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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Estudantes da UFSCar conquistam suspensão de reajuste do RU

Estudantes da UFSCar conquistam suspensão de reajuste do RU

Após 36 dias de ocupação e mobilização, os estudantes do UFSCar  (Universidade Federal de São Carlos)  conquistaram uma vitória histórica: o reajuste do valor do restaurante universitário - que chegou a 122% - foi suspenso temporariamente.

A mobilização intensa dos estudantes pressionou à realização de uma reunião extraordinária do Conselho Universitário para tratar sobre o reajuste. Após muitos debates, foi decidido que durante dois meses o valor voltará a ser de R$ 1,80, até que uma comissão  - com representantes da direção, professores e estudantes - defina o novo valor
Também foi apresentada uma segunda proposta, que mantinha o valor de R$ 1,80 apenas para o bolsistas  - sendo que os demais estudantes pagariam R$ 2,50 por refeição no bandejão. Porém, essa sugestão obteve apenas 16 votos, contra 31 da primeira.

João Modesto, estudante de Geografia da UFSCar, membro do DCE Livre e diretor regional de Sorocaba da UEE-SP, a revogação do aumento só aconteceu por conta da perseverança dos estudantes por mais de um mês ocupando diversos prédios do campus de Sorocaba e até mesmo a reitoria, no campus de São Carlos, sofrendo com  truculência e intimidação durante a reintegração de posse pela Polícia.

"Além da falta de diálogo ao decidirem pelo reajuste, durante a nossa manifestação contrária ao aumento, a direção ainda tenta criminalizar a mobilização estudantil, processando sete estudantes que participaram da ocupação", conta João.

Para o estudante, a revogação é comemorada e todo orçamento será avaliado ponto a ponto nos próximos dias para chegar a um reajuste que não prejudique os estudantes. Para o DCE LIVRE da UFSCar, a transparência das contas da universitária é o ideal para que se chegue a um consenso. " Uma coisa é certa, não aceitaremos os R$ 4,00 como novo valor".

Para Ergon Cugler, diretor de universidades públicas da UEE-SP,  a luta dos estudantes da UFSCar foi poderosa para combater a evasão universitária que é aumentada em momentos de crise econômica.  Cada estudante que deixa de se formar é um desperdício de investimento, de energia da juventude e aponta para uma falta de perspectiva e frustação por não conseguir concluir a graduação.

"Para o movimento estudantil paulista, a permanência deve ser encarada para muito além de um privilégio ou benefício, mas como direito. Pois somente popularizando cada vez mais a universidade e garantindo acesso aos diversos setores sociais, podemos profundamente transformar a sociedade", avalia Ergon.

Fonte: UEE/SP

segunda-feira, 11 de junho de 2018

#SaúdeMental: Racismo não é “mi mi mi”!

algumas semancanal. As ofensas criticavam o cabelo e a cor de pele da pequena. Há um mês, bilhetes racistas foram encontrados no banheiro da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Preconceito racial afeta o psicológico e vida acadêmica de crianças e adolescentes;

Há algumas semanas, uma youtuber de 11 anos sofreu ataques em seu canal. As ofensas criticavam o cabelo e a cor de pele da pequena. Há um mês, bilhetes racistas foram encontrados no banheiro da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Para o psicólogo e professor Paulo Vitor Palma Navasconi, casos individuais jamais podem ser tratados como exceções. São apenas alguns sintomas mais visíveis de relações sociais que fazem mal à saúde mental da população negra todos os dias.
“No Brasil, o preconceito racial pode ser transposto e exemplificado como um fantasma: ninguém o vê, mas ele existe”, afirma o doutorando em Psicologia.
Em entrevista ao site da UBES, o especialista explica como este “fantasma” promove sofrimento psíquico desde a idade escolar. Mas também como o próprio ambiente da escola pode contribuir para melhorar estas relações raciais que trazem sofrimento.
O fundamental, ele diz, é compreender as relações raciais como uma estrutura que organiza nossas relações sociais, culturais, econômicas, políticas e educacionais:
“Quando falamos sobre racismo, estamos falando de uma estrutura de poder que irá hierarquizar vidas, subjetividades e delegará quais vidas importam e quais vidas não importam. Que irá hierarquizar o que é belo e o que não é belo”.

Paulo Vitor Palma Navasconi é doutorando em Psicologia e Professor Universitário na FCV (Faculdade Cidade Verde), em Maringá, Paraná.

Dedica-se a estudos relacionados à raça, gênero e genocídio da população negra.

Desenvolvimento pedagógico prejudicado

Navasconi pontua que, além das diferenças socioeconômicas, o baixo desempenho dos alunos negros (veja dados aqui) se deve às práticas discriminatórias na escola, muitas vezes veladas: “Há uma estrutura de poder que legitima e corrobora para as desigualdades sociais, raciais e de gênero”.
Para ele, outro fator que contribui para que o negro sinta-se inferiorizado é o conteúdo das aulas, principalmente de história. Atualmente, quando se fala da história africana e de seus descendentes, é abordado o período escravocrata, mas nunca rompendo com a lógica racista nem ressaltando pontos positivos da identidade negra.

O psicólogo afirma que o racismo afeta o desenvolvimento interpessoal e intelectual de crianças e adolescentes negros. Há uma dificuldade em se aceitar, além do silenciamento dessas crianças, que têm que lidar com a situação como algo que faz parte de sua “condição”, aumentando o sofrimento. “Como não se odiar diante de um contexto tão cruel?”, questiona.

O papel da escola na luta contra o racismo

Como professor, Paulo Navasconi diz ser fundamental alertar e mobilizar o âmbito acadêmico para que sejam asseguradas a equidade e a igualdade étnico-racial desde a infância.
É de extrema importância que as escolas trabalhem as questões étnico-raciais, dando foco nas lutas, conquistas, avanços e contribuições que a população negra fizeram e fazem para a história.
As instituições de ensino são reguladas pela Lei 10.639/ 2003, que institui a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira em sua grade curricular, mas o psicólogo e professor sinaliza que ainda há muito a ser feito:
“A negritude é lembrada nos espaços escolares apenas no Dia Da Consciência Negra. Uma questão prática, mas pouco divulgada, é que os pais podem e devem se informar acerca de como esse trabalho é realizado nas escolas de seus filhos, a fim de possibilitar cada vez mais a efetivação de uma educação antirracista”.
A UBES defende a efetivação imediata da Lei 10.639/ 2003! “A escola, como instituição do saber, principalmente nas séries iniciais, deve estabelecer e manter o diálogo com seus professores e alunos sobre todos os tipos de preconceito”, diz Bruna Santos, Diretora de Movimentos Sociais da UBES (leia depoimento abaixo).

Como os adultos podem ajudar?

Crianças e adolescentes que passam pelo preconceito racial tendem a ter uma queda em seu rendimento escolar, não ter mais vontade ir à escola, entre outros sinais que requerem observação de um adulto próximo.
O profissional alerta: “É fundamental que pais, responsáveis e educadores fiquem atentos a mudanças no comportamento e também marcas no corpo dessa criança. Muitas delas são agredidas na escola ou, até mesmo, passam a se agredir por estarem vivenciando discriminação racial”.
Dificuldade de se relacionar em grupo, de se expressar criativamente nas brincadeiras e rompantes de agressividade sem motivo aparente são também sintomas que merecem atenção da família, da escola e dos profissionais de psicologia.
“Outro fator fundamental que cabe à sociedade como um todo, mas aqui sinalizo a instituição de ensino, é o papel que ela possui de tensionar a lógica racista. Acredito que fortalecer a identidade dessa criança e intervir junto à escola e família é um caminho frutífero para uma condição psíquica mais empoderada a respeito de si mesma e na relação com os outros”, destaca Navasconi.

“Carvãozinho, cabelo de Bombril, macaca, negrinha. Era dessa forma que se referiam a mim na rua e na escola”

Depoimento da Diretora de Movimentos Sociais da UBES, Bruna Santos
Bruna Santos tem 18 anos e é estudante de pré-vestibular.
Carvãozinho, cabelo de Bombril, macaca, negrinha. Era dessa forma que se referiam a mim na rua e principalmente na escola. Apelidos que na infância não conseguia associar como práticas preconceituosas, até porque, infelizmente, em muitas escolas o racismo não é abordado e discutido.
Talvez, por esse motivo, me culpasse por ser diferente das outras pessoas. A pele diferente sempre era a minha, o cabelo diferente sempre era o meu, e não tinha ninguém para me falar que eu era normal igual aos outros, mesmo eu sendo a única criança negra na minha turma.
Meus pais, por falta de informação, não podiam amparar minhas angústias porque eles também sentiam a mesma coisa, eles também eram vítimas! Apenas sofriam junto comigo. Hoje, como militante de Movimento Estudantil e mulher negra, tento através do diálogo e ações empoderar outras pessoas que sofreram e que sofrem a mesma dor e o desamparo que sofri.
A escola, como instituição do saber, principalmente nas séries iniciais, deve estabelecer e manter o diálogo com seus professores e estudantes sobre todos os tipos de preconceito, semeando a prática do respeito ao próximo. Começando pela releitura dos livros didáticos e a forma que suas informações são transmitidas.
Desconstruir a ideia de que a população negra veio para o Brasil, citar a resistência, a luta, as conquistas e a importância desses povos para a formação social e cultural do nosso país é fundamental.
É preciso apontar os desafios que nós ainda somos submetidos a enfrentar diariamente com uma sociedade racista que nos oprime e nos mata diariamente por causa da cor da nossa pele.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

5 motivos porque a UNE é contra a intervenção militar

Entenda ponto a ponto os motivos da entidade rechaçar um governo de militares no país

A ideia de que uma intervenção militar poderia trazer melhorias para o país e acabar com qualquer vestígio de corrupção tem corrido solta por aí. Pedidos de retorno dos militares assustam aqueles que entendem o significado de tortura e cerceamento das liberdades.
Desde a sua criação, a União Nacional dos Estudantes tem lutado pela democracia. Mobilizada e contestadora, a UNE foi o primeiro alvo da ditadura militar que ao tomar o poder em 1964 metralhou, invadiu e incendiou sua sede, na Praia do Flamengo 132, na noite de 30 de março para 1º de Abril. Logo após o regime retirou legalmente a representatividade da entidade, que passou a atuar na legalidade.
Mesmo com diversos percalços os estudantes sempre estiveram do lado certo da história: do lado da liberdade política, da livre manifestação do pensamento e da luta por direitos iguais para todos e todas no Brasil.
Separamos cinco pontos para você entender ainda mais porque a UNE é contra a intervenção. Confira:

INTERVENÇÃO É DITADURA

Uma intervenção militar no país não seria neutra politicamente. O exército não é uma instituição neutra. Como a história nos ensina, uma intervenção viria acompanhada de supressão de direitos e censuras.

INTERVENÇÃO NÃO ACABA COM A CORRUPÇÃO

O problema da corrupção existe dentro de qualquer governo, seja ele democrático ou autoritário. Por isso, resolver tais problemas dentro de uma democracia, sem a remoção de liberdades e direitos fundamentais é mais eficiente e transparente para todos e todas. Numa ditadura militar não haveria espaço para questionamentos de qualquer espécie.

RESPEITO AO VOTO

Numa democracia os votos dos cidadãos e cidadãs valem muito. Votar e escolher o seu representante é parte fundamental para mudar os rumos do país. É o poder de escolha nas mãos do povo.

RESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS

Em 2014, depois de dois anos e sete meses de trabalho, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou em seu relatório 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar no país. Entre essas pessoas, 210 são desaparecidas. Igualmente, o relatório da Comissão da Verdade da UNE listou a morte e o desaparecimento de 85 estudantes, entre eles o presidente da entidade Honestino Guimarães, Helenira Rezende e Alexandre Vannuchi Leme. Relatos de torturas e agressões também estão presentes. Rechaçar a intervenção é respeitar o direito à vida.

ISOLAMENTO ECONÔMICO

A Organização das Nações Unidas (ONU), através do Fundo de Democracia das Nações Unidas (UNDEF) e do Conselho de Segurança repudia publicamente atitudes anti-democráticas ou ditatoriais, o que poderia isolar o Brasil internacionalmente e trazendo consequências devastadoras para a economia.
Fonte: UNE

Para estudantes, preço do combustível é questão de soberania


Jovens foram às ruas pedir outra política de preços e, como nos anos 1940, Petrobrás soberana: “O petróleo do Brasil deve servir ao nosso povo”.

Para contornar reivindicação de caminhoneiros que paralisaram o Brasil na última semana, o governo Temer isentou alguns impostos do diesel dos condutores por 60 dias. A juventude e os movimentos sociais foram às ruas nesta sexta (30/5) para dizer que esta não é a solução.

Em discursos acompanhados por milhares de pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, lideranças lembraram que o aumento de preço do gás de cozinha e da gasolina também prejudica a população e que o caminho é mudar a política da Petrobrás adotada pelo atual presidente da empresa, Pedro Parente. “Fora Parente” foi a principal palavra de ordem.

Organizado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, o Dia Nacional de Luta Pela Redução do Preço do Gás e Combustível se somou a uma greve dos petroleiros de 72 horas e teve atos da juventude por todo o Brasil. (veja fotos)

O que os estudantes têm a ver com isso?
Em discurso na avenida Paulista, o presidente da UBES Pedro Gorki lembrou que a juventude defende a Petrobrás desde que ela foi criada. A própria criação da estatal é uma conquista da década de 1940, graças à campanha “O Petróleo É Nosso”. Nos últimos anos, os jovens lutaram também pelos royalties do pré-sal para a educação e saúde:
“Nossa defesa é da Petrobrás e do petróleo para o povo brasileiro. Por uma política nacional para os preços do petróleo, contra a privatização e principalmente pela soberania estratégica do nosso país”.
Pedro Gorki, presidente da UBES, na av. Paulista, repudiou pedidos por intervenção militar (Foto: Vangli Figueiredo/ CIRCUS da UBES)

Gorki também fez questão de dizer que intervenção militar jamais será uma alternativa para os problemas: “O problema do petróleo, o problema da corrupção, o problema do estado brasileiro se resolve com mais participação popular”.

“Cadê os royalties do pré-sal para a educação que nós aprovamos?”, perguntou Marianna Dias, presidenta da UNE. “Pela primeira vez o Brasil conseguiu que suas riquezas fossem revertidas em direitos, e os golpistas tentam nos impedir. A Petrobrás precisa estar à serviço do povo”, afirmou ela.

Pedro Gorki e Marianna Dias, da UNE: “Cadê os royalties do pré-sal para a educação?” (Foto: Karla Boughoff/ CUCA da UNE)

Por que os combustíveis estão caros?


Julho de 2017: Pedro Parente, presidente da Petrobrás escolhido por Temer, anuncia que preços da Petrobrás devem variar conforme mercado internacional. A direção da empresa afirmou: “Isso permitirá maior aderência dos preços do mercado doméstico ao mercado internacional no curto prazo e possibilitará a companhia competir de maneira mais ágil e eficiente”. O problema foi quando o preço do combustível aumentou, mas a população brasileira não recebe em dólar.
Além disso, os petroleiros que entraram em greve de 72 horas nesta sexta afirmam que a Petrobrás tem produzido apenas 70% da sua capacidade e importado 30% de gasolina, principalmente dos Estados Unidos. Desde maio eles vêm criticando a gestão da Petrobrás. Entre as reivindicações, pedem o fim das importações de combustíveis e derivados de petróleo, a saída de Pedro Paren te da presidência e que não sejam vendidas quatro refinarias da estatal. (Saiba mais).

“O petroleiro sabe que essa política de alinhamento de preços do diesel, da gasolina e do gás de cozinha ao preço internacional é bom para uma empresa capitalista, mas é ruim para o povo brasileiro”, diz Simão Zanardi, da FUP (Federação Única dos Petroleiros).
Foto destaque: Vangli Figueiredo/ CIRCUS da UBES
Fonte: UBES

Se o Sieeesp não assinar, os professores vão parar

A assembleia aprovou proposta negociada com o Sieeesp
e não aceita recuo do sindicato patronal

Numa assembleia histórica realizada no SinproSP, dia 29/05, mais de 3 mil professores aprovaram proposta que prevê a manutenção de todas as cláusulas da Convenção Coletiva por um ano, reajuste de 3% e participação nos lucros ou resultados de 15%.
Esta é a proposta negociada e é a proposta que tem que ser assinada. É inaceitável que o Sieeesp venha a público dizer inverdades, desqualificar o processo de negociação e tomar decisões antes mesmo de ouvir a sua assembleia.
Por este motivo, mais do que nunca é fundamental manter a mobilização, reforçar o estado de greve e ampliar a participação na próxima assembleia no SinproSP, dia 06, às 18h.
Na terça-feira, dia 05, será realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) uma audiência do nosso dissídio coletivo. Por isso, o SinproSP está convocando os professores para se reunirem num ato de protesto contra o Sieeesp na frente do TRT, às 13h.

Fonte: SINPRO SP

domingo, 27 de maio de 2018

2º ENUEESP sintetiza urgências e lutas da população negra

2º ENUEESP sintetiza urgências e lutas da população negra

Um grande encontro de jovens estudantes, negros e negras, dispondo de muita energia e força para lutar contra o racismo na sociedade e na universidade. Foi assim o 2º ENUEESP, que levou centenas de pessoas para Araras, no interior de SP., nesse último final de semana, entre os dias 18 e 20 de maio. Somado a isso, o local escolhido para sediá-lo traduz a resistência a que se propôs o evento.O Sítio Quilombo Anastácia foi constituído como um assentamento rural na cidade desde os anos 70. No local também co- existe o terreiro Ilê Axé Yansã.

O debate que abriu oficialmente o Encontro, trouxe à tona o tema "O Negro e Negra no Projeto Nacional", com a participação na mesa de Rafael Pinto,  ogan Pejigan do local , coordenador Estadual do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira-Cenarab/Conen e Danilo Morais, sociólogo e professor da UniAraras.

Consenso no debate, ser um negro e universitário é revolucionário e a universidade como centro do projeto nacional deve valorizar a história, autores e intelectuais negros. 

"O projeto nacional deve levar em conta a maioria da população e os negros são a maioria. Não é o que acontece, nem nunca aconteceu. A questão racial é central no país e tem relação direta com a luta de classes. Para pôr fim a esse processo desigual no país, é preciso se organizar coletivamente. Ascensão individual não funciona para transformar. E encontros como esse são como universidades na produção de conhecimento",  disse Rafael.

Para Danilo a saída para colocar o negro em destaque nas políticas sociais e econômicas requerem teoria. "Não há prática revolucionária, sem teoria revolucionária. Mas não vai surgir um teórico e apontar as saídas! Essas ideais vêm da base e responder à questão de como construir uma movimento de resistência e emancipação dos negros", avaliou o sociólogo.

GRUPOS DEBATES E DE TRABALHO

Pela tarde, diversas painéis simultâneos de debates rolaram no local.  Cultura, desafios e permanência e racismo religioso organizaram uma linha de ação  dentro dos temas, e os debates sobre segurança pública, mulheres negras,lgbts, saúde e trabalho trouxeram grandes contribuições para a atual conjuntura.

O painel sobre racismo religioso trouxe o fotógrafo Roger Cipó, que falou sobre a  intolerância às religiões de matrizes africanas. " Não se trata de um preconceito contra uma ideia, um conceito religioso, é uma aversão, uma violência a tudo que vem de uma gênese negra.  O candomblé é marginalizado e invisibilizado, porque nasce do protagonismo de negros e negras. É necessário fomentar esse debate em locais de produção de conhecimento, como a universidade, para também recriar as narrativas, avaliou Roger.

No debate sobre mulheres, que lotou o espaço, Priscila Santos, especialista em políticas públicas em gênero e raça, falou sobre a luta das negras é muito anterior ao nome " feminismo"."Nas organizações de resistência, os quilombos, as mulheres já rompiam  desigualdades de gênero e o patriarcado".

Para Maria das Neves, coordenadora da UBM, é preciso assegurar que o projeto antipopular do atual governo não continue no poder. " Nós somos resistência. Mulheres, não tenham medo de serem negras e devemos derrotar essas estruturas  que colocam a mulher em um segundo plano."

 Marcos Paulo Silva, diretor de combate ao Racismo da UEE-SP, avaliou que o encontro da entidade trouxe as experiências de cada um na universidade e diálogo com as experiências históricas de resistências. "Conseguimos ressignificar muitos dos nossos símbolos históricos, e entendemos quais os nossos desafios para o próximo período e, assim, organizar uma rede de estudantes, coletivos e iniciativas negras para fortalecer nossa intervenção política  e nos manter forte para acabar com o racismo e a exclusão da população negra".

No final do segundo dia foi lido um documento que sintetiza os diversos debates e apontamentos realizados durante o encontro foi lido. Esse documento traz diversas reivindicações e ações que devem nortear a luta dos estudantes no próximo período.

A deputada estadual Leci Brandão  acompanhou a leitura do documento. "Esse é o momento da juventude negra colocar em prática o que foi discutido no evento.Que seja feito algo para acabar com esse racismo na sociedade, que mata e exclui os negros. Estou cansada do que foi feito lá atrás", avaliou a deputada.

A UEE-SP divulgará o documento na íntegra aprovado nos próximos dias nas redes e no site, e detalhes  sobre as rodas simultâneas.

Programação Cultural

Durante os dias o Encontro contou com apresentações culturais. No sábado, dia 19.05, o Samba do Pé Vermêio botou todo mundo para dançar em uma apresentação contagiante.
Fechando o  evento a cantora Bia Ferreira, trouxe toda sua resistência em voz e violão e a slammer Kimani fez sua poesia emocionar e levantar a galera.

Para acrescentar, Leci cantou em uma roda de samba no improviso, que surpreendeu a todos.

No sábado também aconteceu o lançamento do livro "Frantz Fanon - um revolucionário particularmente negro", do escrito Deivison Faustino.
O autor, que é professor de UNIFESP e doutor em sociologia, fez uma verdadeira aula sobre o psiquiatra e filósofo, com uma didática diferente, que prendeu a atenção de todos os participantes.

Em entrevista à UEE-SP, Deivison, ele explica que a obra traz a biografia do autor e comenta seus textos, livros e reflexões. " Até hoje não existe no Brasil um livro sobre suas contribuições. Os processos revolucionários precisam de um entendimento de que mundo estamos, para pensar em rupturas possíveis. O que acontece que muitas teorias ignoram o racismo e a contribuição de intelectuais e pensadores negros e impactam a leitura da realidade. Fanon faz essa provocação de que não há como entender o capitalismo, sem olhar para o racismo". 

Fonte: UNE

Greve estudantil na UFMT continua apesar de suspensão do aumento do RU

Estudantes querem garantir que valor da refeição no próximo ano não seja abusivo
Os estudantes da a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) permanecem em greve e com o calendário de aulas suspenso. Em mobilização unida 4 campus estão paralisados desde Abril contra a tentativa de aumento em 5 vezes mais no preço do Restaurante Universitário. No último dia 15 de Maio a Reitoria da instituição suspendeu o reajuste – de R$1 para R$5 –  no valor do RU até dezembro de 2018, uma grande vitória para o movimento estudantil. “Apesar suspensão até Dezembro nós estudantes precisamos de garantias para um grupo de trabalho que possa construir a nova política a partir de 2019”, destacou Juarez Franco, estudante de História e representante do DCE do campus da capital.
Os estudantes estão tentando entrar em um acordo sobre como será o diálogo da construção de uma nova política dentro da comissão. Como, por exemplo, quem vai compor a comissão, se vai partir do Consuni (Conselho Universitário) ou não. Nesta quinta-feira (24/05) aconteceu uma primeira discussão em conjunto com a reitora e todos os campi paralisados em greve por videoconferência. Sem acordo ainda, uma nova reunião foi marcada para terça-feira (29/5). “A partir daí vamos tomar uma posicionamento de sair da greve. Precisamos conseguir garantir que a nova política não seja novamente em 2019 aplicada com um valor que não condiz com a nossa realidade, então queremos uma comissão bem estruturada que tenha condições de elaborar uma política que consiga manter o RU a R$1 ou pelo menos com um preço de acordo com os estudantes da UFMT”, explicou Juarez.
Para os estudantes a questão não é apenas sobre o aumento das refeições, mas também uma luta contra o desmonte da educação pública e por assistência estudantil. O RU é uma das principais políticas de assistência e permanência na UFMT.
Fonte: UNE

UNE Volante debate desigualdade, violência e bolsa família na UFRJ

 por Alexandre de Melo.
Debatedores acreditam que as áreas mais afetadas pelo golpe como áreas sociais são importantes para combate a pobreza
Nesta quinta-feira (24), a UNE Volante promoveu o debate “Desigualdade Social no Brasil” no Teatro de Arena da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Participaram do debate Jessy Dayane, Vice-presidente da UNE, Valéria Pero, professora do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisadora da área de desigualdade e João Felippe Cury, professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do projeto de extensão “Desigualdade de Renda e Pobreza”.
Professores João Felippe e Valéria Pero da UFRJ. Crédito: Bárbara Marreiros
A desigualdade diminuiu no Brasil. No entanto, temos um problema nas pesquisas domiciliares que subestimam a riqueza total já que não são mensuradas as residências dos mais ricos. O 1% da população mais rica do Brasil segue extremamente rica de forma estável. Os bens públicos de saúde e educação são muito importantes para o combate das desigualdades”, afirma João Felippe.
Já Valéria Pero focou sua fala em dois fatores: a desigualdade de oportunidade e desigualdade no mercado de trabalho. “O investimento que a família faz ou deixa de fazer é determinante para as melhores oportunidades. Já a desigualdade no mercado é causada por uma série de preconceitos salariais. Estou falando do trabalhador que produz a mesma coisa que os demais, mas ganha menos. Por exemplo, a discriminação de gênero quando mulheres ganham menos que homens e a discriminação racial quando negros ganham menos que brancos, entre outros”, afirmou.
A professora da UFRJ também comentou os motivos da queda das desigualdades nos últimos anos. “A desigualdade social no Brasil diminuiu devido aos programas de transferência governamentais de renda como o Bolsa Família, a diminuição da diferença dos salários por aumento da capacitação e os reajustes do salário mínimo, mas ainda temos muito que melhorar”.
Sobre a diminuição das desigualdades no Brasil, Jessy Dayane comenta sua história pessoal como cotista oriunda de família humilde. Crédito: Bárbara Marreiros


VIOLÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

O tema central do debate foi desigualdade, mas não deixou de abordar o tema violência, especialmente pelo momento que a Universidade vem enfrentando. Na última semana foram registrados dois casos de sequestro-relâmpago na UFRJ. Há dois anos o estudante Diego Vieira Machado foi morto e o crime até hoje não foi solucionado.
“A gente precisa de dados robustos para realmente fazer uma correlação ou pensar a causalidade entre desigualdade e violência. Em grande parte ficamos no senso comum imaginando que uma pessoa sem emprego e condições de sobrevivência acaba indo para o crime, mas isso está longe de ser uma regra e realmente não há uma resposta simples para isso, mesmo entre os maiores especialistas de segurança”, disse João Felippe. 
Jessy Dayanne comentou que a Universidade pública está mais democrática por conta da política de cotas implementadas nos últimos anos. Porém, referente as desigualdades de renda, não houve reforma tributária que mexesse com a fortuna dos mais ricos e o golpe inviabiliza um projeto político que pense um plano de desenvolvimento no Brasil.
“A democratização da política também diminui as desigualdades. O sistema político brasileiro é dominados pelo sistema financeiro e pelos mesmos homens brancos e ricos. Precisamos de maior participação popular. Quase não usamos plebiscitos no Brasil. Ninguém ganhou a campanha dizendo que faria reforma trabalhista e que venderia a Petrobras. As decisões precisam passar pela participação popular e que a gente determine o que faremos com nossas riquezas e para onde vamos encaminhar nossas pesquisas. Nós precisamos debater e determinar o país que queremos”, finaliza Jessy.
Os estudantes de economia fizeram intervenções e perguntas sobre equidade de salários, participação da universidade no combate as desigualdades, modelo mais justo de reforma da previdência, a relação entre a geração de emprego e desigualdades e papel emponderado das mulheres que recebem o Bolsa Família.
“A relação entre bolsa família e gênero é muito interessante porque a maioria das famílias são chefiadas por mulheres. Esse empoderamento das mulheres no Bolsa Família é uma pesquisa muito interessante para que o tema seja aprofundado”, comentou Valéria. “O recurso do Bolsa Família na mão das mulheres garante autonomia das mães e, em muitos casos, muda paradigmas de violência contra a mulher”, disse Jessy..
Fonte: UNE

Falsificar carteira de estudante é crime e pode dar cadeia de até 5 anos

Desde 2013 o documento foi padronizado nacionalmente e está mais seguro 

A Polícia Civil de Pato de Minas, em Minas Gerais, desarticulou um esquema de falsificação do documento estudantil na semana passada (15/05) em que os investigadores acreditam que 24 mil carteiras estudantis adulteradas foram feitas para pessoas que estão fora de escolas e cursos.
Estamos em vigilância permanente. Buscamos junto ao Procon e ao Ministério Público combater os falsificadores e toda vez que temos alguma informação sobre isso adotamos as medidas legais para que sejam combatidos. É dever dos estudantes e do movimento estudantil combater os falsificadores de carteira, porque é o direito de toda uma categoria que é atacado”, destacou o tesoureiro da UNE, Ivo Braga sobre o assunto.
Comprar” uma carteira estudantil falsa pode até parecer um delito qualquer, mas é um crime grave.
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais quem usa um documento falsificado comete crime de falsidade ideológica ou uso de documento falso, e até mesmo de estelionato, pode ser presa em flagrante, com pena que varia de dois a cinco anos de prisãoJá quem vende documentos falsos pode responder por falsificação de documento público, com a mesma regra de punição.

O DIREITO NA MÃO DE QUEM TEM DIREITO

Desde 2013, quando a atual Lei da Meia-Entrada (Lei n. 12.933/93) foi promulgada, e concedeu à UNE e outras entidades estudantis a responsabilidade definir o padrão nacional da Carteira de Identificação Estudantil (CIE), a entidade buscou alternativas para que o documento seja seguro e confiável. Essas alternativas vão desde características físicas na CIE até a validação eletrônica do documento.
A Lei foi uma conquista importante, o primeiro diploma legal com validade nacional sobre esse assunto. Foi na prática a institucionalização do direito da meia-entrada, para que todos os estudantes do Brasil possam usufruir de seu direito a pagar 50% do ingresso de forma clara e transparente.
Até então vivíamos uma situação de completa desregulamentação, tínhamos as leis estaduais e a medida provisória 2208/2001 que permitia que qualquer carteira ou comprovante de matrícula emitido por qualquer entidade ou instituição de ensino em tese desse o direito à meia-entrada, no entanto o efeito foi justamento o inverso. Como qualquer papel poderia ser instrumento de obtenção do direito na prática o que aconteceu é que todo mundo comprava meia, a meia virou a inteira e a inteira o dobro. A nova Lei vem para reorganizar e devolver ao estudante o direito de pagar efetivamente 50% do valor cobrado”, explicou Ivo.

QUEM TEM DIREITO?

Todo estudante tem direito ao Documento do Estudante. Ele só precisa estar regularmente matriculado em uma destas modalidades de ensino: infantil, fundamental, médio e técnico, graduação, especialização, mestrado e doutorado, seja no ensino presencial ou a distância.

COMO SOLICITAR A MINHA?

A carteira com identificação padronizada pelas entidades estudantis, UNE, UBES e ANPG garante o direito a pagar meia em todo território nacional em eventos culturais e esportivos. O Documento pode ser adquirido por meio do site www.documentodoestudante.com.br
Fonte: UNE

sexta-feira, 25 de maio de 2018

ENCONTRO DE POLÍTICAS CULTURAIS DO CPC/RN ATINGIRAM SEUS OBJETIVOS, CONFIRAM!


No encerramento todos os participantes receberam CERTIFICAÇÃO do evento
 Foto 1: Pte da Câmara de Nova Cruz, José Evaldo Barbosa na Abertura do EPC do CPC/RN e foto 2: Eduardo Vasconcelos - Pte do CPC/RN, falando da importância do engajamento de todos na luta pela cultura e na defesa dos nosso irmãos índios e negros.
 Prof JOÃO MARIA CAMPOS na abertura do evento e na sala de mídia palestrando para os participantes
 Entrega de brindes após sorteios entre os participantes - diretor do CPC, Washington a participante sorteada
Foto e 1 e 2: Professor Francinaldo Soares e Allan recebendo das mãos dos palestrantes, Verônica e Ivanildo Silva mais um brinde do CPC/RN.
Participantes sorteadas recebendo das mãos do Eduardo Vasconcelos e da palestrante, Verônica Silva mais brindes sorteados
 Os palestrantes/professores: IVANILDO SILVA, VERÔNICA SILVA e JOÃO MARIA CAMPOS, deram literalmente uma aula de conhecimento sobre os nossos irmãos negros e índios.
 Dos trinta convidados, apareceram 25, que participaram ativamente dos debates
 Professores Ivanildo e Verônica Silva
Professora e palestrante, VERÔNICA SILVA

Na abertura do encontro foi cantado por todos os presentes o "HINO "Pra não dizer que falei das FLORES!"

O Encontro de Políticas Públicas Culturais do CPC/RN, realizado hoje (25) no IFRN de Nova Cruz/RN, atingiram suas expectativas, pois dos 30 (trinta) convidados compareceram 25 (vinte e cinco), mas o nível do debate altamente elevado culminou com o sucesso.  Lembrando que vários municípios que iam participar, justificaram a não vinda antecipadamente por causa da greve dos caminhoneiros, que causou a falta de combustível em vários postos, inclusive em alguns interiores do Estado.

Tirando isso o sucesso do encontro foi total. Os temas abordados pelos palestrantes foram além das Políticas Culturais, abordaram as origens e importância dos nossos irmãos negros e índios, além da conjuntura atual. 

A mesa oficial foi composta por Eduardo Vasconcelos, presidente do CPC/RN; José Evaldo Barbosa, presidente da Câmara de Vereadores de Nova Cruz. Allan Dantas, representando o diretor geral do Campus do IFRN de Nova Cruz e João Maria Campos, dirigente do SINTE/RN.O cerimonial ficou a cargo do radialista e professor, Claudio Pereira de Lima.

No final ouve sorteios entre os participantes, agenda para os meses de julho, agosto e novembro do ano em curso, entrega dos certificados e aprovação de eventos para os meses de julho a dezembro do ano em curso. Sendo o próximo evento será na cidade de Baía Formosa (litoral sul) e Natal. Datas a serem definidas em reunião da direção do CPC/RN.

Entidades participantes: CPC/RN, SINTE - Nova Cruz, STRAF-Nova Cruz, Conselho Tutelar de Nova Cruz, Universitários/as da UFRN e UNOPAR.

Apoio: SINTEST/RN, SINTE/RN, SINAI/RN, STRAF-NOVA CRUZ, Rádios Agreste FM e, ADURN, APURN, SINDHOLEIROS/RN, CTB/RN, SENALBA/RN, ADUERN, SINTE - REGIONAL DE NOVA CRUZ, SINTRAMACOMM, IFRN Campus de Nova Cruz,IFRN da Salgado Filho-Natal, UEE/RN, DCEs da UFRN e UERN, PMNC, Secretarias Municipais de Nova Cruz: Educação, Saúde, Administração, Assistência Social, SEBRAE - Nova Cruz, Gráfica Princesa do Agreste,entre outros/as.

Fotos/créditos de Iris, Claudio Lima, Daniele e Eduardo Vasconcelos.