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domingo, 22 de novembro de 2015

No Congresso da UBES eu me sinto mais!



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Estudantes contam como foi trazer suas lutas para 41° CONUBES
 
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Participar do Congresso da UBES (Conubes), o maior encontro secundarista de toda América Latina, sem dúvidas é um momento único para todo jovem brasileiro que constrói a luta do movimento estudantil na sua escola. Nas caravanas que se espalharam durante os quatro dias de atividades, para milhares de estudantes essa foi a primeira grande experiência em um congresso estudantil.

A PRIMEIRA VIAGEM

Vinícius Silveira é de Sergipe, essa foi a primeira vez que ele pegou a estrada, enfrentando trinta e seis horas de viagem. “Eu queria lutar, mudar as coisas, mas sabia que sozinho não conseguiria. Entrei na internet e descobri a UBES. Foi então, depois de um ano inteiro pedindo para minha mãe que eu consegui chegar até aqui”, conta o secundarista.

Depois de dois meses de mobilização na Baixada Fluminense (RJ), a líder estudantil da Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC), Dayane Sommer, conta que mobilizou 43 escolas para vinda ao Conubes. No dia de partida, os ônibus foram cancelados e a caravana do Rio de Janeiro iniciou uma verdadeira corrida contra o tempo. “Fizemos mais de uma hora de pedágio, conseguimos bater a meta, reunir verba e chegar até aqui com sede de fazer mudança”, comemorou.

NASCEM NOVAS MOBILIZAÇÕES

Outros marinheiros de primeira viagem se surpreenderam ao descobrir que muitos desafios podem ser idênticos e unificados em diferentes escolas e regiões. Foi assim que a estudante do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, Beatriz Carneiro, percebeu que o enfrentamento à ditadura dos uniformes não era só do campus Mossoró, onde estuda. A secundarista descobriu que a indignação estudantil é coletiva contra a imposição do uso do jeans e a proibição da calça legging.

“Há secundaristas que estudam nos três turnos, amigas minhas que já desenvolveram problemas de saúde por não vestir uma roupa mais confortável. Aqui no Conubes nasceu uma nova mobilização, descobrimos que podemos e vamos nos organizar, juntar ideias e levar essa disputa para outros institutos.

A PRIMEIRA DE MUITAS

Ansiosos pelo próximo, muitos já esperam para participar do congresso que só acontecerá daqui há dois anos, como conta a já veterana, Lorena Francine, secundarista da Bahia. Com cocar indígena na cabeça e rosto pintado, lembra que esse é o segundo encontro que participa, justificando. “Como mulher, e vendo outras mulheres ocupando a linha de frente do movimento estudantil, no congresso da UBES eu me sinto mais”, finaliza.

Fonte: UBES

sábado, 21 de novembro de 2015

41° Congresso da UBES

“As diversas faces do racismo no Brasil e caminhos para sua superação”


Rodger Racismo
No dia da Consciência Negra, o diretor de Combate ao racismo da UNE, Rodger Richer, faz uma reflexão para a construção de caminhos que levem a igualdade
“Eles querem alguém
Que vem de onde nóis vem
Seja mais humilde, baixe a cabeça
Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se…” (EMICIDA)
O racismo no Brasil é estruturante das relações sociais, econômicas, políticas, culturais, institucionais e ambientais. O Sistema Capitalista se vale da dominação racial para explorar a classe trabalhadora e se manter hegemônico no mundo. Não há como falarmos de capitalismo sem falarmos de racismo. A classe trabalhadora brasileira tem cor: é negra.
Para compreender se há racismo no Brasil basta responder o seguinte questionamento: onde a população negra está em nossa sociedade?
Nos grandes centros urbanos, as periferias das cidades são compostas majoritariamente por negros(as). Nas universidades existem pouquíssimos(as) professores(as) negros(as). A maioria do povo negro trabalha em empregos informais e o cacetete e a bala da polícia pune e mata seletivamente dia após dia. Tais exemplos são evidentes para constatar que o racismo no Brasil não é velado: ele é escancarado e só não o enxerga quem ainda não enegreceu o olhar para percebê-lo!
Como consequência de uma abolição tardia a população negra brasileira historicamente encontra-se nos piores postos de trabalho, não se vê representada nos livros didáticos e de história, nos meios de comunicação, e tem sido sistematicamente exterminada fruto de uma cultura racista de violência tanto física, quanto simbólica.
Nas universidades há um forte processo em curso de morte da produção de conhecimento da população negra: o epistemicídio. Esse conceito sintetiza o racismo encravado nas estruturas das Instituições de Ensino Superior. Muitos projetos de pesquisa elaborados por negros(as) que tratam do racismo e da população negra são rechaçados pelas bancas de mestrado, doutorado e monografia. Trata-se de uma cláusula de barreira que visa cercear a ocupação do espaço universitário pelos corpos negros e suas consciências. Nas escolas isso também não é diferente. Mesmo com a aprovação da Lei 10.639, que prevê o ensino da história de África, muitos(as) professores(as) não colocam essa questão com centralidade nas aulas.
Todos os dias a mídia retrata a população negra como potencial criminosa. Os programas “policialescos” em pleno horário de almoço mostram corpos negros mortos por confrontos entre a polícia e o tráfico como se não representasse absolutamente nada. Sempre a população negra é retratada nas novelas e programas como ladrões, criminosos e em precárias condições de trabalho, numa relação de subalternidade em relação à população branca. Há uma naturalização das mortes da população negra por parte da grande mídia hegemônica. É preciso regulamentar a mídia para combater essa brutal forma de racismo que tenta impor qual o lugar que a população negra deve estar.
Nossa estética, cultura e identidade são ridicularizadas pelos(as) racistas. Dizem que nosso cabelo não é bom, que nosso nariz é feio, que nossas danças não prestam e que nossa religião é do mal. O racismo constrói uma polarização que coloca a cultura negra como o “mau” e a branca como “boa”. É preciso desconstruir tal perspectiva a partir da afirmação da nossa cultura, identidade e estética como uma forma de se fazer política.
É muito contraditório no Brasil — onde a imensa maioria da população é negra — não observarmos a população negra ocupar proporcionalmente os de espaços de poder. É preciso virar o tabuleiro desse jogo e construirmos uma nova correlação de forças que tenha uma perspectiva afro-centrada. Nós queremos ser protagonistas da nossa própria história e vamos lutar para que as nossas histórias sejam visibilizadas e narradas por nós mesmos!
É necessário que nós, jovens negros e negras, coloquemos em nossas costas a responsabilidade histórica de combater esse sistema racista, patriarcal, LGBTfóbico e capitalista. Muitos(as) de nós somos os(as) primeiros(as) das nossas famílias a entrar no ensino superior, a ter melhores oportunidades de emprego, dentre outros. É preciso lutar para ampliar essas conquistas para os nossos irmãos e irmãs. Por isso, a autoorganização no movimento negro é de suma importância.
As políticas afirmativas são fundamentais para reparar as assimetrias entre negros(as) e brancos(as), incluindo a população negra em espaços como as universidades, concursos públicos federais, dentre outros. É necessário pensar em um novo modelo de segurança pública que não extermine seletivamente negros(as), lutar contra o superencarceramento da população negra e por uma nova política sobre drogas.   Precisamos lutar pelo direito de viver, para que possamos estar vivos(as) para estudar, trabalhar e transformar essa sociedade.
Dias como o 20 de Novembro são importantes para refletirmos sobre a necessidade urgente de romper com esse sistema racista e opressor. Tal data simboliza o dia da consciência negra em homenagem à Zumbi dos Palmares: símbolo de resistência e luta contra a escravidão no Brasil. Contudo, é fundamental lembrarmos todos os dias da consciência, vida e cultura negra! A luta antirracista e anticapitalista deve ser travada cotidianamente.
Em uma conjuntura de crise econômica, social e política que penaliza a classe trabalhadora (que é majoritariamente negra) é de extrema importância pensarmos em saídas para essa crise que apontem um caminho pela esquerda. Isso necessariamente perpassa por pensar novas formas de se fazer política que coloquem como eixo estratégico o enfrentamento ao racismo. A saída para a crise não é unificar a SEPPIR, SPM e SDH em um só Ministério, muito menos imprimir um Ajuste Fiscal que penaliza os andares de baixo. Os ricos que devem pagar por ela! Da mesma maneira não podemos tolerar que figuras como o Eduardo Cunha organizem sucessivas derrotas para o povo negro no Brasil, como a recente aprovação da PEC 171 na Câmara dos deputados que prevê a redução da idade penal. Tal figura representa um grande retrocesso para o povo brasileiro! Uma das nossas tarefas centrais enquanto movimento social é lutar pela sua saída da presidência da câmara e barrar a redução da idade penal!
Nesse cenário político tensionado em que se encontra o nosso país,  é necessário que nós negros e negras estejamos bastante unidos(as) para construir as transformações necessárias e declarar guerra aos nossos reais inimigos: o racismo e o capitalismo! Vamos nos contrapor à essa constante investida conservadora e reacionária que ao longo da nossa história sempre tentou nos impor derrotas. Lá atrás lutaram pela manutenção da escravidão no país e em defesa da Ditadura Militar. Lá atrás organizaram manifestações contra as cotas e em defesa da meritocracia. Agora, defendem a redução da idade penal e a polícia militarizada que visa exterminar e cercear as liberdades da população negra. Essas figuras são nossos inimigos é pra eles que declaramos guerra: NÃO PASSARÃO!
PAZ ENTRE NÓS E GUERRA AO RACISMO!
*Rodger Richer é  estudante de Ciência Política na UFBA, diretor de Combate ao Racismo da UNE e membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Por que os estudantes estão ocupando as escolas?

Por Cristiane Tada
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que uma “reorganização” que separa os estudantes do ciclo básico e do ensino médio para 2016. A decisão foi totalmente unilateral, não procurou diálogo e muito menos levou em consideração a opinião da comunidade escolar que serão os mais prejudicados, ou seja, pais, professores e estudantes. Nessa reorganização Alckmin anunciou o fechamento de 94 escolas em todo o estado que atingirá 311 mil estudantes e 74 mil professores.
O QUE QUEREM OS ESTUDANTES?
Impedir o fechamento das escolas que estudam, alguns estão nelas desde a infância. Eles explicam que a mudança não será para melhor, porque além da inconveniência da distância das novas escolas para alguns, com a transferência as salas estão ficando superlotadas.
QUAL É A SITUAÇÃO ATUAL?

Já são quase 60 escolas ocupadas por estudantes, professores, pais, com apoio dos movimentos sociais em todo o Estado. A concentração está principalmente nas escolas da capital e do ABC. A PM tem coagido como pode. A truculência é maior nas escolas de periferia. A ocupação dos estudantes é totalmente pacífica e legítima. O movimento de ocupações só cresce e está sendo organizado pelos próprios alunos.
Fonte: UNE

Contra fechamento de escolas, presidentas da UBES e da UPES são detidas em SP

Camila Lanes e Angela Meyer participavam da ocupação de uma unidade de ensino na zona leste da capital paulista
A estudante Camila Lanes, eleita presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) neste último fim de semana , e a presidenta da Upes (União Paulista de Estudantes), Angela Meyer, ficaram detidas pela Polícia Militar dentro da escola Estadual Professor Moacyr Campos (Mocam) por algumas horas na manhã desta quarta-feira.
Camila e Angela participam desde a terça-feira, ao lado de outros 80 alunos do Grêmio Estudantil da Mocam, da ocupação da unidade de ensino na zona leste da capital paulista. Já são pelo menos 52 escolas ocupadas em todo o Estado, segundo levantamento do Centro de Mídia Independente. A lista completa pode ser acessada aqui.
Na começo da manhã, um grupo de policiais portando fuzis invadiu o local e após discussão deram voz de prisão às duas militantes, alegando danos ao patrimônio. Um professor da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) foi detido pelas forças de segurança.
Os policiais colocaram uma fita no braço delas para identificação, apreenderam os seus documentos e as mantiveram detidas. Segundo relato da presidenta da UBES, a pressão de mais de 300 estudantes que protestavam em frente ao prédio em resistência à prisão das militantes evitou que os policiais as levassem para a delegacia.
“O delegado decidiu que nós não tínhamos de fato feito nenhum dano ao patrimônio da escola, apenas tínhamos ‘invadido’, por isso decidiram nos liberar”, conta Camila.
Neste momento, os estudantes que estão do lado de fora da escola estão proibidos de acessar o prédio pela Polícia Militar. Cerca de vinte alunos mantém a ocupação. Apenas professores podem entrar e sair da edifício. As presidentas da UBES e da UPES continuarão na escola apoiando a ocupação dos estudantes da Mocam e dialogando com a Polícia Militar.
“Tem estudante dormindo no chão em cima da cortina da sala de aula. Já temos mais 50 escolas ocupadas. Vamos com tudo ocupar mais escolas para barrar essa desorganização do Alckmin”, convocou Camila.
UBES chama “Dia Nacional de Solidariedade à Ocupação de Escolas em São Paulo”
Durante o seu 41º Congresso, que se encerrou no domingo 15 em Brasília, a UBES chamou em caráter de urgência o “Dia Nacional de Solidariedade à Ocupação de Escolas em São Paulo” para esta quinta-feira, 19 de novembro. 
Em todo o país, estudantes sairão às ruas demonstrando o seu apoio aos colegas paulistas e exigindo a garantia do direito à educação.
Entenda o movimento “Não Feche A Minha Escola”
No início de outubro, a Secretaria de Educação de São Paulo anunciou uma “reorganização escolar” para os colégios das rede estadual terem um ciclo único, isto é, cada unidade terá somente ensino médio, fundamental 1 ou 2.
A iniciativa contou com o repúdio de toda a comunidade escolar: estudantes, pais e professores realizaram diversos protestos em todo o Estado num movimento que ficou conhecido como“Não Feche a Minha Escola”. Algumas manifestações foram violentamente reprimidos pela Polícia Militar.
Desde o início, a UBES e a UPES tem se posicionado contra o fechamento das escolas e cobrado uma posição do governador. A presidenta da entidade paulista, Angela Meyer, chegou a questionar Alckmin pessoalmente sobre os cortes, contudo não obteve resposta (o vídeo viralizou nas redes, você pode vê-lo aqui).
No início de novembro, no entanto, Alckmin anunciou o fechamento de 94 escolas: 25 estão na capital, 30 na Grande São Paulo e 39 no interior — afetando mais de 1 milhão de alunos.
Na surdina, o governador tem aumentado a faca. A Escola Estadual Martin Egídio Damy, na Brasilândia, zona norte da capital, terá o seu ensino médio fechado, apesar do colégio não constar na lista oficial. A instituição está ocupada pelos estudantes desde esta segunda-feira.

Para pôr fim às ocupações, a polícia chegou a cortar a energia e a água de algumas unidades e invadiu a escola José Lins do Rego, na zona sul, agredindo estudantes e professores. A Primavera Secundarista tem contado com o importante apoio de movimentos sociais, como o MTST, na manutenção das ocupações.
Fonte: UBES