes no âmbito estadual, diálogo que o Governo Federal nunca buscou”, diz Thais.
O vice-UBES no estado, Pedro Gorki, atribui à resistência das ocupações o resultado positivo da Primavera Secundarista no estado.
“Com as lideranças das ocupações, a UBES, a UNE e os movimentos de juventude conquistaram espaço para discutir a verdadeira reforma que queremos e também barrar a implementação da MP. O governo se comprometeu em abonar as faltas dos estudantes e não abrir processo administrativo contra os estudantes que ocuparam”, disse Pedro.
Fonte: UBES

terça-feira, 22 de novembro de 2016

PEC 55 não! Ocupações pedem doações para garantir caravana a Brasília

UNE abriu cadastro para os interessados em viajar até a capital federal; entidade busca agora recursos para viabilizar o transporte
Já são quase 2 mil pessoas inscritas para a caravana que vai fazer de Brasília a capital das ocupações estudantis no dia da votação da PEC 55 em primeira instância no Senado Federal. São estudantes de universidades federais, estaduais, particulares, Ifes e escolas de todos as regiões do país.
A UNE tem feito um cadastro de interessados em participar para poder estruturar ônibus que sairão de várias cidades brasileiras rumo ao Distrito Federal.
Os estudantes vão pressionar senadores para que não aprovem a mudança na constituição que, além de desvincular recursos para Saúde e Educação, vai congelar os investimentos nas áreas durante 20 anos.
Para viabilizar essa a ida dos estudantes à Brasília, a UNE também realiza uma arrecadação de doações de recursos financeiros.
“O dinheiro é para combustível, locação de ônibus, pagamento de motoristas, alimentação, aluguel de tendas e barracas, banheiros químicos. Tudo isso é para a organização da caravana”, destaca o diretor de Comunicação da UNE, Mateus Weber.
A campanha para os estudantes chegaram a Brasília e barrar a PEC 55 está a todo vapor. Para participar:
OU deposite na conta:
Banco do Brasil
Agência: 7067-X
Conta Corrente: 6635-4
União Nacional dos Estudantes
CNPJ: 29.258.597/0001-50

UFF CONFIRMA 14 ÔNIBUS

Na Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, a pauta das 30h dos servidores públicos se somou a luta contra a PEC 55. Para os estudantes da instituição, o mais importante é que a caravana seja construída em unidade com toda a comunidade acadêmica em defesa da universidade pública.
“Na UFF, os servidores técnicos já estão em greve, os professores aprovaram indicativo de greve a partir do dia 28 e a reitoria já divulgou apoio”, destacou a representante do DCE, Ana Luiza Lopes, estudante de História no polo de Campos de Goytacazes. Lá, os estudantes estão viabilizando junto a sindicatos parceiros a ida para Brasília.
reitoria da UFF divulgou uma nota sobre a PEC 55, em que estima que o impacto na universidade corresponderia a uma perda de R$ 810 milhões em seu orçamento, nos últimos dez anos, se o teto de despesas previsto pela PEC estivesse em vigor desde 2006.
Estão confirmados 14 ônibus da UFF, um de cada pólo no interior do Estado mais seis da sede em Niterói. A perspectiva dos estudantes é que o número deve aumentar.
Estão ocupados o campus de Volta Redonda, Santo Antônio de Pádua, Macaé, Rio das Ostras, Niterói. Os institutos de Química (Campus Valonguinho), Ins de Artes e Comunicação Social ( Campus IACS 1 – Lara Vilela), Instituto de Geociências (Campus Praia Vermelha), Escola de Arquitetura ( Campus Praia Vermelha), Faculdade de Direito (Campus Pres Pedreira), ICHF (Blocos N, O e P – Campus Gragoatá), Bloco A – Campus Gragoatá ( Bloco multidisciplinar), Instituto de Letras ( Blocos B e C – Campus Gragoatá), Faculdade de Educação ( Bloco D – Campus Gragoatá), Escola de Serviço Social (Bloco E – Campus Gragoatá), Uff Campos dos Goytacazes, Instituto de Física (Campus Praia Vermelha).

UFMT E UFC TAMBÉM MOBILIZADAS

Os estudantes da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) tentam viabilizar 12 ônibus de estudantes para a ida da caranava até a capital federal, que foi decidida em Assembleia na última sexta-feira (18).
“Os servidores já estão em greve e os professores vão votar no dia 24. Na quarta-feira (23), vamos fazer mais uma assembleia para decidir sobre a greve estudantil”, explicou o presidente da UEE-MT, Vinícius Fernandes.
A reitoria da UFMT convocou um seminário para debater a PEC 55 com a comunidade acadêmica.
Já o pessoal do Ceará não se intimida e nem desanima com a distância de dois dias de viagem até Brasília. “Nossa meta é que saiam 17 ônibus do Estado. Já temos sete confirmados”, afirma Luis Carlos de Sousa, estudante de Economia e representante do DCE da Universidade Federal (UFC). “Estamos inflamados, depositando muita fé para pressionar o Senado e barrar a PEC 55 a todo o custo”, convoca.
Na UFC, 50% dos estudantes estão em greve estudantil, cerca de 15 mil alunos. De acordo com Sousa, mesmo os centros não ocupados apoiam a mobilização. Os professores estão em greve desde o dia 18 por tempo indeterminado e os servidores técnicos também.
Fonte: UNE

PEC da Morte: o que estamos fazendo pelos nossos filhos?

AILMA MARIA DE OLIVEIRA
A morte do menino Guilherme (Silva Neto), 20 anos, assassinado pelo pai, neste 15 de novembro, me traz além da dor, a seguinte indagação: O que estamos fazendo pelos nossos filhos no processo educativo? Onde estamos, que não ocupamos os corações desta juventude? O que é a educação e para que serve? Porque um pai decide matar seu próprio filho e atirar sobre sua cabeça logo em seguida?
Sabemos que as ocupações de escolas neste momento, é a forma de resistência, de protesto que a juventude encontrou para lutar contra os governos, contra a PEC da Morte, a PEC 55. Mas, ela é bem mais que isso. Ocupar significa tomar posse, apoderar, trabalhar, viver!
Somente quem vai a uma escola ocupada pode ter noção do trabalho realizado por cada um e cada uma das pessoas e do coletivo que ali se faz. Durante 2015, tive a oportunidade de visitar 16 escolas ocupadas em Goiás, e era surpreendente a recepção, inicialmente desconfiada, por parte dos atores ali inseridos e que não me conheciam.
Mas, ao adquirir confiança, se entusiasmavam em nos relatar os procedimentos para buscar e manter a unidade, a permanência e a organização. Muitos sofreram, foram presos, perseguidos, maltratados pelos pais e até por professores. Mas, bravamente resistiram e vários, foram para a universidade e continuam em luta contra a privatização do ensino.
André Tokarski, líder nacional da juventude, nos contava ano passado, sobre um dos relatos das ocupações em São Paulo. Dizia que, no segundo dia de ocupação de uma escola, a mãe apreensiva e bastante irritada chegou ao portão aos gritos para buscar o filho, Pedro (nome fictício).
Gritava:
- Chama o Pedro! Eu não vou deixar meu filho nessa ocupação!! Eu não admito filho meu nessa bagunça!
E a jovem, que cuidava do portão, perguntou a mãe:
- Qual o sobrenome do seu filho? Qual Pedro?
E a mãe respondeu:
- É Pedro Guilherme!
A menina gentilmente olhou na planilha e disse:
- Olha, hoje, é dia do Pedro Guilherme lavar os banheiros. Ele tá cumprindo esta tarefa agora.
A mãe chocada, esbravejou:
- O Pedro Guilherme! O Pedro, está lavando banheiros? Meu filho lavando banheiro?
E a menina com a prancheta na mão, respondeu:
- Sim. Ele tá no terceiro banheiro.
A mãe:
- Meu filho nunca lavou banheiro. Você tem certeza que é o Pedro Guilherme?
- Sim, respondeu a menina.
- Então deixa meu filho aí!! Deixa que isso é muito importante pra ele, disse a mãe.
Esse relato parece não significar nada. Mas, só quem vive a ocupação, quem trabalha na ocupação e das famílias que participam da luta coletiva, é que sabem, e veem os resultados no processo de formação dessa moçada. Há pais que se inserem e dão grandes contribuições para a escola, passando a formar melhor seus filhos em uma educação humana e de exercício de cidadania.
As ocupações fazem a luta da resistência contra o golpe, contra o fascismo, contra o autoritarismo, contra os que se apropriam da liberdade da juventude de lutar, de resistir, de sonhar e, de reinventar um outro modelo de sociedade.
Eu vi o Guilherme em diversos atos em defesa da Educação, em defesa do transporte coletivo, contra as OSs. Eu acompanhei as postagens dele. E, uma das postagens, para mim, bastante significativa, não era contra o governo, ou sobre a luta específica. Guilherme postou uma foto de quando era criança brincando, e compartilhou uma nota. Era sobre o direito dos meninos.
O direito às diferenças, o direito de dançar, de chorar, o direito de amar. O direito de se humanizar. O pai do Guilherme deveria ter ido às ocupações. Deveria conhecer os amigos, as intenções, deveria ter vivido, e, deveria principalmente tê-lo deixado viver.
Ailma Maria de Oliveira é professora e presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Goiás.
Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.
Fonte: Portal CTB

Integral Colégio e Curso GEO - Matriculas abertas! Matricule-se, JÁ!

Foi um sucesso a II - Mostra de Arte, Ciência e Cultura do Integral Colégio e Curso GEO, realizado na cidade de Araruna/PB, juntamente com Passa e Fica/RN e Nova Cruz/RN, novembro/2016. Sim as matriculas já estão abertas!

Matricule-se, já! Integral Colégio e Curso: "Seu Potencial, Nossa Paixão!"

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

“O notório saber colabora gravemente com a desvalorização dos professores” afirma Daniel Cara

Em bate-papo com a UBES, especialista em educação esclarece o "notório saber", que integra a MP de ‘deforma’ do ensino médio.
Anunciada no dia 22 de setembro, a Medida Provisória (MP) 746 de ‘deforma’ do ensino médio figura como um dos principais retrocessos impostos pelo governo golpista de Michel Temer. Dentre os principais pontos do documento, um dos mais polêmicos de acordo com profissionais da educação e especialistas, é o que se refere ao notório saber.
Enquanto o Plano Nacional da Educação (PNE) estabelece que é preciso garantir que todos professores e professoras do ensino básico possuam graduação na área de conhecimento em que atuam, a MP passa a permitir que profissionais com notório saber possam dar aulas de conteúdos de áreas afins à sua formação.
Para entender um pouco mais a respeito do tema, a reportagem da UBES conversou com o membro titular do Fórum Nacional de Educação e coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara.
Cara, que tem extensa pesquisa e experiência no campo do ensino, é doutorando em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e foi membro da direção da Campanha Global pela Educação entre os anos de 2007 a 2011, além de ter integrado o Comitê Diretivo da Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação nos anos de 2009 a 2012.
UBES: O que é e do que se trata o notório saber?
Trata-se do reconhecimento que uma pessoa recebe sobre determinada área do conhecimento, sobre determinada disciplina. Por exemplo, um médico tem ou deve ter ao menos notório saber em biologia, em química, em física. São questões que ele deve conhecer.
A ideia do notório saber no magistério significa você dizer que todo mundo que conhece muito sobre uma determinada questão é um bom professor e ,é claro, isso não é verdade. Na Universidade, por exemplo, é muito comum você ter professores doutores que conhecem muito sobre uma disciplina, mas têm uma total incapacidade de dar aulas. Para dar uma boa aula é preciso dominar a didática, é preciso conhecer o processo de ensino-aprendizagem. Isso se aprende nos cursos de pedagogia e nas demais licenciaturas.
UBES: A medida pode prejudicar a aplicabilidade das disciplinas convencionais, que já integram o currículo das escolas, como português, matemática, história?
O notório saber hoje está exclusivo para a educação profissional. Isso também está errado porque o professor da educação profissional tem de ter habilidade didática, ele tem de entender da relação de ensino-aprendizagem, tem de conhecer os teóricos e clássicos da educação que falam sobre como dar uma boa aula, sobre como envolver o aluno e sobre como deve ser uma aula que funciona, que dialoga com o estudante e que o ajuda a construir o conhecimento. Isso tudo não está garantido na medida provisória. O documento que prevê as mudanças está extremamente mal redigido, mas o itinerário de educação profissional seria o único a receber os professores com notório saber. Por estar mal redigido, isso abre margem para uma flexibilidade maior, para que os sistemas de ensino considerem que para todas as disciplinas o notório saber entraria em vigor. Isso é um absurdo, já que a educação precisa preservar o conhecimento específico, que é a questão da didática.
 “Caso aprovada, a reforma irá prejudicar os estudantes em favor da influência de algumas entidades empresariais que atuam no campo da educação”
UBES: O notório saber pode colaborar com a desvalorização do profissional da educação?
O notório saber irá colaborar gravemente com a desvalorização dos professores porque não reconhece aquilo que os profissionais da educação têm em específico, que é o estudo do processo de ensino-aprendizagem, da didática. Esse estudo precisa ser valorizado! O Brasil é um país que desvaloriza a pedagogia, que a considera um acessório e ela não é um acessório. A pedagogia é algo central no processo educacional.
UBES: O projeto pode comprometer a aprendizagem, a formação dos estudantes brasileiros?
A medida provisória pode prejudicar a aprendizagem dos estudantes na medida em que ela desconstrói o ensino médio, que é ruim hoje, mas propõe uma escola pior. O projeto apresenta cinco itinerários formativos: ciências da natureza, ciências humanas, linguagens, matemática e educação profissional. O problema é que esses cinco itinerários não irão ser ofertados em todas as escolas, ou seja, os estudantes não terão acesso ao conhecimento que, por ventura, eles venham a escolher.
Além disso, flexibilidade de fato é você dar aos estudantes a possibilidade de escolher matérias optativas, como acontecem nas faculdades. Isso seria de fato a flexibilidade: garantir que todas as escolas ofertariam todas as áreas do conhecimento, algo que não está posto na MP. A partir do momento em que as escolas oferecessem todos os campos do conhecimento, elas o ofertariam de modo específico. Por exemplo, em História poderia haver uma aula sobre história do feminismo, sobre história do trabalho, história dos trabalhadores, história da influência africana no Brasil.
Enfim, o projeto político-pedagógico da escola terá de ser fortalecido, porque com uma flexibilidade, a escola terá de criar essas disciplinas optativas, pensar sobre o currículo e terá de garantir os componentes curriculares através de matérias optativas. Esse seria o melhor caminho, mas o governo erra ao propor esses itinerários formativos que na verdade geram uma flexibilidade inflexível aos estudantes.
 “A ideia do notório saber no magistério significa você dizer que todo mundo que conhece muito sobre uma determinada questão é um bom professor e, é claro, isso não é verdade.”

Daniel Cara_ Especialista

UBES: Quais serão os critérios para determinar que pessoas poderão lecionar no ensino médio? E quem será responsável por essa decisão?

Naquilo que diz respeito ao notório saber, os responsáveis serão os sistemas de ensino, os conselhos de educação e a secretaria de educação. Isso é bastante grave, é preciso ter critérios nacionais porque o direito à educação é um direito nacional e a União tem a prerrogativa de determinar as diretrizes e bases da educação do país, segundo o artigo de número 23 da Constituição Federal.
UBES: Considera importante enfatizar algo a respeito do notório saber, de suas consequências?
É importante acrescentar, por fim, que a medida provisória gera uma educação de baixa qualidade. Ela irá mais desorganizar do que organizar, mais prejudicar que favorecer a escola. O projeto não parte da compreensão dos estudantes, daquilo o que eles acreditam que seja necessário para o ensino médio. É claro que numa reforma educacional, não são apenas os estudantes que devem se pronunciar. Toda a sociedade deve opinar sobre uma reformulação educacional, especialmente estudantes, professores, formadores dos profissionais da educação, pais e etc. A medida provisória, porém, não constrói uma proposta de ensino médio coletiva, ela propõe um ensino médio completamente alheio ao interesse dos estudantes.
O método de tramitar uma matéria dessa envergadura, através de um mecanismo que denota regime de urgência, é errado e é inédito. Caso aprovada, a reforma irá prejudicar os estudantes em favor da influência de algumas entidades empresariais que atuam no campo da educação e que defendem essa MP desconhecendo os sistemas públicos de ensino. Temos, assim, um MEC submisso ao interesse de setores que desconhecem a educação pública de qualidade.
- Fonte: UBES