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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

”A precarização vai gerar o desemprego de alta escolaridade”

Economista Márcio Pochmann falou ao site da UNE sobre as armadilhas da reforma trabalhista e como ela afetará nossos jovens universitários

Quando Nelson Paliarussi terminou a faculdade de Jornalismo, em 2012, não imaginava a situação em que estaria algum tempo depois. Em 2017, dois anos sem trabalho, atuando nos famosos “freelas” e bicos em áreas diferentes da sua formação, até mesmo na Construção Civil para seguir em frente, o jornalista de 27 anos ainda sonha com um futuro melhor.
”Na época em que fiz jornalismo o momento econômico era outro, e já estava na empresa na qual fui efetivado como editor de texto. É complicado enfrentar o sonho do diploma versus o desemprego, já que nós profissionais nos esforçamos bastante. Mas tem que seguir em frente e não pode se deixar levar, pois a autoestima tende a baixar”, falou.
Situações como a de Nelson infelizmente não são corriqueiras. Ao passo que as reformas debatidas e aprovadas no Congresso Nacional, como a nova Lei Trabalhista, são vendidas como solução para o país, o desemprego só aumenta. Os jovens representam atualmente 35% dos desempregados no mundo. No Brasil, segundo dados da organização Internacional do Trabalho (OIT), a expectativa é de que o desemprego entre os jovens atinja os 30% ainda neste ano, o nível mais elevado desde 1991.
Em entrevista ao site da UNE, o economista Márcio Pochmann comentou essas e outras questões.
”O Brasil que está saindo da recessão não tem base industrial, depende fundamentalmente de serviços, e os serviços sem uma base produtiva em geral são postos de trabalho de baixa remuneração, então nós vamos começar a ter uma situação que os dados já mostram: o desemprego vem crescendo rapidamente entre os jovens de maior escolaridade. Como o país não tem condições de criar empregos de qualidade, porque não tem em curso uma política de criar empregos de qualidade, nós vamos gerar agora o desemprego de alta escolaridade. As pessoas estão se formando e não tem emprego compatível com a formação”, destacou Pochmann.
Confira na íntegra:

PESQUISA SOBRE DA OIT, DIVULGADA NO ÚLTIMO DIA 20 AFIRMA QUE DESEMPREGO ENTRE OS JOVENS NO BRASIL DEVE ATINGIR NO FIM DE 2017 A MAIOR TAXA EM 27 ANOS, COM 30% DAS PESSOAS DE 15 A 24 ANOS EM BUSCA DE UMA OCUPAÇÃO. A REFORMA TRABALHISTA QUE JÁ ESTÁ EM VIGOR, E O AUMENTO DA TERCEIRIZAÇÃO PODE PIORAR ESSE CENÁRIO PARA OS JOVENS?

As mudanças na legislação da relação capital/trabalho na verdade não impactam no nível de emprego. Não há comprovação empírica dos diversos estudados realizados que a mudança na legislação consiga ampliar o número de empregos, agora o que nós percebemos nesse sentido das modificações feitas no Brasil, paralelo com a de outros é que mesmo para o nível de emprego existente a flexibilização vai favorecer o surgimento de contratos fracionados, o que significa dizer que alguém que tem um emprego de 8h diárias, 44 semanais, esse emprego vai se transformar em dois ou três outros contratos.

A FAMOSA JORNADA INTERMITENTE?

Exatamente. À luz de outras experiências internacionais o que se verifica é justamente o fracionamento de contratos de trabalho já existentes, dois ou três novos para um posto de trabalho já existente. Isso vai significar mais pessoas sendo contratadas com jornadas menores, os níveis de emprego, as necessidades da economia do capital em relação ao uso mão de obra se mantém o mesmo, o que acontece é que terão jornadas menores de trabalho e portanto mais pessoas serão contratadas.

E OS SALÁRIOS? COMO FICAM?

Esse maior número de pessoas contratadas virá acompanhada de salários menores, por exemplo, se alguém ganha mil reais trabalhando 8 horas diárias, por ventura esse contrato se divide em dois para ganhar 500 reais. Nesse sentido o desemprego tende a cair de forma artificial, não é que a economia está aumentando o nível de emprego, é que as pessoas estão sendo contratadas com jornadas e salários menores.
É claro que para o trabalhador que tem zero hora de trabalho, poder ter 10h de trabalho na semana será uma opção, mas não alivia. O que gera emprego não é a legislação trabalhista, mas sim a expansão econômica.

COMO PODEMOS EXPLICAR ESSAS ALTAS TAXAS DE DESEMPREGO ENTRE JOVENS COM MAIOR NÍVEL DE ESCOLARIDADE?

O Brasil que está saindo da recessão não tem base industrial, depende fundamentalmente de serviços, e os serviços sem uma base produtiva em geral são postos de trabalho de baixa remuneração, o que explica essa situação que os dados já mostram: o desemprego vem crescendo rapidamente entre os jovens de maiores escolaridade, algo constrangedor para um país com baixa escolaridade, apesar da melhora dos anos 2000, mas ainda temos menos de 15% de 18 a 24 anos matriculado no ensino superior, mas como o país não tem condições de criar empregos de qualidade, porque não tem uma política de criar empregos de qualidade, a precarização vai gerar agora o desemprego de alta escolaridade. As pessoas estão se formando e não tem emprego compatível com a formação. Portanto, vão ter que aceitar empregos de remuneração menor, e a pessoa que tem mais escolaridade termina tendo mais condições de competir nesse ambiente de empregos precários, então vão expulsar as de escolaridade menor.

DE QUAIS FORMAS PODEMOS OFERECER CONDIÇÕES PARA OS JOVENS ENTRAREM NO MERCADO DE TRABALHO?

Eu acredito que a melhor política para o jovem seja oferecer condições para que ele possa permanecer mais tempo estudando e se qualificando, do que ter que entrar muito cedo no mercado de trabalho. Porque ao entrar cedo ele ingressa com menor qualificação, menor chance de competir e vai ficar prisioneiro de empregos precários e vai comprometer as condições dele estudar.
O jovem que consegue trabalhar e estudar hoje está submetido a condições comparáveis com o século XIX, por uma jornada extremamente elevada. Por exemplo, 8h de trabalho por dia, em regiões metropolitanas no Brasil ele gasta de 2 a 4h apenas no deslocamento da escola do trabalho para a casa. 8h mínimas de trabalho, mais 4h de deslocamento e mais 4h de frequência na escola, são 16h num total. Que horas ele vai ter tempo de estudar? Quando ele vai ter tempo para ser jovem? O que é fundamental na vida de qualquer um. São verdadeiros heróis os nosso jovens que conseguem fazer isso, é muito difícil, além de não dar a ele as condições adequadas para fazer uma boa formação.

E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA? QUAIS OS IMPACTOS DELA PARA O FUTURO DE NOSSOS JOVENS E, CLARO, A ECONOMIA DO PAÍS?

A reforma da Previdência deveria ser feita sobre outros aspectos, a atual proposta é desestimulante, não apenas para os próprios jovens, mas para as pessoas que já estão trabalhando nos chamados postos de trabalho precários. Na terceirização, as pessoas não conseguem permanecer, por exemplo, trabalhando 12 meses e contribuindo 12 meses por conta da rotatividade.
A reforma trabalhista que está em curso vem na verdade para destruir a previdência, porque já teremos pela terceirização generalizada uma redução drástica nas contribuições, por conta do estímulo a novas formas de contratação como PJ, por exemplo. A terceirização usa de formas de contratação com custos muito menores e menores contribuições para previdência, por isso, mesmo que as pessoas continuem empregadas não terá repercussão como teria anteriormente.
Essas mudanças na Previdência apresentadas – caso aprovadas- , elas certamente desestimulam os jovens a contribuírem desde cedo. Estamos quebrando o sentido de cooperação intergeracional que é justamente os jovens contribuírem para a previdência para poder sustentar quem já trabalhou e contribuiu há muito tempo, os inativos. Teremos uma quebra, tem menos jovens entrando no mercado de trabalho, com menos jovens contribuindo obviamente vai se tornar mais difícil o próprio financiamento da previdência.

QUAL SÃO AS NOSSAS ALTERNATIVAS?

Estamos vendo o desembarque do povo das políticas públicas, é um privilegiamento do golpe, da origem de quem o formulou, de prevalecer os interesses dos mais ricos. São nítidas as ações feitas nesse sentido.
O momento é agora de barrar o retrocesso. Estamos na iminência inclusive do povo não conseguir escolher os seus mandatários. Lembrando que a própria Emenda Constitucional 95 que foi aprovada pelo atual Congresso, uma iniciativa do governo Temer, ela impossibilita que os próprios 5 presidentes tenham capacidade de alterar as políticas públicas porque a EC impede, por exemplo, que a educação, a saúde e outros gastos não financeiros sejam aumentados além da inflação. Isso quer dizer que teremos 20 anos de redução nesses gastos, portanto o cenário é muito desfavorável. Ele pode ser alterado, mas isso requer repressão popular, participação dos jovens e dos setores da sociedade, porque senão só poderemos lastimar.
UNE

DCE da UERJ convoca ato na ALERJ pela aprovação dos Duodécimos

Luta por autonomia universitária e garantia de financiamento público é foco dos estudantes desde início da crise financeira.
Nesta terça-feira (19/12) os estudantes da UERJ fazem umato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro a partir das 14h pela aprovação da PEC 47, a PEC dos duodécimos das Universidades Estaduais, que na prática pode autorizar autonomia financeira para a instituição que chegou a ficar ameaça de fechar as portas nesse ano devido a falta de verbas. “A ideia é ocupar as galerias e pressionar os deputados para aprovar a PEC, se tudo der certo e for aprovada a mudança na Constituição segue para a segunda discussão e votação já na quinta-feira (21)”, destacou a coordenadora do DCE Natália Trindade.  Se passar pelo crivo dos parlamentares a PEC já entra em vigor automaticamente.
Participação do DCE em Audiência Pública no Congresso Nacional para falar de financiamento da universidade pública
Desde outubro, os estudantes do DCE UERJ  “Gestão Nosso Sonho Não Vai Terminar”  vem travando um debate sobre autonomia universitária e financiamento público para  pensar em conjunto com os estudantes formas de resgatar a Universidade do caos que foi implementado e projetado pelos Governos Cabral e Pezão.
Posse da UEE/RJ e lançamento da campanha da UNE na UERJ
Na época o Diretório lançou a “Caravana A UERJ Vale a Luta”, que rodou praticamente todos os campi – faltando apenas FEBF e CAP – , ao mesmo tempo em que a UNE lançou a campanha “Universidade não se vende, se defende”, que visa defender dos ataques privatistas a Universidade pública, gratuita e de qualidade.
“Além desses debates, fomos ao Congresso Nacional e construímos ativamente junto ao SINTUPERJ e à ASDUERJ idas à ALERJ para dialogar com os deputados sobre a importância de uma pauta positiva para a Universidade. Foi nesse contexto de muito diálogo e busca conjunta em saídas pra crise que nos foi imposta que nasce a PEC47/2017, a PEC dos duodécimos das Universidades Estaduais”, explicou Natália.
 Atividade da Caravana do DCE na unidade da UERJ da cidade de Resende 

MAS O QUE SÃO ESSES DUODÉCIMOS?

São o orçamento da Universidade aprovado na LOA (Lei Orçamentária Anual) dividido em 12 partes, que tem repasse obrigatório, e caso não seja feito o Executivo comete crime de responsabilidade.

O QUE MUDA DO QUE JÁ TEMOS AGORA?

Atualmente, a UERJ não possui um caixa próprio, sendo os seus recursos provenientes o caixa único do Estado, ou seja, a UERJ não gere recursos, ela apenas emite “pedidos” para que o Estado pague os servidores, bolsistas e fornecedores. Com os duodécimos, a UERJ ganha autonomia financeira, porque passa a ter recursos para gerir.

O QUE É A PEC 47?

Ela cria os duodécimos para as Universidades Estaduais, igual existe para o Poder Judiciário e Legislativo, numa perspectiva crescente de 33% em 2018, 66% em 2019 e 100% em 2020, ano em que Universidade alcançaria a autonomia financeira total.

CARÁTER PÚBLICO

Para o DCE esse é um importante passo para uma demanda histórica da comunidade acadêmica da UERJ. As maiores universidades do país como as estaduais paulistas, USP, Unicamp e Unesp,  possuem autonomia universitária plena, ou seja, possuem autonomia financeira para decidir seus gastos e investimentos.
“Sabemos que essa é uma pequena parte da solução, pois sem dinheiro em caixa, nada é resolvido. Contudo, é a garantia de que a UERJ continuará pública, e à disposição para construir com toda sociedade fluminense alternativas para ampliação dos recursos do nosso Estado e para que saiamos dessa crise. Seguiremos em luta para que nossas bolsas sejam pagas, nosso bandejão se mantenha aberto, e que assistência estudantil seja prioridade no orçamento e na implementação dos duodécimos, pois se há um diferencial em ser UERJ, é sermos a Universidade mais popular desse país e disso não abrimos mão”, destacou a coordenadora do DCE.

UNE

Violência e censura contra estudantes e professores no Rio Grande do Norte



O conservadorismo avança em Pau dos Ferros; secundaristas e docentes resistem.

Professores e estudantes sofreram com a truculência da PM durante votação, na última quinta-feira (14), na Câmara Municipal de Pau dos Ferros (interior do Rio Grande do Norte). A violência contra os docentes e secundaristas ocorreu a mando do presidente da Câmara, Eraldo Alves, após reivindicação deles de uma audiência pública durante a votação do PL 1804/17, de autoria dos vereadores Hugo Alexandre (PTN) e Cabo Monteiro (DEM), que proíbe a disciplina “ideologia de gênero” nas escolas municipais e particulares.
“A proposta deturpa o debate em torno da identidade de gênero, que difere de ideologia, e também ofende a própria ética do profissional da educação de nossa cidade, pois não existe essa disciplina ‘Ideologia de Gênero’ e em nenhuma hipótese competiria ao docente inseri-la”, diz a presidente do grêmio estudantil do IFRN – Campus Pau dos Ferros, Eridiane Freire, que acompanhou o caso.
Os educadores e estudantes haviam enviado formalmente pedido de audiência pública a fim de discutir o projeto, com o argumento de que não existe ideologia de gênero, conforme afirma o projeto, mas sim identidade de gênero. O requerimento foi recusado pelos vereadores as duas vezes que foi solicitado.
“O que ficou claro é que o legislativo de nosso município é escasso de conhecimento científico e das noções de respeito, se baseando meramente no que para eles é mais conveniente. Foi sobretudo, uma tentativa brusca de atrair as massas e demarcar em Pau dos Ferros o poder dos religiosos sobre as decisões políticas”, explica Eridiane.
Após os trabalhos serem suspensos sob a ordem do legislativo, os manifestantes, que reivindicavam o debate na Câmara dos Vereadores, ocuparam o espaço da Plenária. Momentos depois, o presidente da Câmara, Eraldo Alves, solicitou a presença da Polícia ao local da ocupação, de forma que os militares coibiram os estudantes e educadores que estavam ocupando a plenária, usando da força e sprays de pimenta.
Após serem retirados, a sessão prosseguiu e o projeto foi votado e aprovado, com uma maioria de 8 votos favoráveis e 2 contra.
“Eles nos cobriram de spray de pimenta, mas sua violência só serviu para nos unirmos e fortalecemos enquanto movimento estudantil e trabalhadores que lutam por seus direitos. A luta em Pau dos Ferros só está começando!”, diz a presidenta do grêmio.
UBES

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

SP: Estudantes são detidos em manifestação pacífica contra o Escola sem Partido

    O protesto ocorreu na Câmara Municipal, onde eles e alguns vereadores também foram agredidos pela GCM

Estudantes que se manifestavam pacificamente na Câmara Municipal de São Paulo, nesta terça-feira (12), contra o Escola sem Partido, foram agredidos pela Guarda Civil Municipal e detidos. O protesto foi organizado pelos secundaristas depois do PL 325/2014, de autoria dos vereadores Eduardo Tuma (PSDB) e Fernando Holiday (DEM), que é a censura do livre pensamento nas escolas municipais, ter recebido parecer favorável na Comissão de Finanças da Câmara Municipal de São Paulo em sessão extraordinária realizada nesta segunda-feira (11). O texto, agora, está pronto para ser votado em plenário.
“Desde ontem, estamos participando das sessões na Câmara para tentar impedir que o PL do Escola sem Partido não entre em votação no plenário”, disse o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Emerson Catatau.
A truculência da GCM nesta terça se intensificou logo depois que os estudantes presentes no plenário terminaram um jogral, e o presidente da Câmara, Milton Leite, pediu que os estudantes fossem retirados do plenário.
Estudantes e vereadores foram agredidos, e quatro jovens foram detidos e levados ao 1º DP, no bairro da Liberdade: Isabela Queiroz,Daniel Cruz, Richard Fonseca e Marcelo Richard Pereira. A vereadora Juliana Cardoso (PT) chegou a receber voz de prisão, por tentar impedir a detenção dos estudantes.
Os advogados dos mandatos de Juliana e do vereador Eduardo Suplicy (PT) foram para a delegacia para acompanhar o caso. Os vereadores que sofreram com a truculência da GCM também devem registrar boletim de ocorrência.
Até o fechamento desta matéria, os estudantes permaneciam detidos, sem previsão de liberação. Após serem ouvidos, eles devem ser encaminhados para o Instituto Médico Legal, para fazer corpo de delito.
Atualização:
Há pouco (20h20), os estudantes foram liberados e gravaram um vídeo sobre o ocorrido:

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Fonte: UBES

“Tenho um amor imenso pela militância”

Estudante transexual fala sobre seu processo de autoaceitação no movimento estudantil

Sempre de batom escuro nos lábios e com um largo sorriso estampado no rosto, a estudante Dandada Pedrita, de apenas 17 anos, é mulher transexual, de São Luís, no Maranhão e participou pela primeira vez do Congresso da UBES na última edição do encontro, entre os dias 29 de novembro e dois de dezembro. Durante uma conversa com o site da entidade, a jovem de voz mansa e gestos delicados fez questão de falar sobre a importância do movimento estudantil em sua vida.
Foram mais de 40 horas de viagem dentro de um ônibus do Maranhão até Goiânia, em torno de 2.016 quilômetros. “É um trajeto bem cansativo, a gente mal come e dorme, mas vale muito a pena”, comenta.
Dandara é uma jovem muito enérgica, tanto que em todas as atividades realizadas durante o 42º Conubes era possível observar a estudante sempre à frente, andando de um lado para o outro, dialogando com as pessoas e auxiliando na organização dos delegados e observadores do seu estado.
Ao realizar seu credenciamento no evento, sentiu uma emoção muito forte. “Posso afirmar que o momento mais marcante nesse 42º congresso da UBES, foi quando peguei o crachá com o meu nome social, nossa, foi um sentimento inexplicável, me senti tão contemplada porque é por essa entidade para qual eu luto diariamente”, diz.

Militância

“Tenho um amor imenso pela militância”, diz com voz doce e olhar afetuoso. Por alguns segundos o silêncio se faz presente e em seguida um largo sorriso aparece em seu semblante, como se relembrasse bons momentos e completa: “Posso dizer que o movimento estudantil influenciou 100% na minha aceitação. Foi nesse espaço que passei a ter um conhecimento aprofundado sobre identidade de gênero e orientação sexual. Parei de me enxergar como um rapaz gay afeminado e entendi quem eu realmente era, uma mulher transexual”, explica.
A autoaceitação da jovem é refletida em sua imagem, Dandara é sempre muito firme em suas palavras, transmitindo uma confiança admirável. “Eu sinto que há um respeito muito bonito nos espaços de discussão da militância. Todos estamos unidos para lutar por algo muito maior, um país melhor e uma educação de qualidade, sem LGBTfobia, racismo e machismo para todos e todas”, conta.

Nome

Tão quão seu conhecimento e empoderamento, a escolha de seu nome social também foi influenciado pelo movimento estudantil. Quando ainda se identificava como um menino gay ‘’afeminado”, seus companheiros de luta já a enxergavam como uma mulher e em um gesto carinhoso passaram a chamá-la de Pedrita. “As pessoas já me viam como uma figura mais feminina, não me chamavam pelo meu nome de menino”.
No entanto, a secundarista percebeu a necessidade de escolher um nome que combinasse mais com sua personalidade e optou por Dandara. Uma homenagem a guerrilheira negra que lutou contra o sistema escravocrata no século XVII e auxiliou Zumbi na defesa do quilombo dos Palmares. “É um nome forte, assim como eu”, afirma.
Dandara à esquerda com amiga


Escola

Decreto nº 8.727, de 28 de Abril de 2016, garante oficialmente o direito de travestis e transexuais a serem identificados pelo ‘nome social’ em todos os órgãos da instituição. No entanto, com Dandara o processo inicial foi um pouco dificultoso. “Eu sofri bastante no começo porque eu não tenho uma coisa mais ‘oficializada’ e por isso alguns professores não respeitavam meu nome social. Até que eu tomei conhecimento da lei e passei a exigir o uso do meu nome social”.
Em seus documentos ainda permanece o nome de registro. Prestes a completar 18 anos, a estudante pretende fazer a alteração após a maioridade para minimizar o processo burocrático. “Tentei o recurso de emancipação só que teria que enfrentar mais burocracia por ser menor de idade, então como falta pouco para completar a maioridade, achei melhor esperar para resolver meus documentos”, explica.

Família

Com os olhos marejados e um ar de gratidão estampado em seu rosto a estudante diz ter um prazer imenso em falar sobre como sua família lidou com seu processo de autoaceitação. “Eles sempre estiveram ao meu lado, desde muito pequena minha mãe já me via como uma menina, acho, inclusive, depois que me aceitei como uma mulher transexual, minha mãe se sentiu muito aliviada em saber que finalmente eu poderia ser feliz”, relata.
Decorrente de um processo tortuoso de autoaceitação Dandara conta que tinha preconceito consigo mesma e sentia necessidade de se encaixar em algum padrão mais ‘aceitável’ pela sociedade. “Era muito mais fácil me enxergar como um menino gay afeminado, só que eu sofria muito com isso, mas não compreendia o por quê. Quem me ajudou muito nesse processo também foi minha mãe, Raimunda. Ela sempre dizia que eu deveria me aceitar como eu sou, que ela me amaria da mesma forma, assim como ela amaria qualquer outro filho”.

Vocabulário para entender e respeitar:

Identidade de Gênero: É a maneira como a pessoa se sente e se percebe, assim como a forma que esta deseja ser reconhecida pelas outras pessoas.
Orientação Sexual: Refere-se a qual gênero ou gêneros pelo que se sente atração sexual.
Transexual: É o indivíduo que se identifica com um gênero diferente daquele que lhe foi atribuído no nascimento.
Emancipação: É um termo usado para descrever vários esforços de obtenção de direitos políticos ou de igualdade.

Um Congresso que Respeita a Diversidade

Rebecca Gonçalves é mulher transexual, estudante da E. E. Marechal Mascarenhas de Moraes, localizada em Juiz de Fora, Minas Gerais. Ela é presidenta de grêmio estudantil na sua escola e também participou do 42º Congresso da UBES para mostrar que é possível sim construir uma educação libertadora e acolhedora. Confira abaixo a fala da secundarista:
 Fonte: UBES

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Estudantes convocam reedição da “UNE Volante” para o primeiro semestre de 2018

por Cristiane Tada.
Iniciativa é homenagem a caravana da década de 60 e vai percorrer as principais universidades do Brasil em defesa do caráter gratuito do ensino
Os 17 diretores da Executiva da UNE aprovaram nesta terça-feira (12/12) a construção da “UNE VOLANTE: Uma universidade chamada Brasil” no primeiro semestre de 2018.
A iniciativa é uma reedição da UNE Volante realizada pela primeira vez em 1961, e foi uma caravana que percorreu diversos estados do Brasil com o objetivo de promover as reivindicações estudantis através da cultura e da conscientização popular.
Na época a caravana serviu para mobilizar a luta da UNE pela participação dos estudantes nos órgãos colegiados da administração das universidades, na proporção de um terço, com direito a voz e voto, que desembocou na greve nacional do 1/3. Os estudantes chegaram a ocupar por três dias do prédio do Ministério da Educação e Cultura, no Rio.
“Dessa vez nossa proposta é conhecer mais de perto as realidades das universidades brasileiras nos diversos Estados para focarmos na nossa luta em defesa da universidade pública e gratuita de qualidade”, destacou a presidenta da UNE, Marianna Dias.
De acordo com a resolução aprovada a homenagem se dá num momento em que a democracia do Brasil passa novamente por uma grande crise, assim como o próprio caráter gratuito das universidades públicas brasileiras. “Por isso, a UNE VOLANTE 2018 terá como principais eixos: a defesa da universidade pública e gratuita brasileira; a defesa da universidade pública enquanto indutora do desenvolvimento nacional e soberano; a defesa dos espaços de vivência e confraternização estudantil, a luta contra a mercantilização do Ensino Superior Privado e a defesa do Estado Democrático de Direito.”
De acordo com diretor de Universidades Públicas da UNE, Mário Magno, os estudantes querem “construir uma agenda de esperança que consiga chegar além dos centros urbanos, mas também ao processo de interiorização do ensino superior, no fortalecimento das lutas locais e na mobilização para o Encontro de Mulheres, Negros e Negras e LGBT da UNE”.
Para percorrer as principais universidades públicas do país a UNE Volante buscará o apoio das associações nacionais, regionais e locais da comunidade acadêmica e científica.
Uma nota em defesa do estado democrático de direito e contra a perseguição política ao presidente Lula também foi aprovada durante a reunião.
”A UNE ressalta sua posição em defesa do combate à corrupção, mas entende que este processo não pode ser feito à margem de conquistas democráticas como o direito à presunção da inocência, ao contraditório, à ampla defesa e o devido processo legal”, diz o documento.

POSSE DE ENTIDADES ESTUDANTIS DA USP ACONTECE NESTA QUINTA-FEIRA (14)


Cerimônia marcará a adesão de parlamentares, intelectuais e entidades estudantis presentes à campanha ”Universidade não se vende, se defende”, da União Nacional dos Estudantes (UNE)
A nova gestão do DCE Livre da Universidade de São Paulo (USP) – Alexandre Vannucchi toma posse em cerimônia nesta quinta-feira (14), a partir das 18h30, na Faculdade de Direito, no Largo São Francisco, centro de São Paulo. A chapa ”Nossa Voz” foi eleita para representar os estudantes da maior universidade do país no último dia 11 de novembro com 4342 votos, quase 70% dos votos válidos.
Estão confirmadas as presenças do ex-presidente da UNE deputado federal pelo PcdoB-SP Orlando Silva, da deputada estadual pelo PCdoB-RS Manuela d’Ávila e dos senadores Lindiberg Farias (PT-RJ) e também ex presidente da UNE e Gleisi Hoffman (PT-PR) e da presidenta da UNE Marianna Dias, além de professores e intelectuais.
Durante o evento também serão empossadas a novas gestões do Centro Acadêmico XI de Agosto e da Associação dos Pós-Graduandos (APG) Helenira ‘Preta’ Rezende.

UNIVERSIDADE NÃO SE VENDE, SE DEFENDE

Em outubro, a UNE lançou sua campanha em defesa da universidade pública e gratuita intitulada ”Universidade não se vende, se defende”.
Na reunião da Gestão Plena da entidade realizada em setembro, em São Paulo, os mais de 80 diretores da entidade, estudantes de universidades de todas as regiões do Brasil aprovaram um manifesto em defesa da universidade pública que foi compartilhado com os movimentos sociais e entidades do setor educacional a fim de expandir a luta em defesa do “bastião da nossa independência e da nossa livre produção de conhecimento”.
A posse das novas gestões estudantis da USP será também um momento de proposição e junção de forças em prol de uma agenda de lutas em defesa da universidade pública no país.

SOBRE O DCE LIVRE DA USP

Recriado em 1976, o Diretório Central dos Estudantes Livre Alexandre Vannucchi Leme é a entidade representativa dos estudantes tanto dos campi da capital como dos campi do interior, com a função de organizar as demandas e expressar as vontades de todos os estudantes da instituição.
Alexandre Vannucchi Leme, que dá nome ao DCE, era estudante da Geologia da USP, assassinado sob tortura pela ditadura militar em 1973.

SERVIÇO

O que? Posse das entidades estudantis da USP e ato em defesa da universidade pública.
Quando? 14 de dezembro (quinta-feira) ás 18h30
Onde? Sala do Estudante da Faculdade de Direto da USP – Largo Francisco – centro de São Paulo.

Nova lei trabalhista pode fazer da Estácio uma fábrica de diplomas


Constrangimento, descaso e fraude marcam primeira demissão em massa no setor educacional desde o fim da CLT
Nesta quinta-feira (13/12) estudantes e professores da Estácio fazem novamente um protesto organizado pelo DCE e Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) na unidade João Uchoa, no Rio Comprido, centro da capital carioca.
A demissão de 1200 professores em todo o país do Grupo Estácio no último dia 5 de Dezembro, 400 só no Rio de Janeiro, foi baseada em constrangimento, descaso e fraude até mesmo para a já abusiva nova legislação trabalhista.
A professora Cleide Aparecida tem doutorado em microbiologia e dava aula na área de Saúde na Estácio no Rio de Janeiro há 17 anos. Viu os colegas de trabalho sendo demitidos durante todo o dia e quando chegou sua vez não conseguiu nem aplicar a última prova do ano para seus alunos. “Foi um constrangimento, nem a minha pasta que guardo meus papéis eu pude mexer. Me sinto usada! Todas as vezes que o MEC vinha o meu título servia”.
Cleide conta que foram os professores “cabeças brancas”, os mais titulados e com tempo de trabalho a serem descartados, exatamente aqueles que fizeram a reputação das Faculdades mudar durante todos esses anos.
Quando comecei a dar aula lá as pessoas debochavam dizendo que a Estácio era igual McDonald’s tinha uma em cada esquina, e com o tempo nós conseguimos mudar esse conceito. Lugares que não aceitavam estudantes da Estácio para fazer estágio começaram a aceitar, inclusive na Fio Cruz. E agora eles descartaram a gente por causa de dinheiro”, lamenta.

MEIO MILHÃO DE ESTUDANTES SEM MESTRES

A estudante de Direito e representante do DCE da Estácio, Luiza Cabral, afirma que a preocupação dos estudantes é a qualidade da educação. “Estamos vendo nossa universidade ser transformada em uma fábrica de diplomas”, afirma.
Ela conta que demitiram os melhores professores, os que tinham as melhores avaliações institucionais que a universidade faz a cada 6 meses e que não foram levadas em conta.
As duas únicas professoras que faziam programas de pesquisa e extensão do meu campi de Direito de Niterói foram demitidas”.
O ano letivo na Estácio já acabou. A representante do DCE afirma que a direção da universidade se aproveitou desse momento para que os estudantes não se manifestassem. “ Alguns alunos estão inclusive ameaçando deixar a universidade pela questão da qualidade. Em todos os campi os melhores professores, os que os alunos tinham mais afinidade foram demitidos, teve gente que ficou sem orientador, teve quem defendeu o TCC para uma banca de professores que nunca tinha visto”.
Em 2019 Luiza – que começa o 3º período do curso- e os cerca de 530 mil alunos em unidades todo o Brasil do Grupo Estácio começam as aulas sem saber o que virá.
A universidade chegou a se defender das acusações afirmando que as demissões visavam um reajuste de salários que estavam incompatíveis com o mercado de trabalho.
A ganância é desmedida. No final de outubro deste ano, a revista Época Negócios publicou reportagem com dados da instituição afirmando que a “Estácio teve lucro líquido de R$ 149,3 milhões no terceiro trimestre, alta de 10% sobre um ano antes”.

REMISSÃO DAS DEMISSÕES

Nesta quarta-feira de tarde (12) o Sinpro-Rio se reuniu com a Estácio no EMERJ, Sindicato das Instituições de Ensino. De acordo com Washington Luiz de Araújo do Sinpro-Rio a assembleia de professores realizada pela manhã aprovou por unanimidade “o aval para que a diretoria do sindicato continue negociando que as demissões sejam revertidas”. O Sindicato propôs que seja sustado temporariamente o processo de demissões no município do Rio de Janeiro, com o estabelecimento de um cronograma de reuniões visando revisão das mesmas. A Estácio ficou de responder sobre a proposta amanhã (13) , em reunião às 15 horas.
Na terça-feira (11) o Ministério Público do Trabalho fez uma oitiva ( audiência para ouvir os envolvidos) com cerca de 100 professores sobre as irregularidades cometidas pela instituição de ensino e uma audiência pública para tratar sobre o assunto.
A diretora de Comunicação da UNE, Nágila Maria, esteve presente.
A UNE sempre defendeu que a educação não seja tratada como mercadoria e já travou diversas lutas contra os tubarões do ensino e conglomerados educacionais que lidam com a formação de milhares de estudantes com base apenas em números na bolsa de valores. Sabemos que o caso da Estácio não será isolado”, afirmou.
Nesta semana ainda o Grupo Estácio conseguiu derrubar na Justiça a liminar que impedia a demissão dos professores em território fluminense deferida na semana passada.
Na decisão, a juíza Larissa Lopes, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) determinava a suspensão das demissões até que a instituição informasse o nome dos demitidos, os termos de rescisão e quais seriam seus substitutos. A nova Lei trabalhista determina um intervalo de 18 meses para que os mesmos profissionais sejam contratados pelo regime intermitente.
Fonte: UNE

A desigualdade entre homens e mulheres precisa ser enfrentada


Mulheres que trabalham fora dedicam, em média, 7,5 horas a mais por semana para afazeres domésticos do que homens no Brasil, mas não recebem reconhecimento ou mais dinheiro por isso, visto que o trabalho doméstico segue desvalorizado e invisível

O dinheiro que as mulheres conseguem é gasto geralmente quase todo (90%) com sua família, diferente dos homens que gastam 30-40% com seus dependentes. É por isso que programas de transferência de renda geralmente deixam o dinheiro da família com elas. Assim, os programas têm maior chance de atingir o objetivo de combater a desnutrição de crianças, por exemplo.
Elas representam 2/3 dos analfabetos do mundo e muitas jamais pisarão numa escola. Muitos meninos também não, mas a história de Malala nos mostra que há grupos contra a educação de meninas que usam a violência para mantê-las longe da escola.

Mulheres são vítimas de violência por parte de seus companheiros e ex-companheiros. A violência doméstica é diretamente ligada ao machismo e ainda é muito naturalizada. No Brasil, por exemplo, ainda é comum que as pessoas digam “em briga de marido e mulher não se mete colher” e frases como “ela deve ter feito alguma coisa”, “santa não deve ser” ou “essa aí gosta de apanhar”. Apesar de termos a Lei Maria da Penha, a violência doméstica ainda é encarada apenas como um conflito familiar e não como um problema social por grande parte da sociedade. As agressões muitas vezes atingem também os filhos.
A violência doméstica engloba violência física, sexual, patrimonial e psicológica. A violência patrimonial, por exemplo, se manifesta quando as mulheres não têm poder de decisão sobre como gastar a renda que é obtida por elas, por exemplo.
A manifestação extrema de violência misógina é o feminicídio, que é o assassinato de mulheres por motivos ligado ao seu gênero. Ainda hoje a mídia costuma noticiar esses crimes usando frases que afirmam que eles foram cometidos por amor, ciúme ou ressaltam que o homem agiu assim por estar inconformado pelo fim do relacionamento ou pela não existência de um, o que é um desserviço porque ignora a influência do machismo e da misoginia nesse ti.
Os dados sobre violência sexual no Brasil assustam. A cada 11 minutos, um estupro é registrado e suas principais vítimas (70%) são crianças e adolescentes. Como apenas de 30% a 35% dos casos são registrados, é possível que a relação seja de um estupro a cada minuto. A  maior parte dos casos ocorre entre conhecidos. A cultura do estupro dá as caras quando a sociedade, e às vezes até mesmo o poder público, culpa a vítima e passa a investigar sua vida e seu comportamento. “Ela provocou” e “Quem mandou beber?” são frases ditas quando notícias de estupro se tornam manchete e nas delegacias muitas vítimas ouvem “Qual roupa você usava?” e perguntas sobre sua vida sexual quando vão denunciar.
A cultura do estupro também aparece quando as pessoas fazem piada com estupro e usam o termo para falar sobre vitórias incríveis no mundo do esporte. A cultura do estupro fica evidente quando consideram uma condenação de estupro contra um jogador de futebol um problema pessoal dele. 
Elas casam mais cedo, às vezes ainda crianças. Elas têm baixíssima participação política no Brasil e em vários outros países do mundo. Elas sofrem com mutilação genital. Elas são a maioria das vítimas do tráfico de pessoas. Seus corpos ainda são controlados pelo Estado e esse texto pode continuar por linhas e mais linhas, porque o mundo não é um lugar seguro para as mulheres. Deu para perceber que as reformas trabalhistas e previdenciárias que não pensam no trabalhador atingem as mulheres, especialmente as não brancas, de forma ainda mais cruel, né? Isso se dá por causa da feminilização da pobreza.
É importante destacar que mesmo entre mulheres há populações mais vulneráveis que outras. Negras e indígenas, por exemplo, recebem menos que homens brancos, mulheres brancas e homens negros. Além disso, mulheres de determinados países são mais exploradas no mercado de trabalho que outras, vide as denúncias de exploração extrema que são feitas contra muitas indústrias de fast fashion que empregam em peso mulheres de Camboja, Bangladesh e outros países do sudeste asiático.
Com tantos dados sobre a desigualdade entre homens e mulheres expostos, não dá mais para fechar os olhos. A violência contra a mulher e o machismo são problemas que precisam ser enfrentados agora.
Revista Fórum