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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Entidades se reúnem em defesa da UFMG e dos reitores investigados

Assembleia na UFMG reuniu a comunidade acadêmica
Um dia depois da condução coerciva dos reitores da instituição, Conselho Universitário se reúne para encaminhar providências
Movimentos saíram em defesa da instituição e a comunidade acadêmica junto com a UEE-MG e realizaram uma assembleia no campus da Pampulha ontem a tarde.
Percebemos que existe um plano, o que eles querem fazer é destruir a universidade como ela é hoje, muito melhor do que já foi, e muito pior do que deve ser. A gente sabe que existe problemas na universidade e queremos lutar para ela melhorar, mas a gente não quer que a privatização aconteça e não queremos que o Estado de exceção comece dentro das instituições de ensino”, destacou a presidenta da UNE, Marianna Dias, durante a reunião.
Para ela a justiça brasileira hoje não está a serviço de quem deveria estar “mas, sim dessa corja que tomou de assalto a presidência da República”.
Com encaminhamento da assembleia hoje cedo (07/12) na porta da UFMG a UEE-MG estava mobilizando os estudantes para a vigília que aconteceu às 9h durante a reunião do Conselho Universitário para tratar do assunto.
A presidenta da UNE e a presidenta da UEE-MG, Luanna Ramalho, participaram da reunião. “Todos demonstraram muita preocupação a respeito da posse a nova reitora da universidade, Sandra Goulart, que foi eleita na semana retrasada. Achamos que essa operação tem como objetivo inviabilizar sua posse deixando mais favorável para o governo federal indicar um nome”, afirmou Luanna.

BRASIL PELA UFMG

A repercussão da perseguição política da Polícia Federal com os reitores da UFMG foi grande dentro das entidades educacionais e do movimento social. Professores da universidade e da USP, intelectuais de diversas partes do país e do exterior assinaram um manifesto em defesa da universidade pública e em repúdio aos atos de violência cometidos hoje em Belo Horizonte. Leia abaixo na íntegra.
Além disso, o músico João Bosco, autor da música “Esperança Equilibrista”, utilizada ironicamente pela PF como nome da operação que investiga os desvios na construção do Memorial da Anistia, também se manifestou. Em nota ele afirmou que: “Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental”. A presidenta da UNE fez um artigo em comenta sobre a indignidade de utilizar a música hino da Anistia. Leia aqui.
Além disso, a Comissão da Verdade em Minas Gerais (COVEMG) afirmou em nota que recebeu “com surpresa e indignação a notícia da realização da operação da Polícia Federal“. A COVEMG entende que “ao criminalizar uma das maiores Universidades do país abre-se a porta para a criminalização de todo um segmento que não se alinha aos setores autoritários”.

MANIFESTO EM DEFESA DO ESTADO DE DIREITO E DA UNIVERSIDADE PÚBLICA NO BRASIL

Nós, intelectuais, professores, estudantes e dirigentes de instituições acadêmicas, vimos a público manifestar nossa perplexidade e nosso mais veemente protesto contra as ações judiciais e policiais realizadas contra a universidade pública que culminaram na invasão do campus da UFMG e na condução coercitiva de reitores, dirigentes e administradores dessa universidade pela Polícia Federal no dia 6 de dezembro de 2017.
O Brasil, nos últimos anos, vivencia a construção de elementos de exceção legal justificados pela necessidade de realizar o combate à corrupção. Prisões preventivas injustificáveis, conduções coercitivas ao arrepio do código penal tem se tornado rotina no país.
Neste momento amplia-se a excepcionalidade das operações policiais no sentido de negar o devido processo legal em todas as investigações relativas à corrupção violando-se diversos artigos da Constituição inclusive aquele que garante a autonomia da universidade.
É inadmissível que a sociedade brasileira continue tolerando a ruptura da tradição legal construída a duras penas a partir da democratização brasileira em nome de um moralismo espetacular que busca, via ancoragem midiática, o julgamento rápido, precário e realizado unicamente no campo da opinião pública.
Nos últimos meses, essas ações passaram a ter como alvo a universidade pública brasileira. Cabe lembrar aqui que a universidade pública, diferentemente de muitas das instâncias do sistema político, está submetida ao controle da CGU e do TCU, respeita todas as normas legais e todos os princípios da contabilidade pública em suas atividades e procedimentos. Portanto, não existe nenhum motivo pelo qual devam se estender a ela as ações espetaculares de combate à corrupção.
A universidade pública brasileira tem dado contribuições decisivas para o desenvolvimento da educação superior, da pós-graduação, da ciência e tecnologia que colocaram o Brasil no mapa dos países em desenvolvimento. Somente universidades públicas brasileiras estão entre as 20 melhores instituições de ensino e pesquisa da América Latina, de acordo com o Times Higher Education Ranking. A UFMG, sempre bem colocada nesses rankings internacionais, possui 33.000 alunos de graduação, 14.000 alunos de pós-graduação, conta com 75 cursos de graduação, 77 cursos de mestrado e 63 cursos de doutorado. Além de sua excelência em educação e pesquisa, a UFMG se destaca por suas ações de assistência e extensão nas áreas de saúde e educação.
Nesse sentido, intelectuais e membros da comunidade universitária exigem que seus dirigentes sejam respeitados e tratados com dignidade e que quaisquer investigações que se mostrarem necessárias com relação a atividades desenvolvidas na universidade sejam conduzidas de acordo com os princípios da justiça e da legalidade supostamente em vigência no país e não com o objetivo da espetacularização de ações policiais de combate à corrupção. Está se constituindo uma máquina repressiva insidiosa, visando não só coagir, mas intimidar e calar as vozes divergentes sob o pretexto de combater a corrupção. Seu verdadeiro alvo, porém, não é corrupção, mas o amordaçamento da sociedade, especialmente das instituições que, pela própria natureza de seu fazer, sempre se destacaram por examinar criticamente a vida nacional.
Não por acaso o alvo dessa violência contra a universidade e seus dirigentes foi exatamente um memorial que tenta recompor os princípios da justiça e do estado de direito extensamente violados durante o período autoritário que se seguiu ao golpe militar de 1964. O Memorial da Anistia tem como objetivo explicitar os abusos autoritários perpetrados nesses anos de exceção porque apenas a sua divulgação permitirá que as gerações futuras não repitam o mesmo erro.
Nesse sentido, intelectuais, professores e estudantes conclamamos todos os democratas desse país a repudiarem esse ato de agressão à justiça, à universidade pública, ao estado de direito e à memória desse país.
Assinam:
Paulo Sérgio Pinheiro (ex-ministro da Secretaria de Estado de Direitos Humanos)
Boaventura de Sousa Santos (professor catedrático da Universidade de Coimbra)
André Singer (professor titular de ciência política USP e ex-secretário de imprensa da presidência)
Ennio Candotti (ex-presidente e presidente de honra da SBPC)
Newton Bignotto (professor do Departamento de Filosofia da UFMG)
Leonardo Avritzer (ex-presidente da Associação Brasileira de Ciência Política)
Fabiano Guilherme dos Santos (presidente da ANPOCS)
Maria Victória Benevides (professora titular da Faculdade de Educação da USP)
Roberto Schwarz (professor titular de Literatura da Unicamp)
Renato Perissinoto (presidente Associação Brasileira de Ciência Política)
Fábio Wanderley Reis. (Professor Emérito da UFMG)
Cícero Araújo (Professor do Departamento de Ciência Política da USP)
Sérgio Cardoso (Professor do Departamento de Filosofia da USP)
Marilena de Souza Chauí (Professora titular do Departamento de Filosofia da USP)
Fábio Konder Comparato (Professor Emérito da Faculdade de Direito da USP)
Ângela Alonso (professora do Departamento de Sociologia da USP)
Juarez Guimarães (professor do Departamento de Ciência Política da UFMG)
Michel Löwy. (Pesquisador do CNRS, França)
Adauto Novaes (Arte e Pensamento)
Maria Rita Kehl (psicanalista)
Thomás Bustamante (Professor da Faculdade de Direito da UFMG)
Lilia Moritz Schwarcz (Professora do Departamento de Antropologia da USP)
Gabriel Cohn (ex-diretor da Faculdade de Filosofia da USP)
Marcelo Cattoni (professor da Faculdade de Direito da UFMG)
Amélia Cohn (professora do Departamento de Medicina Preventiva da USP)
Dulce Pandolfi (Historiadores pela Democracia)
Oscar Vilhena Vieira (Diretor e professor a Faculdade de Direito da FGV-SP)
Alfredo Attié (Presidente da Academia Paulista de Direito Titular da Cadeira San Tiago Dantas)

Conferência Popular de Educação será espaço de democracia e resistência


A CONAPE foi lançada nesta quarta (6/12) no Senado, com participação de Pedro Gorki e Guilherme Barbosa, representantes da UBES.

A Conferência Nacional de Educação (CONAE) já foi um espaço muito importante para criação de políticas educacionais, mas a UBES e outros movimentos sociais perderam a confiança no fórum, realizado a cada dois anos, e criaram um novo espaço. A diferença é a inclusão de um P, de Popular. A Conferência Nacional Popular de Educação (CONAPE) deve acontecer em abril de 2018 e foi lançada oficialmente em audiência pública no Senado, nesta quarta (6/12), por mais de 20 entidades, entre elas a UBES.
“Enquanto um governo ilegítimo rompe com a democracia e, principalmente, com a democracia dos espaços de discussão sobre a educação, realizar a Conape é um ato revolucionário”, disse Pedro Gorki, novo presidente da UBES.
O jovem de 16 anos destacou a importância de um ambiente para se debater de fato a democracia nas escolas, analisar o que significa a reformulação do ensino médio e, ainda, combater a censura no ensino, a “lei da mordaça” e projetos ultraconservadores como “Escola Sem Partido”. Para ele, a existência do fórum já é um ato de resistência, no cenário atual.

Expulsão de entidades

Guilherme Barbosa, diretor de Políticas Educacionais da gestão 2015/2017 da UBES, acompanhou todo o processo de criação da Conape e também esteve presente no Senado para o lançamento. Ele lembrou de quando o Ministério da Educação retirou órgãos progressistas do espaço, em maio:
“A gente sabe que vive um momento de ruptura democrática, em que se tenta instalar um projeto neoliberal no Brasil, com caráter cada vez mais regressivo. Isso tem muito a ver com o que aconteceu no Fórum Nacional de Educação, onde o governo constrói uma falsa maioria, ao expulsar entidades do espaço. Este governo tem incompatibilidade com a participação popular”.
No Senado, pela porta da frente

Em sua primeira ida à Brasília como presidente da UBES (ele foi eleito no sábado, 2/12), Pedro Gorki começou sua fala ironizando a truculência com que o povo é tratado no Senado: “É a primeira vez que entro aqui sem ser recebido pela polícia”.
Depois da audiência pública que lançou a Conape, Gorki seguiu à plenária, onde recebeu homenagem das senadoras Vanessa Grazziotin (PCdoB) e Fátima Bezerra (PT). “O Congresso da UBES foi vitorioso, pela grande participação dos jovens. Quero saudar a UBES pela luta pela cidadania do nosso povo”, disse Fátima Bezerra. Elas propuseram que o Senado votasse moção de aplausos à Pedro e à UBES.
Fonte: UBES

Veja como foi o 42º CONUBES

Pedro Gorki

Veja como foram os  debates, o pré-lançamento do filme Primavera, as atividades culturais e a plenária que elegeu o presidente mais novo da história da entidade: Pedro Gorki.

Não pôde ir a Goiânia participar do 42º CONUBES, que aconteceu de 29 de novembro a 02 de dezembro, e não conseguiu acompanhar a transmissão ao vivo do maior encontro de secundaristas da América Latina? Não tem problema, a gente resgata aqui para você. Veja como foram os  debates, o pré-lançamento do filme Primavera, as atividades culturais e a plenária que elegeu o presidente mais novo da história da entidade: Pedro Gorki.
(clique nos títulos das matérias para abri-las)

Secundas na mídia: UBES ocupa os veículos de comunicação

Encontro estudantil realizado em Goiânia entre os dias 29 de novembro e 2 de dezembro despertou a atenção de estudantes e jornalistas

16 anos, negro, nordestino: Pedro Gorki é o novo presidente da UBES

Congresso da maior entidade estudantil secundarista do Brasil terminou neste sábado (2) em Goiânia

42º CONUBES: Estudantes unidos em defesa do Brasil

Secundaristas decidem coletivamente aderir à greve geral no dia 5 de dezembro contra a reforma da Previdência

Com saudações de Manu e Ciro, UBES celebra 70 anos

Celebrações começaram durante congresso da entidade, na Arena Goiânia

Diversidade marca passeata do 42° CONUBES

Contra ‘Lei da Mordaça’, secundaristas provam que é possível fazer revolução com lacração

Milhares nas ruas contra censura na educação

Passeata com estudantes de todo o Brasil, reunidos em Goiânia, exige “escola sem mordaça”

Jovens da América Latina participam do CONUBES

Representantes dos secundaristas chilenos e colombianos se disseram impressionados com o movimento estudantil brasileiro

Escola sem Partido é inconstitucional, diz Subprocuradora-Geral da República

Deborah Macedo Duprat foi uma das convidadas da mesa do 42º CONUBES que debateu também a Contrarreforma do Ensino Médio

“Projeto tosco” da Escola sem Partido é criticado no CONUBES

Mesa do Congresso discutiu a lei da mordaça e a reforma do ensino médio

Reformas de Temer e o neoliberalismo no Brasil são alvo de críticas no Congresso da UBES

Os convidados discutiram a perversidade das reformas do governo Michel Temer e alertaram sobre o projeto de exploração humana que está em andamento no Brasil

UBES lança o Circus, Circuito de Cultura Secundarista

Estudantes e artistas se reuniram no 42º Congresso da UBES para criar uma rede para as expressões artísticas das escolas

Ocupações estudantis: os frutos da Primavera ficam

Debate no 42º Congresso da UBES analisou o protagonismo e empoderamento de mulheres, negras e LGBTs durante as ocupações de escolas

A escola técnica que queremos

Convidados do Conubes falam sobre a necessidade do jovem protagonizar a ciência

Defender a educação pública é defender a soberania nacional

A mesa tema do Congresso uniu os debatedores pela greve geral e Conferência Popular de Educação

42º CONUBES mostra que lugar de jovem é na política

Mesa do Congresso em Goiânia aposta na democracia como saída para o país e chama secundas para deixar a política com a sua cara

Passe Livre é direito e não favor

Gratuidade no transporte foi tema de debate no 42° CONUBES em Goiânia (GO)

Enegrescendo a conversa: UBES debate redução da maioridade

Mesa do Congresso discutiu a lei da mordaça e a reforma do ensino médio

Filme “Primavera” emociona estudantes na abertura do 42º CONUBES

Documentário sobre as ocupações estudantis marca o começo do maior encontro secundarista da América Latina

Eu amo baile funk: ritmo tem espaço no 42º CONUBES

MC Pocahontas, Imperadores da Dança, Liga do Funk e DJ Grandmaster Raphael estão afinados com a juventude do Congresso da UBES

“Mãe, estou no Goiás!”

Juventude cruza o Brasil com muito grito e chega ao 42ª Congresso da UBES

“Quando eu era Secundarista…”, Ana Petta

A diretora do filme Primavera participa da abertura do 42º CONUBES nesta quarta-feira (29), em Goiânia

42º CONUBES inaugura comemorações dos 70 anos da UBES

“A entidade é vista como uma organização que sustenta a esperança de dias melhores para o país”, afirma historiadora.
Fonte: UBES

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

DEPUTADO, O SENHOR SABE O QUE É UMA UNIVERSIDADE E O QUE ELA FAZ?

CAMPUS DA UERN, UFRN E IFRN (NOTURNO) NA REGIÃO DO AGRESTE PORTIGUAR, JÁ!

Por José Ronaldo -UERN

Alguns deputados estaduais do RN, felizmente uma minoria, não fazem a menor ideia do que é uma universidade, o que ela faz ou o que representa para um estado. Para se convencer dessa triste realidade, basta ouvir o que falam sobre a UERN. Vejamos alguns relatos e prestemos alguns esclarecimentos. 

1. O governo estadual deve financiar a UERN.

Um deputado disse em entrevista que o governo do RN não deveria financiar a UERN porque não é obrigado a fazê-lo. Na verdade o governo tem essa obrigação. Ele assumiu essa responsabilidade quando a UERN foi estadualizada há 30 anos e isso é um fato concreto. E nesse particular, ele é só mais um porque não tendo nada de excepcional nisso.

Somente o estado do Paraná tem sete universidades estaduais e região Nordeste tem 15 universidade estaduais. Dessas, quatro estão na Bahia e três estão no Ceará. Os estados de Alagoas e do Maranhão tem, cada um, duas universidade estaduais. Exitem inclusive vários municípios que financiam universidades, como por exemplos, Rio Verde, cidade do interior de Goiás (UNIRV) e Linhares, cidade do interior do Espírito Santo (FACELI).

2. Qual é o investimento do estado na UERN?

O mesmo deputado aparece em um vídeo nas redes sociais dizendo que a UERN custa R$ 33 milhões/mês ao contribuinte, ou seja, quase R$ 400 milhões/ano. Como não acreditamos que o deputado se arriscaria deliberadamente à vergonha pública, vamos trabalhar com a hipótese de que sua assessoria seja medíocre, ou no mínimo muito preguiçosa.

No ano passado o estado investiu pouco mais de R$ 263 milhões na UERN. E isso é muito para manter uma universidade? Vamos fazer uma comparação entre a UERN e universidade estadual da Paraíba, não apenas porque está na moda comparar os dois estados, mas também porque até pouco tempo eram economicamente bem parecidos. Pois bem, o governo da Paraíba investiu R$ 307,5 milhões na sua universidade estadual, a UEPB, ou seja, R$ 44,5 milhões a mais. 

Esses dados estão disponíveis ao público no portal da transparência de ambas as universidades. Um assessor menos preguiçoso teria encontrado facilmente esses números.

3. Quanto é o salário do professor da UERN?

O mesmo deputado novamente expõe sua assessoria quando diz em outra entrevista que o salário de um professor da UERN é 15, 18, 20 mil reais e nas federais é R$ 6, 8, 10 ou 12 mil. Pela quantidade de valores, vê-se quanta certeza ele tem sobre o que fala.

O salário médio de um professor da UERN é cerca de R$ 9 mil, perfeitamente compatível com o salário médio pagos pelas universidade federais sendo que estes, inclusive, são levemente superior. Em 2016, o governo do RN pagou R$ 241 milhões de reais em salários na UERN. O governo da Paraíba pagou R$ 260 milhões na folha de pagamento da UEPB e atenção, a folha da UERN também paga seus aposentados, a da UEPB, não. Uma dica elementar para a assessoria do deputado é olhar os recentes editais de concurso na UERN e nas federais. 

4. Na UERN tem estudantes de outros estados. 

Outro deputado se queixou de que na UERN há vários estudantes de outros estados. Ele não sabia dizer quantos, mas pareceu achar isso um absurdo.

Atualmente, cerca de 15% dos estudantes da UERN são de outros estados. Ora, os potiguares também estudam em universidades da Paraíba, Ceará, Pernambuco, além de outros. Em se tratando de universidades, isso é um fato natural, até porque os cursos oferecidos variam muito de uma instituição para outra. O RN não é uma ilha e como qualquer outro estado da federação, ele importa e exporta estudantes universitários o tempo todo. 

Há inclusive universidades em cidades de fronteira, como a Unipampa, no Rio Grande do Sul, que recebe centenas de estrangeiros (uruguaios) todo ano. 

O fato de a UERN ser procurada por estudantes de outros estados atesta que seus cursos têm qualidade. De fato, em 2015, ano em que a UERN adotou o ENEM-SISU, mais 61 mil inscritos disputaram uma vaga nos seus cursos.

5. O que a UERN faz.

O deputado também afirmou que não “sabia direito o que a universidade faz”.

Primeiro é necessário dizer que além do campus de Natal (Zona Norte), a UERN desenvolve suas atividades nos campi de Mossoró, Pau dos Ferros, Patu, Caicó e Assu. Tem núcleos avançados em São Miguel, Alexandria, Umarizal, Caraúbas, Apodi, Areia Branca, Macau, João Câmara, Touros, Santa Cruz e Nova Cruz. E o que ela faz nesses locais?

- Ela forma pessoas.

A UERN faz o seu papel enquanto universidade e faz bem feito. Ela tem sob sua responsabilidade a formação de mais de 11.485 estudantes de graduação e 1.167 estudantes de pós-graduação. Para isso, abre anualmente mais de 2.000 mil vagas aos potiguares nos seus 69 cursos de graduação presenciais, três cursos de graduação a distância, 20 cursos de mestrados acadêmicos e 2 cursos de doutorado. Esses cursos estão em sua quase totalidade no interior do estado potiguar e cerca de 70% da sua clientela provém de famílias de baixa renda.

A UERN formou quase 100% dos professores da Rede Básica de Ensino que atuam na região oeste do estado. Além disso, forma enfermeiros, economistas, cientista da computação, advogados, médicos e diversos outros profissionais que passam a atuar nas cidades em que se formam ou no seu entorno. Ela já formou mais de 40 mil profissionais no interior do estado e isso representa não apenas melhoria dos serviços das cidades do RN, mas também e principalmente a inclusão social dessas pessoas.

- Ela atua nas comunidades.

A UERN atua diretamente junto às comunidades executando mais de 170 projetos de extensão. Esses projetos capacitam e promovem a melhorias na produção, serviços e na vida das pessoas, no campo e nas cidades. Além da prática jurídica, que presta assessoria a dezenas de cidadãos diariamente, a universidade mantém clínicas e ambulatórios odontológicos, que atendem centenas de pessoas de baixa renda. O projetos de extensão nas escolas incentivam a leitura e promovem a cultura. Além disso, são oferecidos diversos cursos para a população, somente na Zona Norte de Natal, são mais de mil pessoas participando de atividades realizadas no seu Complexo Cultural. 

- Ela capacita e faz pesquisas científicas.

A UERN promove pesquisas voltadas para a solução dos problemas do estado. Só em 2016 seus programas de pós-graduação matricularam mais de 600 estudantes de mestrado e doutorado. Nesse mesmo ano, seus pesquisadores publicaram 342 artigos científicos, 362 capítulos de livros e registraram 23 patentes como resultados de suas pesquisas. Esses pesquisadores analisaram e apresentaram soluções para os mais variados problemas. Um outro dado relevante desses programas, é que em 2016, seus estudantes receberam do governo federal cerca de R$ 3,4 milhões de reais em bolsas, recursos esses injetando das cidades do interior do estado. 

6. O estado do RN precisa fortalecer a UERN

Por fim, alguns deputados precisam entender que o debate sobre uma universidade não se limita a uma simples questão contábil. Ao andar pelo interior do estado, em particular na região oeste potiguar, os deputados podem perguntar às pessoas onde elas se formaram. Ao encontra uma das mais de 40 mil pessoas formadas pela UERN, pergunte o que elas pensam da universidade que a formou. 

Perguntem o que a UERN representou na vida delas e de suas famílias. Perguntem ao médico nascido e radicado na cidade do interior o que lhe possibilitou o diploma. Perguntem ao professor onde ele teve a sua licenciatura. Pergunte ao comunicador social que fala nas rádios, na TV ou escreve nos jornais como surgiu sua oportunidade para se capacitar. 

Perguntem aos prefeitos e empresários das cidades onde se formou a mão de obra especializada que consultam e contratam. Ou simplesmente perguntem a um colega, deputado na Assembleia Legislativa do RN, sim porque lá também tem estudante da UERN, o que pensa da universidade. 

Enfim, pergunte, informe-se e, se a sua motivação for de fato um futuro melhor para o nosso estado, irá sem dúvida reconhecer que no estado precisa fortalecer a UERN.

Nos enviado em 21/11/2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ELE É POTIGUAR E ENTRA PARA A HISTÓRIA!16 anos, negro, nordestino: Pedro Gorki é o novo presidente da UBES

Congresso da maior entidade estudantil secundarista do Brasil terminou neste sábado (2) em Goiânia.

Terminou neste sábado (2), em Goiânia, o 42º Congresso da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), a maior organização estudantil do país ao lado da UNE. Os milhares de estudantes do ensino fundamental, médio, técnico e preparatório escolheram Pedro Gorki, 16 anos, estudante do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, como presidente da entidade pelos próximos dois anos.
A chapa de Pedro, “Secundas Em luta, em defesa da educação e do Brasil” obteve 2.101 votos de um total de 2.513 delegados, representando 83,7% da votação, Também participaram a chapa “Oposição UBES na rua”, que obteve 391 dos votos, contabilizando 15,5%, e “Articulação de Esquerda”, com 21 dos votos, totalizando 0,8% do pleito.
O Congresso da UBES reuniu cerca de 10 mil estudantes do ensino fundamental, médio e técnico do Brasil na capital de Goiás desde a última quarta (29). Foram realizados mais de 10 debates, com mais de 60 convidados das áreas da política, cultura e dos movimentos sociais.
Em uma grande passeata, os estudantes marcaram a sua posição contra a censura nas escolas e o projeto da Escola Sem Partido. A UBES também definiu a oposição da juventude às reformas do governo de Michel Temer e a adesão à greve geral convocada pelas centrais sindicais para o próximo dia 5 de dezembro.
Pedro Gorki durante manifestação pelas ruas de Goiânia


Um menino com o coração nos olhos

Pedro Lucas Gorki, natural de Natal, Rio Grande do Norte, é desses adolescentes que parece sorrir com a mesma frequência que respira. Quando conversa com os outros, quase sempre sobre política, transmite um otimismo improvável para quem vive um dos momentos de maior descrédito da população no futuro do país. Sereno, voz doce e sotaque nordestino, emociona-se facilmente no meio de um assunto e não tem medo de que o interlocutor veja os seus olhos quando as lágrimas chegam. Porém, os que apostam na tese de uma pessoa frágil não sabem que ali na sua frente está um dos principais líderes da ocupação radical de escolas no Brasil nos últimos anos e agora presidente da maior organização de juventude secundarista de toda a América Latina.
Negro, com a idade de apenas 16, nascido em um bairro de pescadores e operários na periferia da capital potiguar, o novo presidente da UBES é um prato cheio para quem busca um cardápio de quebra de expectativas. A idade e o rosto indisfarçável de menino trazem a ideia de alguém ainda inexperiente na vida e na militância. No entanto, Gorki começou – inacreditavelmente – aos sete anos, quando falou em solidariedade às crianças palestinas em um ato de repúdio aos violentos ataques de Israel aos territórios ocupados no Oriente Médio, no ano de 2008. Na mesma época, batizou seu cachorro com o nome de Lênin e juntou-se a uma companheira da mesma idade em um projeto de fundação da União das Crianças Socialistas.
Os pais, embora atuantes no movimento sindical e na política de Natal, enfrentaram o desafio de lidar com a precocidade do filho. Quando Pedro tinha 11, foram chamados ao Colégio Nossa Senhora das Neves para ouvir a preocupação da coordenação com um livro encontrado com o menino. Era “Assim falava Zaratrusta”, do filósofo alemão Friedrich Nietzche. Aos 12, já estava lendo “Casa Grande e Senzala”, do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, falando no microfone durante greves, manifestações e participando ativamente das jornadas de junho de 2013 que mudaram o país. Naquela época, pediu à mãe para ficar acampado na ocupação da Câmara Municipal de Natal, mas o pedido foi negado.
Gorki em marcha contra lei da mordaça

Porém, em 2016, quando tinha 15 e o Brasil começava presenciar a explosão da resistência nas escolas contra o governo Temer, a Reforma do Ensino Médio e o desmonte na educação do país, as ocupações e Pedro iriam finalmente se encontrar. Ele planejou e liderou centenas de outros jovens na tomada do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, a maior instituição do gênero no estado. Em seguida, levou a mesma ação a dezenas de outras escolas da capital e transformou o Rio Grande do Norte em um dos pólos do movimento no país. A ação mais radical ainda estaria por vir: a ocupação da secretaria de Educação do estado, pelos estudantes, que tornou Gorki uma liderança nacional e chamou a atenção dos movimentos de juventude de todo o país. A ocupação durou dez dias e o grupo de Pedro conseguiu pressionar o governador Robinson Faria (PSD), que foi obrigado a se reunir e negociar com os estudantes.
A ocupação trouxe vitórias como a melhoria na rede pública estadual e a reconstrução da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de Natal (UMES), que estava desativada. Pedro foi eleito presidente da organização ainda no final de 2016 e, menos de um ano depois, já chegou a presidente da UBES, representando quase 50 milhões de estudantes brasileiros do ensino fundamental, médio, técnico e profissionalizante. “Acredito que a UBES é uma entidade histórica, que completa agora seus 70 anos e que já demonstrou com as ocupações que pode ser uma força capaz de mudar o jogo de forças no Brasil. Este será um novo período de muita luta nas escolas”, promete.
Entre as prioridades de Gorki está o combate à censura nas escolas, à lei da mordaça e projetos como o da Escola Sem Partido: “A sociedade brasileira está cansada e desanimada com tudo o que vem acontecendo. Em um momento assim, infelizmente aparecem projetos autoritários como esse, assim como foi na Alemanha antes do nazismo, na Itália antes do fascismo. Isso precisa ser combatido. A escola que queremos é democrática, transformadora, libertadora”, justifica. Ele também destaca a necessidade de revogar a PEC do congelamento dos investimentos públicos na educação e garantir o acesso dos jovens pobres à universidade.
Camila Lanes passa presidência para Pedro Gorki
Consciente de quem é, da sua cor e de onde veio, Pedro se lembra de apenas um momento quando a mansidão e a calma do seu temperamento ferveram e entornaram o caldo. Com um soco, atingiu um colega de escola que o chamou de “negro imundo”. Chegou a se arrepender, chorar e receber o pedido de desculpas do garoto nos dias seguintes, mas fortaleceu as suas convicções na luta contra o racismo no Brasil. Assumindo a UBES após três meninas na sequência (Manuela Braga, Bárbara Melo e Camila Lanes), ele diz que busca entender cada vez mais as conseqüências do machismo na sociedade e o desafio da igualdade entre os gêneros. Afirma que fará uma gestão com ampla participação feminina e LGBT.
Por incrível que pareça, Pedro ainda é um jovem normal, interessado em se divertir e aproveitar a sua idade. É apaixonado por futebol e torcedor aguerrido do América –RN, que hoje disputa a série D do campeonato brasileiro.Vai ao cinema e também assiste a seriados em casa, é fã de literatura e possui mais livros do que roupas no armário. Na música, gosta de muita coisa, do rock à MPB. Tem como um dos ídolos o cearense Belchior, cuja morte lamentou em 2017. É dele a autoria de uma das frases favoritas de Pedro: “Amar e mudar as coisas me interessa mais.” A partir de hoje, o que interessa a esse menino também interessa ao futuro de toda a juventude Brasil.
Por Artênius Daniel, de Goiânia.
Fotos: Nilmar Lage, Léo Souza e Gui Silva.
UBES